Maria Luís Albuquerque protagoniza um velho problema moral da política portuguesa? Sim. A tradição a que me refiro não está, porém, na mentira que ela terá dito numa Comissão Parlamentar de Inquérito (aparte: peço desculpa, mas não vou escrever, hipocritamente, frases como "ter faltado à verdade" com que os políticos e os analistas bem comportados, cínica e politicamente corretos, têm descrito este problema).
Uma hipotética nova questão dos casos swap não é, com certeza, a de uma mentira dita por um governante em sede institucional: em 39 anos de democracia não é esta a primeira vez que os deputados são enganados nestes inquéritos. Mas será a primeira vez que uma ministra das Finanças é apanhada a mentir durante esse ritual solene.
Isso é, de facto, novo, mas não modifica o problema moral em si: quem mente de forma oficial aos representantes do povo não pode exercer funções oficiais em representação desse povo. Há muito que esta relação está apreendida e o resultado lógico e coerente desse entendimento seria a decorrente demissão de Maria Luís, exigida pelos partidos de oposição.