Apelo dos jornalistas portugueses à introdução de uma disciplina de literacia da comunicação de massas no ensino básico
Os jornalistas portugueses, reunidos no 4.º Congresso dos Jornalistas, recomendam à Assembleia da República e ao Governo português a tomada de iniciativas que possibilitem a criação, no sistema de ensino público básico, de uma disciplina de literacia da comunicação de massas que possa dar aos jovens portugueses competências fulcrais para lidarem responsavelmente e conscientemente com os novos sistemas comunicacionais e aumentem as suas capacidades efetivas para o exercício de uma cidadania ativa e responsável. Entre outros objetivos, pretende-se:
- uma disciplina que ensine os jovens a interpretar, a descodificar, a criticar e a valorizar as mensagens da comunicação social, dos jornais, da TV, da rádio, mas também da web, das redes sociais, e do que os poderosos dizem através de todos estes meios;
- uma disciplina que ensine os jovens a identificarem e a defenderem-se dos crimes e agressões sociais perpetrados através da internet (difamação, calúnia, fraude, pedofilia, etc.);
- Uma disciplina que eduque para as boas práticas individuais na utilização dos novos meios de comunicação e interação digital, que explique e difunda os fundamentos de uma verdadeira ética na internet.
- uma disciplina demonstrativa de que o que é difundido por milhões de pessoas como verdadeiro pode, afinal, corresponder à mais pura falsidade e que uma das missões do jornalismo é ajudar a distinguir a verdade da falsidade;
- uma disciplina que ensine os jovens a entender e a interpretar os vários géneros jornalísticos e a distinguir opinião de notícia, reportagem de análise, crónica de relato;
- uma disciplina que analise e revele os mecanismos da manipulação informativa;
- uma disciplina que forme futuros leitores e consumidores de informação jornalística capazes de serem exigentes e qualificados críticos do trabalho dos jornalistas que nos obriguem, a nós jornalistas e às empresas jornalísticas, a sermos corretamente deontológicos, que nos obriguem a sermos transparentes, que nos obriguem a sermos pluralistas, que nos obriguem a termos capacidade de mudarmos metodologias profissionais de forma a respondermos adequadamente às constantes mudanças da sociedade e às novas necessidades dos leitores, ouvintes, espetadores e interlocutores.
Lisboa, 15 de janeiro de 2017
Pedro Tadeu
Carteira profissional 3121
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