O engenheiro Belmiro de Azevedo, dono há 23 anos do Público, fez, em entrevista ao seu próprio jornal, múltiplos comentários sobre o diário e sobre os seus jornalistas. As afirmações que me interessam são, no entanto, apenas duas.
Na primeira, o magnata da Sonae diz que "os diretores são uns cagarolas e cada vez que um quer mexer numa peça é automaticamente acusado de censura".
Na segunda, o capitalista marca Continente declara que "os custos do Público estão bem identificados: 50% são encargos com pessoal, 38% são custos de produção do jornal e 12% são custos de telecomunicações e outros. Os custos com pessoal devem descer substancialmente".
Comecei nos jornais em 1983. Passámos da máquina de escrever ao computador, do telex à Internet, do filme em negativo à fotografia digital, da fotocomposição ao computer to plate, do suporte em papel aos websites, telemóveis e tablets. Trabalhamos agora com texto, fotos, gráficos, som e vídeo.
Nestes 30 anos a medida mais popular de gestão nos jornais em crise foi sempre a mesma: cortar custos salariais, despedir. Quase sempre a empresa jornalística que a aplicou ficou, depois, em pior situação financeira. Como diria Cavaco Silva, é uma espiral recessiva.
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Indiferentes a José Sócrates
Faz-me impressão as casas com assinatura do engenheiro-técnico José Sócrates serem, pelo que vi ontem no Público, sistematicamente medonhas. Como pode o autor desta sustentada poluição visual ter chegado a ministro do Ambiente?
Faz-me impressão o generoso José Sócrates - à época presidente da concelhia do PS na Covilhã, líder da federação do partido em Castelo Branco e deputado eleito pelo distrito - alegar em sua defesa ter elaborado estas 21 pérolas da engenharia civil beirã a pedido de amigos, sem receber um tostão… Como se assinar projectos "por cunha" e, pelo que parece ser sugerido, "de cruz", fosse actividade isenta de crítica e totalmente insuspeita!
Faz-me impressão o primeiro- -ministro José Sócrates insistir em atirar-se ao jornalismo: as notícias sobre a tentativa de controlo da comunicação social são "mau jornalismo". As notícias sobre o que fez ou não fez no Freeport são "mau jornalismo". As notícias sobre a licenciatura na Universidade Independente são "mau
Faz-me impressão o generoso José Sócrates - à época presidente da concelhia do PS na Covilhã, líder da federação do partido em Castelo Branco e deputado eleito pelo distrito - alegar em sua defesa ter elaborado estas 21 pérolas da engenharia civil beirã a pedido de amigos, sem receber um tostão… Como se assinar projectos "por cunha" e, pelo que parece ser sugerido, "de cruz", fosse actividade isenta de crítica e totalmente insuspeita!
Faz-me impressão o primeiro- -ministro José Sócrates insistir em atirar-se ao jornalismo: as notícias sobre a tentativa de controlo da comunicação social são "mau jornalismo". As notícias sobre o que fez ou não fez no Freeport são "mau jornalismo". As notícias sobre a licenciatura na Universidade Independente são "mau
Um conto de fadas
Eduardo Pitta expõe uma ideia esclarecedora: se a operação policial que foi sujeito o 24 Horas se tivesse passado com um jornal “sério”, teria caído o Carmo e a Trindade. Tenho, sobre este assunto, uma historieta lateral.
Paciência
Desta vez Eduardo Cintra Torres, cronista do “Público” (jornal que é o mais directo concorrente do 24horas), estudou as nossas capas sobre Santana Lopes. Escreve mais de 7.500 caracteres e, no meio da poeira de muitas palavras inúteis, conclui: de Setembro a Dezembro houve três manchetes – três – do 24horas que, lidas com muuuuuita atenção, foram, em relação a Santana, favoráveis (ó traição!, ó pecado!, ó perdição do jornalismo!, ) ou, no mínimo, neutras (ó blasfémia!, ó lesmas rastejantes da comunicação social!). “Santana é o mais pobre do Governo”; “Chefe de Gabinete de Santana promove negócio do marido” e “Santana tem de ser operado” são os títulos em causa. Releio as manchetes que denunciam a suposta cobardia do 24horas, leio as explicações para a teoria de Cintra Torres, fico perplexo e só posso concluir: o homem até estuda mas, afinal, é parvo!
E ele também adianta: o Tadeu é comunista, mal educado, arrogante, não tem pêlos no peito, mistifica o passado, está armado em herói, fez das manchetes sobre Santana um troféu e não devia ser director. Bem, fico sempre a ganhar, pois é preferível ter aqueles defeitos todos a, apenas, ser parvo e não perceber o que se lê. Tenhamos paciência.
in 24horas, 15 de Março de 2005
O Tom
Eduardo Cintra Torres, cronista do jornal “Público” (que está a competir com o 24horas pelo terceiro lugar em vendas de diários), escreveu ontem que a pressão de Santana Lopes “conseguiu mudar o tom das manchetes” deste nosso jornal. Que quereria ele dizer? Afinal, qual é o “tom” das manchetes do 24horas? Crítico? Dramático? Irónico? Apelativo? Divertido? Emocionante? Eu não sei. Tento é que sejam todas verdadeiras, coisa que não sei se preocupa Cintra Torres, pois ao responder sobre este caso a uma jornalista do 24horas o melhor que conseguiu dizer foi: “Pergunte ao seu director!” e “Isso que está a fazer é eticamente reprovável” (porquê, senhor, porquê!?).
Conclusão: o cronista acusou o 24horas de fazer fretes a Santana Lopes, mas, confrontado com a sua própria afirmação, não foi capaz de dizer que ela era, de facto, verdadeira. Para que não restem dúvidas, publicamos, mais uma vez (já o fizeramos no dia seguinte às legislativas), todas as manchetes do 24horas com Santana Lopes. Convido o leitor a tirar as suas próprias conclusões.
Quanto a Cintra Torres, perdoem-me, mas tenho de endurecer o tom: ou é parvo – o que é pena – ou estuda pouco – o que é grave.
in 24horas, 8 de Março de 2005
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