No Parlamento perguntaram a Pedro Queiroz Pereira: “Poderá dizer-se que se tivesse chegado a acordo com Ricardo Salgado no conflito sobre o controlo da Semapa não teria feito a denúncia sobre o Grupo Espírito Santo ao Banco de Portugal?” O até então descontraído industrial fechou o rosto, refletiu numa pausa e admitiu: “Poderá dizer-se que não. Não teria feito a denúncia.” Esta é a confissão da amoralidade nas alianças e nos conflitos desse mundo que a comissão de inquérito ao caso BES nos dá a conhecer: quase nenhum inquirido, na realidade, quer saber muito do respeito pela lei, das perdas dos pequenos acionistas, da honra pessoal ofendida ou do destino das pobres irmãs Salgado que fazem bolos à noite, coitaditas...
Quando Ricardo Salgado aparenta, em dez horas de audiência extenuante, uma mistura de fresca inteligência discursiva com uma, literalmente, inacreditável ignorância sobre a criação do buraco financeiro que acabou por destruir o império familiar que liderou, está a guiar-se por essa amoralidade.
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Coisas sem preço, como a honra
A Telefónica, empresa espanhola que, até hoje, divide com a Portugal Telecom o governo da brasileira Vivo, quer ficar com tudo. Dado esse facto, embrenhei-me nos jornais e nas secções especializadas. Durante uns dias, poucos, o tom heróico e paramilitar de cada artigo, notícia ou comentário quase sugeria estar a tocar, em fundo, uma versão ultramarcial d' A Portuguesa, com a banda da GNR a proclamar: "Contra os espanhóis, marchar! Marchar!" Pelo meio, estes arautos da alta finança anunciaram um aliado, ao estilo dos antigos mercenários ingleses que nos ajudaram em Aljubarrota: tratava-se do homem mais rico do mundo, Carlos Slim, disposto a contribuir para impedir a "invasão"... Era mentira.
A dada altura, Ricardo Salgado, dirigente máximo do Banco Espírito Santo e crónico candidato a pessoa mais influente do País, declarou, lapidar: "Tudo tem um preço, menos a honra." Faria de Oliveira, líder da
A dada altura, Ricardo Salgado, dirigente máximo do Banco Espírito Santo e crónico candidato a pessoa mais influente do País, declarou, lapidar: "Tudo tem um preço, menos a honra." Faria de Oliveira, líder da
Será que vão prender Sócrates?
No metropolitano de Londres é célebre o aviso oral mind the gap para recomendar aos passageiros precaução com a separação que há entre a carruagem e o cais. Uma tradução possível para a frase é "cuidado com fosso". O mais burro dos cidadãos percebe a ideia num segundo.
Aqui há uns dias, na estação do Marquês de Pombal, ouvi pela primeira vez uma réplica portuguesa. Era tão comprida que nem consegui decorar. Pareceu-me isto: "Esteja atento, nas entradas e nas saídas, ao intervalo entre o comboio e o cais..." Bolas! À quarta palavra já me perdi, já não sei o que me querem dizer, já vou, aliás, na escada rolante. Este vício talvez seja indelével ao carácter português. Tem um nome: complicador.
O complicador mais relevante da última semana foi ligado quando José Sócrates utilizou, na Portugal Telecom, a golden share (vejam como esta expressão, simples, teria mesmo de ser inglesa...). O primeiro-
Aqui há uns dias, na estação do Marquês de Pombal, ouvi pela primeira vez uma réplica portuguesa. Era tão comprida que nem consegui decorar. Pareceu-me isto: "Esteja atento, nas entradas e nas saídas, ao intervalo entre o comboio e o cais..." Bolas! À quarta palavra já me perdi, já não sei o que me querem dizer, já vou, aliás, na escada rolante. Este vício talvez seja indelével ao carácter português. Tem um nome: complicador.
O complicador mais relevante da última semana foi ligado quando José Sócrates utilizou, na Portugal Telecom, a golden share (vejam como esta expressão, simples, teria mesmo de ser inglesa...). O primeiro-
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