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Seis verdades sobre as eleições

1. A abstenção foi elevada mas não atingiu os 47,4% apontados pelos dados oficiais. O censos de 2011 indica que havia então 10 milhões e meio de habitantes em Portugal. Não é possível termos nove milhões e meio de eleitores, como os cadernos eleitorais apontam, pois há pelo menos dois milhões de portugueses sem idade para votar (podem confirmar os dados no site Pordata). A abstenção real de domingo variará entre 39% e 42% dos que realmente poderiam participar no sufrágio. O coro de lamentações habitual sobre uma crise nacional de participação política é, assim, factualmente exagerado.

2. O PS não teve a maior vitória de sempre. Ganhou 150 câmaras (contando com a coligação no Funchal) é verdade, mas perdeu 241 mil votos, ou seja, registou, em relação a 2009, menos 11% de cruzinhas nos boletins de votos camarários, manuscritas no quadrado colocado à frente do seu símbolo. Mesmo em Lisboa, na sua maior vitória, perdeu quase sete mil votos.

Contas

O Presidente da República fez bem em convocar eleições. Santana Lopes teve a maior derrota eleitoral de todos os primeiros-ministros da democracia portuguesa. Foi bebé, foi incubadora, foi tudo. Portas, que achou que fez tudo bem, deve a esta hora maldizer um erro: ter aceite, depois da saída de Durão, fazer um Governo com Santana em vez de ter ido logo a eleições. José Sócrates deu ao PS aquilo que só Cavaco conseguira: uma maioria absoluta. O pânico é pensar que os socialistas a podem usar num forrobodó de mordomias distribuídas pelos camaradas. Mas, para já, ele tem o benefício da dúvida e um definitivo lugar na história, que nenhum líder do PS conseguiu, nem Mário Soares. Jerónimo de Sousa é um vencedor e deixa apardalados a esmagadora maioria dos comentadores que há pelo menos 20 anos anunciam a extinção do PCP. É o prémio da seriedade, das convicções e da escolha dos militantes do PCP. Francisco Louçã tem uma subida extraordinária e o Bloco, nas grandes zonas urbanas, está cada vez mais forte. O partido dos comentadores já é um pouco mais que uma moda elitista. Os 60% de votos à esquerda mostram uma coisa: mais do que os líderes, a economia e a justiça social voltaram a contar para ganhar eleições.
in 24horas, 21 de Fevereiro de 2005