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O orgulho de um professor

Em tempos que já lá vão dei aulas de uma disciplina que tinha o enganador nome de “Tecnologias de Informação”. Resumia-se, na prática, a ensinar adolescentes com mais de 16 anos a escrever e a fazer contas num computador. O problema maior era que uma grande parte dos alunos do 10.º e 11.º anos que encontrei nunca poderia ter grande brilhantismo na coisa porque não sabia sequer escrever em papel, quanto mais através de um computador... E quanto a contas, ainda era pior. Mas também é verdade que só havia um PC para cada três alunos, que metade do tempo de ensino era destinado a aulas teóricas que não interessavam nem ao Menino Jesus (eram só um truque do Ministério para iludir a falta de equipamento) e que nos jogos os putos “burros” se revelavam, afinal, muito desembaraçados quanto à utilização da informática. Para ser sincero, adorei a experiência – até porque nas tais aulas teóricas podia falar, falar e falar sem ser interrompido, o que enchia de vento a parte mais pretensiosa do meu ego – mas terminei-a porque o jornalismo começou a pagar-me melhor e a ocupar- -me cada vez mais tempo. E, peço desculpa, também porque o mundinho dentro da sala de professores era insuportável...

Uns dois anos depois estava num centro comercial a comprar óculos. Enquanto olhava para o espelho a ver se uma armação amarela me dava o ar de intelectual modesto com que procurava vender-me ao mundo, oiço ao meu lado uma vozinha tímida: “Professor?...”. Era uma das minhas antigas alunas de informática que estava ali. Senti-me ultraorgulhoso: chamarem-me professor, fora do contexto das aulas, e reconhecerem-me assim, com evidente prazer! Falámos um bocadinho, percebi que a cabeça dela estava bem arrumadinha – por acaso era das moças mais brilhantes que apanhei nas aulas – e, depois, lá nos despedimos. Nunca mais a vi. Mas convenci-me que, com o meu trabalho, dei qualquer coisa àquela rapariga que ela achou ter valido a pena receber. Qualquer coisa mais do que aprender a escrever num computador. Valeu, portanto, a pena.

in 24horas,. 14 de Janeiro de 2006

Nus a favor da aluna da minissaia


Em apoio à aluna Geisy Arruda, da universidade Uniban, que foi expulsa da faculdade por usar minissaia e apupada por centenas de colegas aos gritos de "puta! puta!", dezenas de alunos de outra universidade brasileira, UnB, foram ontem para as aulas quase nus. Leia mais aqui

Universidade terá de explicar expulsão
de aluna que usou minissaia

Esta inacreditável história (o vídeo que deu origem a este escândalo pode ser visto aqui) prossegue. Leia-se esta notícia do Jornal Digital:
Brasília - A Universidade Bandeirante (Uniban) de São Bernardo do Campo, no Brasil, vai ser obrigada a explicar a expulsão de uma aluna depois desta se apresentar com um vestido curto.
A universidade terá dez dias para se justificar ao Ministério da Educação depois de ter expulsado a aluna Geisy Villa Nova Arruda por alegada má conduta. A estudante de 20 anos, que frequentava o curso de turismo foi expulsa da escola por usar «trajes inadequados».
No dia 22 de Outubro, Geisy foi hostilizada por colegas da mesma universidade por estar a usar um vestido curto e teve mesmo que sair do estabelecimento de ensino, escoltada pela Polícia Militar. O tumulto gerado foi filmado pelos alunos e colocado na Internet, o que fez com que a estudante parasse de frequentar as aulas.
A União Nacional dos Estudantes (UNE), considerou este um «episódio de violência sexista» e uma «demonstração de machismo». Também a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freira, condenou a expulsão da estudante e disse que vai exigir explicações públicas da instituição de ensino. «Se a universidade acha que deve estabelecer padrões adequados de vestuário, deve avisar os seus alunos claramente quais são esses padrões», afirmou a ministra.
Num comunicado publicado nos jornais locais, a Uniban informou que, após realizar uma investigação interna, concluiu que a estudante usava «trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade».

Estudante de minissaia insultada
pelos colegas na Faculdade

A notícia é esta: uma estudante causou um tumulto numa faculdade em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) por aparecer na escola de minissaia.
A jovem ouviu insultos de centenas de alunos da faculdade e teve de se esconder, até sair protegida pela Polícia Militar, enquanto ouvia os futuros doutores, convertidos em turba ululante, a gritar "puta!, puta!". É inacreditável!