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Na Grécia deram um tiro à esquerda moderada

A semântica dos mais notáveis colunistas, o texto das agências noticiosas, as análises do Financial Times, do Le Monde, do Diário de Notícias, do El País, da Reuters ou da France-Presse, de repente, mudaram: o Syriza deixou de ser "radical" pois adotou um discurso "moderado" na crítica à "ortodoxia" da engenheira Merkel, senhora que, comentam unânimes, insiste numa austeridade "irrazoável"...

Então os "ortodoxos" não costumavam ser os comunistas empedernidos e os "moderados" os sagrados líderes da zona euro? Os "radicais" e "irrazoáveis" trocaram de lado com as eleições da Grécia? Está tudo louco? Que se passa?

O pior da manifestação é mesmo o dia seguinte

O problema das enormes manifestações, como a de sábado passado, é o dia seguinte, quando se exige um pouco mais de nós do que uma pueril discussão sobre o alegado milhão ou os supostos 500 mil que realmente protestaram nas ruas.

No dia seguinte, dizem os defensores do Governo, ninguém apresenta alternativas às políticas de Pedro Passos Coelho. Isso não é, simplesmente, verdade. PS, PCP e Bloco, inúmeros economistas (independentes, de esquerda, do "centrão", gente biograficamente ligada ao PSD e ao PP), jornalistas, vários académicos, todos os parceiros sociais e até intelectuais estrangeiros têm listado, com maior ou menor arrojo, com maior ou menor dissonância em relação ao programa vigente, inúmeras ideias diferentes, de pormenor ou de fundo, para tentar melhorar a situação. Só por desonestidade intelectual se pode dizer que todas elas são irrealismo radical impraticável, demagogia populista ou ilusão revolucionária anacrónica.