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Coisas sem preço, como a honra

A Telefónica, empresa espanhola que, até hoje, divide com a Portugal Telecom o governo da brasileira Vivo, quer ficar com tudo. Dado esse facto, embrenhei-me nos jornais e nas secções especializadas. Durante uns dias, poucos, o tom heróico e paramilitar de cada artigo, notícia ou comentário quase sugeria estar a tocar, em fundo, uma versão ultramarcial d' A Portuguesa, com a banda da GNR a proclamar: "Contra os espanhóis, marchar! Marchar!" Pelo meio, estes arautos da alta finança anunciaram um aliado, ao estilo dos antigos mercenários ingleses que nos ajudaram em Aljubarrota: tratava-se do homem mais rico do mundo, Carlos Slim, disposto a contribuir para impedir a "invasão"... Era mentira.
A dada altura, Ricardo Salgado, dirigente máximo do Banco Espírito Santo e crónico candidato a pessoa mais influente do País, declarou, lapidar: "Tudo tem um preço, menos a honra." Faria de Oliveira, líder da

Será que vão prender Sócrates?

No metropolitano de Londres é célebre o aviso oral mind the gap para recomendar aos passageiros precaução com a separação que há entre a carruagem e o cais. Uma tradução possível para a frase é "cuidado com fosso". O mais burro dos cidadãos percebe a ideia num segundo.
Aqui há uns dias, na estação do Marquês de Pombal, ouvi pela primeira vez uma réplica portuguesa. Era tão comprida que nem consegui decorar. Pareceu-me isto: "Esteja atento, nas entradas e nas saídas, ao intervalo entre o comboio e o cais..." Bolas! À quarta palavra já me perdi, já não sei o que me querem dizer, já vou, aliás, na escada rolante. Este vício talvez seja indelével ao carácter português. Tem um nome: complicador.
O complicador mais relevante da última semana foi ligado quando José Sócrates utilizou, na Portugal Telecom, a golden share (vejam como esta expressão, simples, teria mesmo de ser inglesa...). O primeiro-

As OPA são uma coisa boa?

Ando a ler nos últimos tempos nos jornais especializados que isto de estarem a suceder-se no mercado umas OPA atrás das outras é um sinal positivo para Portugal. A tese é que essas operações, que envolvem investimentos bancários de muitos e muitos milhões, endividamentos monstruosos de empresas portuguesas, movimentos de capitais vindos de fundos estrangeiros mais ou menos desconhecidos para o comum dos mortais, revelam que quem tem dinheiro a sério antevê um relançamento da economia portuguesa e por isso aposta no nosso mercado para ganhar, claro, muito mais dinheiro. 

Tirando o facto de eu constatar que quase sempre, no mundo da alta finança, quem ganhou muito dinheiro fez com que alguém perdesse muito dinheiro, não me parece que essa visão tão optimista da situação seja assim muito realista. 

Esta minha observação à “velho do Restelo” decorre de umas dúvidas que eu, ignorante em assuntos deste tipo, tenho e não vejo respondidas na tal imprensa especializada. Como temos a certeza que o valor que hoje tem para o País a Portugal Telecom, a Sonae, o BCP e o BPI consegue sobreviver a este teste convulsivo? Como pode alguém garantir que nesta luta sem tréguas, onde se decide o destino a dar a milhões de contos e o emprego de milhares de pessoas, não se irão cometer erros fatais, capazes de liquidar, de um dia para o outro, o que ainda temos de vida financeira no País? Como podemos ter a certeza que, no deve e haver final, na contabilidade dos ganhos e perdas, não acabaremos por nos deparar com uma calamidade? Quem nos garante que, afinal, tudo isto não passa de uma suicida fuga para a frente rumo a um angustiante abismo? Sim, estou muito preocupado e com um bocado de medo. 
in 24horas, 25 de Março de 2006

A PT que abana Portugal

Sempre que a Portugal Telecom é notícia o país político e empresarial abala um bocadinho. Trata-se de uma das empresas mais poderosas deste país e que lidera o nosso negócio das telecomunicações. Se a Portugal Telecom estiver mal, o país, numa relação que até parece directa, também está a enfrentar uma crise qualquer. É uma verdade quase absoluta. O contrário, curiosamente, não é verdade, pois hoje em dia o país está em crise e a Portugal Telecom, ao que parece, está a sair-se bem.
O actual líder da empresa, Zeinal Bava, volta a colocar em cima da mesa uma questão que levou a uma enorme batalha política e empresarial aqui há quatro ou cinco anos: a PTser proprietária de órgãos de comunicação social – ela chegou a ser dona deste jornal, o 24horas. Na altura, por pressão do momento político, houve uma quase unanimidade neste país em achar que era mau misturar a PT (ainda com TV Cabo) e respectiva golden share do Estado com conteúdos informativos e de entretenimento. Hoje será curioso ver quantas pessoas defenderão a tese contrária e, sobretudo, quem mudou de opinião...
in 24horas, 25 de Junho de 2009