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Vão morrer dois milhões de portugueses

Cavaco Silva lembrou que até 2035 não nos livraremos daquilo que Paulo Portas designou de estatuto de "protetorado". Se a média de óbitos dos últimos dez anos se mantiver isto significa que, daqui até lá, mais de dois milhões de portugueses morrerão antes de Portugal voltar a ser verdadeiramente livre. Nem uma guerra pela independência provocaria tal calamidade.

O País só tem licença para gerir a sua vida sem fiscalização da troika quando o Presidente da República, a maior parte da classe política portuguesa, o grosso das elites nacionais e o autor destas linhas já nada riscarem na história... Que ironia!

... Portanto, espero não estar a ser mais um totó

A lista já pesa: assim, de repente e de memória, sou capaz de citar uma série de casos onde as autoridades e o poder executivo, judicial e legislativo tentam apertar os limites de utilização da liberdade de expressão. O leitor ou leitora não está preocupado com isso? Eu também não mas, já agora, repare nas notícias.

Temos Miguel Sousa Tavares,a palavra palhaço usada como possível insulto a Cavaco Silva e um processo levantado pelo Ministério Público, depois de um pedido de intervenção feito pelo Presidente da República.

Temos um cidadão em Elvas, totalmente desenquadrado de manifestações autorizadas, que no Dia de Portugal decide verberar o Presidente da República. Acabou detido e, em 24 horas, levado e condenado em tribunal - sentença que, por não poder ser julgada em processo sumário, o Ministério Público pretende agora anular.

Miguel Sousa Tavares, afinal, está safo!

Nem queria acreditar! O professor Cavaco Silva, num discurso oficial , enquanto Chefe do Estado, no Dia de Portugal e no pior ano que vivemos de crise, achou ser boa altura tentar reabilitar o seu passado como primeiro-ministro (José Sócrates tem, afinal, um mestre!) e resume assim 25 anos de política agrícola (dos quais os primeiros 10 comandou): "apesar de o número de agricultores ser então muito superior ao atual - cerca de 600 mil, contra cerca de 300 mil nos dias de hoje - a produtividade da terra cresceu 22% e a produtividade do trabalho agrícola aumentou 180%."

Cavaco Silva discursou aquele raciocínio sem se rir. Explicou querer desfazer assim "ideias feitas e preconceitos"... Como?!

Entre 1989 e 2009, o número de explorações agrícolas caiu 50% e a superfície agrícola utilizada diminuiu 9%. O valor acrescentado bruto criado pelo sector primário caiu de 10% para 2% - o peso do sector primário na riqueza criada no País dividiu-se assim por cinco.

Cavaco e Sousa Tavares

A investigação do Ministério Público a uma declaração de Miguel Sousa Tavares sobre Cavaco Silva não tem piada. Os assuntos de Estado são sérios, muito sérios.

O Código Penal prevê cadeia e multas para quem ofenda a honra do Presidente da República e para quem "ultraja" (sic) os símbolos nacionais: bandeira e hino. O Presidente representa a República, garante a independênia nacional, a unidade do Estado, o regular funcionamento das instituições e jura fazer cumprir a Constitução.

Num país que levasse os seus símbolos e a honra do Presidente a sério, todas as escolas, esquadras, tribunais, hospitais e outros edifícios públicos teriam, neste momento, a bandeira nacional hasteada e o retrato de Cavaco Silva exposto nos locais mais frequentados. Todos os funcionários da administração central ou autárquica saudariam a bandeira e cantariam o hino em diversas reuniões coletivas, formais ou informais.

Cavaco une Portugal e dá posse a Jerónimo

Leia esta frase: "O meu país necessita de renegociar as condições do nosso ajustamento. Digo-o e repito-o. Renegociar as condições de ajustamento com metas e prazo reais."

Agora, leia esta: "O que vejo com preocupação é que FMI, a Comissão Europeia e o BCE só reagem, só corrigem o caminho depois de se tornar estupidamente óbvio que é preciso mudar de caminho."

Com paciência leia, também, esta: "O novo rumo e a nova política de que Portugal precisa têm de romper com a crescente submissão e subordinação externas."

E, finalmente, esta: "Portugal é um país democrático, é um Estado de Direito com uma ordem constitucional que tem de ser respeitada. E a exigência por esse respeito dá ao Governo possibilidade de exigir melhores condições no campo internacional."

Estas quatro afirmações, feitas em semana louca, sugerem uma mais do que óbvia linha de pensamento comum: os portugueses têm de impor limites à troika, ou, pelo menos, devem tentá-lo.

O lugar na História de Cavaco Silva

Cavaco Silva tem um lugar de destaque na História ou, apenas, merecerá no futuro uma referência secundária?
No PSD, apesar de ter sido o seu líder com mais êxito político, pois foi o que assegurou ao partido o maior período de acesso ao poder executivo, nunca conseguiu ocupar o lugar dado pelo carisma, visão política, coragem e coerência ideológica de Francisco Sá Carneiro. Basta ouvir qualquer militante social-democrata, mesmo muito jovem - e não só os Pedros Santanas Lopes desta vida -, para perceber como essa decisiva influência perdura ao longo do tempo.
Como primeiro-ministro não é a sua actuação como governante que explica, nesse tempo, o inegável desenvolvimento económico de Portugal. Pelo contrário, muitas das suas opções são hoje postas em causa, a começar pelo próprio Cavaco Silva quando, por exemplo, critica agora a aposta no betão, o excesso de

Freeport e BPN

Antes das eleições de Setembro e depois das eleições de Junho, estas duas ou três semanas que vivemos são as únicas em que a Justiça pode ainda produzir um avanço qualquer nas investigações aos casos Freeport e BPN. Qualquer desenvolvimento no processo Freeport será acusado de prejudicar ou ajudar Sócrates. Um avanço no BPN parecerá que serve para atingir Cavaco e, por via disso, Ferreira Leite. Talvez por isso, por este magro intervalo eleitoral, quer um caso quer outro voltam a ser notícia. Lopes da Mota fala pela primeira vez, neste 24horas, da suspeita de pressão sobre a investigação que incomoda o primeiro-ministro. O Conselho Superior da Magistratura decide, contra a vontade do próprio, manter sob segredo o inquérito ao presidente da Eurojust – uma medida muito legalista mas que, como sempre acontece com este tipo de segredos, é uma estúpida sementeira para futuras fugas de informação, boatos e imprecisões. E um antigo ministro de Cavaco Silva – Arlindo Carvalho – surge arguido no caso BPN: ao juntar-se a Dias Loureiro começa, de facto, este escândalo a pesar alguma coisa na história dos governos do actual Presidente da República.
in 24horas, 21 de Julho de 2009

Contas

O Presidente da República fez bem em convocar eleições. Santana Lopes teve a maior derrota eleitoral de todos os primeiros-ministros da democracia portuguesa. Foi bebé, foi incubadora, foi tudo. Portas, que achou que fez tudo bem, deve a esta hora maldizer um erro: ter aceite, depois da saída de Durão, fazer um Governo com Santana em vez de ter ido logo a eleições. José Sócrates deu ao PS aquilo que só Cavaco conseguira: uma maioria absoluta. O pânico é pensar que os socialistas a podem usar num forrobodó de mordomias distribuídas pelos camaradas. Mas, para já, ele tem o benefício da dúvida e um definitivo lugar na história, que nenhum líder do PS conseguiu, nem Mário Soares. Jerónimo de Sousa é um vencedor e deixa apardalados a esmagadora maioria dos comentadores que há pelo menos 20 anos anunciam a extinção do PCP. É o prémio da seriedade, das convicções e da escolha dos militantes do PCP. Francisco Louçã tem uma subida extraordinária e o Bloco, nas grandes zonas urbanas, está cada vez mais forte. O partido dos comentadores já é um pouco mais que uma moda elitista. Os 60% de votos à esquerda mostram uma coisa: mais do que os líderes, a economia e a justiça social voltaram a contar para ganhar eleições.
in 24horas, 21 de Fevereiro de 2005

Campanha

Primeiro foram os boatos sobre a sexualidade de Sócrates e os namoros de Santana. Depois a falsa notícia de que Cavaco "apostava" no PS. Depois uma"cacha" de "o Independente", sobre uma investigação da PJ que envolveria Sócrates. E, afinal, o suposto exclusivo saiu em todos os jornais e até na agência Lusa, já com a posição do PS e tudo. E depois Souto Moura veio jurar que Sócrates não é suspeito de coisa alguma... pelo menos para já. Este jogo sujo para garantir o poder no dia 20 é um verdadeiro susto.
in 24horas, 12 de Fevereiro de 2005