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Na Grécia deram um tiro à esquerda moderada

A semântica dos mais notáveis colunistas, o texto das agências noticiosas, as análises do Financial Times, do Le Monde, do Diário de Notícias, do El País, da Reuters ou da France-Presse, de repente, mudaram: o Syriza deixou de ser "radical" pois adotou um discurso "moderado" na crítica à "ortodoxia" da engenheira Merkel, senhora que, comentam unânimes, insiste numa austeridade "irrazoável"...

Então os "ortodoxos" não costumavam ser os comunistas empedernidos e os "moderados" os sagrados líderes da zona euro? Os "radicais" e "irrazoáveis" trocaram de lado com as eleições da Grécia? Está tudo louco? Que se passa?

E eles já gritam: “Vêm aí os russos. Viva!”

Estranhei a diligência, a pressa e, palpita-me, a alegria com que as autoridades portuguesas divulgaram duas passagens, a 160 quilómetros da costa portuguesa, de bombardeiros russos e o envio, por ordem da NATO, de caças F-16 nacionais para os vigiarem.

Os testes que Putin mandou fazer à velocidade de resposta das forças ocidentais nada intencionam de bom, é claro, mas o espalhafato feito com este e outros incidentes recentes contrasta com o tradicional secretismo que a Aliança Atlântica impõe a estes assuntos.

Conta a história que o presidente norte-americano, Dwight Eisenhower, um republicano crítico dos défices do Estado, atrapalhado com uma economia anémica, gastou dinheiro dos contribuintes em obras públicas como nem o despesista Franklin Roosevelt, em tempo de paz, fez com o seu New Deal.

A Rússia aprendeu com a América

Os Estados Unidos não vão combater a Rússia. A NATO também não. A União Europeia ainda menos. Porquê? Têm medo. A não ser que os seus líderes estejam loucos. Por isso, a Rússia pode violar o direito internacional.

E então? A segunda invasão dos Estados Unidos da América ao Iraque violou o direito internacional: George W. Bush alegou na altura a "legítima defesa preventiva" por, supostamente, Saddam ter armas de destruição maciça que poderiam atingir a América. Se houvesse provas disso, a base jurídica para lançar o ataque estava encontrada.

Porque são os políticos cada vez piores?

António Guterres comparado com Durão Barroso, deixou saudades. Durão comparado com Santana Lopes, deixou saudades. Santana comparado com José Sócrates, deixou saudades (bom, talvez aqui haja uma excepção que confirme a regra...). Sócrates, comparado com Passos Coelho, deixou saudades. Antóno José Seguro, se tomar o poder, vai deixar-nos, quase de certeza, com saudades do Passos Coelho que hoje detestamos.

As teorias sobre as razões da continuada degradação da classe política podem somar-se: o carreirismo partidário clientelar; a fraca aprendizagem académica e profissional fora da vida política; a profissão política mal paga e exposta; um rotativismo partidário circular que, por isso, perde competência, imaginação e criatividade; o sistema eleitoral. Há quem alvitre isso, parte disso ou a soma total disso. Não chega.