Perigos para a liberdade de imprensa em Portugal

 

1 . Fui convidado a fazer esta intervenção na sequência, conforme me foi dito, de um texto de opinião que escrevi no Diário de Notícias sobre o atentado em França ao jornal Charlie Hebdo. Permitam-me recordar esse texto:

“Defendem o direito de publicar um cartoon de Maomé, nu, genitais à mostra, rabo espetado com uma estrela no cu mas convivem com a lei que promete três anos de cadeia a quem injurie o Presidente da República.

“Gritam pela liberdade de imprensa mas só reconhecem o direito de ser jornalista a quem o Estado e a elite da classe aceitem passar um cartão profissional.

As mulheres querem é levar tau tau?

A liberdade conduz à submissão? A pergunta assustou a minha cabeça quando televisões e jornais me assaltaram com um arrastão de reportagens sobre o lançamento do filme As Cinquenta Sombras de Grey.

Em Londres umas centenas de miúdas com propensão para a obesidade e dentes desalinhados guincharam, na noite fria da estreia, frente ao cinema Odeon Leicester Square, para saudar a passagem dos atores, lindos, Dakota Johsson e Jamie Dornan mais a escritora, feia, do livro replicado em argumento, E.L. James.

Quem foi o burro que deu o canudo aos professores burros?

Se eu acreditar no ministro da Educação (acreditar em Nuno Crato é difícil...) parece que na prova de avaliação de 2.490 professores (0,14% do universo total dos professores do ensino público) houve quem desse "20 erros numa frase". Vamos admitir a veracidade da informação e a conclusão implícita: há professores burros a dar aulas. Nem vou discutir isso, vou apenas perguntar: "se é assim, quem foi o burro que lhes deu o canudo para serem professores?"

Os examinados tinham todos menos de cinco anos de profissão pelo que a certificação do curso que lhes validou a habilitação para a docência só pode ter acontecido com Maria de Lurdes Rodrigues ou com o próprio Nuno Crato.

Na Grécia deram um tiro à esquerda moderada

A semântica dos mais notáveis colunistas, o texto das agências noticiosas, as análises do Financial Times, do Le Monde, do Diário de Notícias, do El País, da Reuters ou da France-Presse, de repente, mudaram: o Syriza deixou de ser "radical" pois adotou um discurso "moderado" na crítica à "ortodoxia" da engenheira Merkel, senhora que, comentam unânimes, insiste numa austeridade "irrazoável"...

Então os "ortodoxos" não costumavam ser os comunistas empedernidos e os "moderados" os sagrados líderes da zona euro? Os "radicais" e "irrazoáveis" trocaram de lado com as eleições da Grécia? Está tudo louco? Que se passa?