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... Portanto, espero não estar a ser mais um totó

A lista já pesa: assim, de repente e de memória, sou capaz de citar uma série de casos onde as autoridades e o poder executivo, judicial e legislativo tentam apertar os limites de utilização da liberdade de expressão. O leitor ou leitora não está preocupado com isso? Eu também não mas, já agora, repare nas notícias.

Temos Miguel Sousa Tavares,a palavra palhaço usada como possível insulto a Cavaco Silva e um processo levantado pelo Ministério Público, depois de um pedido de intervenção feito pelo Presidente da República.

Temos um cidadão em Elvas, totalmente desenquadrado de manifestações autorizadas, que no Dia de Portugal decide verberar o Presidente da República. Acabou detido e, em 24 horas, levado e condenado em tribunal - sentença que, por não poder ser julgada em processo sumário, o Ministério Público pretende agora anular.

Miguel Sousa Tavares, afinal, está safo!

Nem queria acreditar! O professor Cavaco Silva, num discurso oficial , enquanto Chefe do Estado, no Dia de Portugal e no pior ano que vivemos de crise, achou ser boa altura tentar reabilitar o seu passado como primeiro-ministro (José Sócrates tem, afinal, um mestre!) e resume assim 25 anos de política agrícola (dos quais os primeiros 10 comandou): "apesar de o número de agricultores ser então muito superior ao atual - cerca de 600 mil, contra cerca de 300 mil nos dias de hoje - a produtividade da terra cresceu 22% e a produtividade do trabalho agrícola aumentou 180%."

Cavaco Silva discursou aquele raciocínio sem se rir. Explicou querer desfazer assim "ideias feitas e preconceitos"... Como?!

Entre 1989 e 2009, o número de explorações agrícolas caiu 50% e a superfície agrícola utilizada diminuiu 9%. O valor acrescentado bruto criado pelo sector primário caiu de 10% para 2% - o peso do sector primário na riqueza criada no País dividiu-se assim por cinco.

Cavaco e Sousa Tavares

A investigação do Ministério Público a uma declaração de Miguel Sousa Tavares sobre Cavaco Silva não tem piada. Os assuntos de Estado são sérios, muito sérios.

O Código Penal prevê cadeia e multas para quem ofenda a honra do Presidente da República e para quem "ultraja" (sic) os símbolos nacionais: bandeira e hino. O Presidente representa a República, garante a independênia nacional, a unidade do Estado, o regular funcionamento das instituições e jura fazer cumprir a Constitução.

Num país que levasse os seus símbolos e a honra do Presidente a sério, todas as escolas, esquadras, tribunais, hospitais e outros edifícios públicos teriam, neste momento, a bandeira nacional hasteada e o retrato de Cavaco Silva exposto nos locais mais frequentados. Todos os funcionários da administração central ou autárquica saudariam a bandeira e cantariam o hino em diversas reuniões coletivas, formais ou informais.

Direito de Resposta:
Pedro Tadeu responde a Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares fez publicar ontem no Diário de Notícias um direito de resposta a um artigo meu, publicado neste jornal na passada terça-feira, sob o título "A má consciência de Sousa Tavares". Sobre esse direito de resposta, gostaria de prestar os seguintes esclarecimentos:
1 - A origem desta polémica está numa outra crónica publicada por mim em 2 de Março de 2010, intitulada "A vida privada segundo Francisco Assis" e que pode ser lida no site do DN (LINK). Aos leitores que tiverem paciência para isso, desafio-os a encontrarem nesse texto aquilo de que Sousa Tavares me acusa: que eu gostaria "de confirmar" (sic) salários de outros jornalistas através da divulgação pública das suas declarações de rendimentos. Sousa Tavares manipula e descontextualiza propositadamente essa crónica,

Direito de Resposta:
Sousa Tavares responde a Pedro Tadeu

"Na edição desse jornal de 13.04.10, o jornalista Pedro Tadeu publicou um texto intitulado "A má consciência de Sousa Tavares", em relação ao qual venho exercer o meu direito de resposta, nos termos legais e por o mesmo conter matéria falsa e injuriosa. Assim:
1 - Pedro Tadeu, na sua injustificável coluna no DN, publicou há tempos um texto defendendo a divulgação pública das declarações fiscais de todos os cidadãos, indiscriminadamente - argumentando, entre outras coisas, que assim poderia confirmar os casos de "directores de jornais com salários de dez ou quinze mil euros e cronistas ou comentadores de TV a receber neste universo de remunerações".
2 - Comentando esta posição, eu escrevi na revista GQ que ele era, obviamente, movido pela mais antiga doença portuguesa, que é a inveja. E, recordando a sua passagem como director pelo jornal 24 Horas, por ele transformado num pasquim especializado na devassa da vida alheia (sufocando qualquer resistência deontológica de alguns bons profissionais que lá trabalham), referi que este era o mesmo Tadeu que fizera

A má consciência de Sousa Tavares

Sousa Tavares vive em contradição moral. Numa revista para homens acusa-me do pecado mortal da inveja. Os 10 ou 15 mil euros que uns poucos jornalistas ganham seriam o tormento da minha alma até porque, supõe-se, eu não receberei isso (será, camarada Miguel? Será verdade que a economia de mercado, que tanto elogia, lhe paga mais do que a mim? Tem a certeza? Será que sim? Será que não?... Que ansiedade, camarada Miguel!).
Depois de apontar o dedo - "vede, plebeus, vede que ali vai um invejoso!" -, Sousa Tavares cai em tentação. No Expresso indigna-se com os rendimentos de António Mexia: "Que pateta não conseguiria lucros a gerir uma empresa que funciona em monopólio, vendendo um bem essencial como a electricidade?",

Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares é um homem de mérito. Em primeiro lugar por ter conseguido impor, num país de compadrios, compromissos e camaradagens, um estilo de opinião frontal, contundente e independente que outros não conseguiram impor ou, pior do que isso, que desistiram de tentar impor. Em segundo lugar por, depois de uma vida profissional de jornalista aplaudida, ter corrido o risco de avançar para a escrita literária. E, mais uma vez, onde outros em situação semelhante fracassaram – é clássico bons jornalistas darem maus escritores – ele teve um êxito retumbante. Quer este pressuposto todo dizer que Sousa Tavares tem razão quando se queixa do argumento que adaptou o seu “Equador” para uma série de TV? Aqui há pelo menos um motivo objectivo para duvidar da justeza das apreciações negativas do autor do livro: a série tem audiências muito boas. Depois, estabeleceu um novo nível de exigência para produções televisivas deste tipo, bem mais elevado do que antes existia. E adaptar um romance actual com o nível de investimento que foi feito pela TVI também é inédito. Mas isto de escrever livros deve ser como ter filhos: não gostamos que lhes toquem...
in 24horas, 30 de Julho de 2009