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O lugar na História de Cavaco Silva

Cavaco Silva tem um lugar de destaque na História ou, apenas, merecerá no futuro uma referência secundária?
No PSD, apesar de ter sido o seu líder com mais êxito político, pois foi o que assegurou ao partido o maior período de acesso ao poder executivo, nunca conseguiu ocupar o lugar dado pelo carisma, visão política, coragem e coerência ideológica de Francisco Sá Carneiro. Basta ouvir qualquer militante social-democrata, mesmo muito jovem - e não só os Pedros Santanas Lopes desta vida -, para perceber como essa decisiva influência perdura ao longo do tempo.
Como primeiro-ministro não é a sua actuação como governante que explica, nesse tempo, o inegável desenvolvimento económico de Portugal. Pelo contrário, muitas das suas opções são hoje postas em causa, a começar pelo próprio Cavaco Silva quando, por exemplo, critica agora a aposta no betão, o excesso de

Alice Vieira mete-se na minha vida

A história mais encantadora que hoje publicamos nesta revista é contada na primeira pessoa e resulta da entrevista a Alice Vieira. Entre outras coisas boas que fez na vida, Alice Vieira ensinou a minha filha a ler. Não no sentido de ela aprender a juntar letras – isso foi a professora primária, claro – mas no sentido de a Joana ter descoberto com ela a excitação de explorar uma narrativa em livro.

Uma vez fui à festa do “Avante!” com a minha menina e lá, numa tenda que funcionava como livraria, estava José Saramago a dar autógrafos. A fila de fãs do prémio Nobel era imensa, o ar estava abafado, o calor era insuportável e a Joana, agarrada à minha mão, parecia estar prestes a cair para o lado, de cansaço. Resolvi sair para voltar mais tarde, com mais sossego, ver os escaparates. Mas a Joana, que teria na altura uns 6 ou 7 anos, de repente, começou a dar-me puxões à camisa e a gritar excitada: “Ó pai! Ó pai!, está ali a Alice Vieira!”. A escritora entrava na tenda para, por sua vez, iniciar também uma sessão de autógrafos. E já não consegui sair dali sem gramar com meia hora de fila indiana para recolher um rabisco e uma saudação da, na altura, escritora preferida da minha filha que, de resto, achou o prémio Nobel José Saramago – que prosseguia a sua odisseia de assinaturas ao lado da heroína dos miúdos – um velhote um bocado carrancudo.

Por estas e por outras, sempre que oiço falar em Alice Vieira, instintivamente, como os cães, fico logo de orelha espetada. E, antes de tudo o que tive de fazer para esta revista ir para as bancas, fui ler a entrevista que hoje publicamos. Diverti-me imenso e acho que ela deve ser uma mulher extraordinária. Não sei é se a Joana, se agora a visse, seria capaz de a reconhecer.

in 24horas, 17 de Junho de 2006

Saramago

Está por aí um reboliço por causa de Saramago e da sua declaração de fé no ateísmo. Ao ver e ao ouvir o que ele diz, com rosto e voz de fragilidade que, inevitavelmente, profetizam o encontro com a morte, pergunto-me: Como é que alguém pode sentir-se indignado por palavras que, afinal, repetem só o sentido que Saramago encontrou para a sua própria existência? Como lhe podem exigir, agora, uma outra vida que não esta que ele teve e tem, onde Deus e o diabo foram e são, apenas e unicamente, o Homem?


Reportagem de Pedro Coelho/SIC