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Esta saída limpa deixou muito lixo tóxico


A saída limpa da troika deixa muitos resíduos tóxicos em Portugal. Um deles é a contribuição de sustentabilidade, aquela que substituirá em definitivo a anteriormente "provisória" contribuição extraordinária de solidariedade.
Um pensionista com uma reforma bruta de 4000 euros passará a receber mais 260 euros mensais em 2015 do que recebe este ano. Um reformado com uma pensão de 1050 euros será premiado com, apenas, mais 15,75 euros... Repito: mais 260 euros para o reformado que ganha mais... só 15,75 euros para o que ganha menos.
Quem decidiu este escalonamento pretende o quê? Que o senhor Presidente da República fique satisfeito por ir receber um acréscimo de 650 euros mensais em 2015 e mais 2200 euros mensais em 2017? Esperam que Cavaco Silva deixe de falar, nas suas mensagens institucionais, em "espiral recessiva" e passe a colocar no Facebook frases condescendentes sobre "agentes políticos, comentadores e analistas, nacionais e estrangeiros" que se dediquem a prever a catástrofe nacional?

Porque são os políticos cada vez piores?

António Guterres comparado com Durão Barroso, deixou saudades. Durão comparado com Santana Lopes, deixou saudades. Santana comparado com José Sócrates, deixou saudades (bom, talvez aqui haja uma excepção que confirme a regra...). Sócrates, comparado com Passos Coelho, deixou saudades. Antóno José Seguro, se tomar o poder, vai deixar-nos, quase de certeza, com saudades do Passos Coelho que hoje detestamos.

As teorias sobre as razões da continuada degradação da classe política podem somar-se: o carreirismo partidário clientelar; a fraca aprendizagem académica e profissional fora da vida política; a profissão política mal paga e exposta; um rotativismo partidário circular que, por isso, perde competência, imaginação e criatividade; o sistema eleitoral. Há quem alvitre isso, parte disso ou a soma total disso. Não chega.

Cavaco une Portugal e dá posse a Jerónimo

Leia esta frase: "O meu país necessita de renegociar as condições do nosso ajustamento. Digo-o e repito-o. Renegociar as condições de ajustamento com metas e prazo reais."

Agora, leia esta: "O que vejo com preocupação é que FMI, a Comissão Europeia e o BCE só reagem, só corrigem o caminho depois de se tornar estupidamente óbvio que é preciso mudar de caminho."

Com paciência leia, também, esta: "O novo rumo e a nova política de que Portugal precisa têm de romper com a crescente submissão e subordinação externas."

E, finalmente, esta: "Portugal é um país democrático, é um Estado de Direito com uma ordem constitucional que tem de ser respeitada. E a exigência por esse respeito dá ao Governo possibilidade de exigir melhores condições no campo internacional."

Estas quatro afirmações, feitas em semana louca, sugerem uma mais do que óbvia linha de pensamento comum: os portugueses têm de impor limites à troika, ou, pelo menos, devem tentá-lo.