Mostrar mensagens com a etiqueta Saúde. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Saúde. Mostrar todas as mensagens

Conheço um condenado à morte pelo Estado


Uma pessoa que conheço, que estimo, com quem já trabalhei, recebeu uma pena de morte: uma velha hepatite C degenerou em cirrose.
Os médicos deram-lhe, no entanto, forma de escapar à cruciação: novos medicamentos prometem a cura de, pelo menos, 90% dos casos e em apenas três meses.
O Infarmed e o Ministério da Saúde, porém, voltaram a confirmar a condenação: o processo burocrático que define as comparticipações do Serviço Nacional de Saúde não está concluído. Por isso, o Estado não fornece ainda esse medicamento aos doentes.
"Eu pago!", pensou ele, na inocência dos espíritos livres. "São 48 mil euros", decretou o mundo real, em que a liberdade só é garantida para os ricos... mas até estes, se estivessem na mesma situação, enfrentariam o embaraço de todo o sistema, que não saberia como vender um fármaco hospitalar com processo de aprovação ainda pendente em Portugal, apesar de em novembro a Agência Europeia do Medicamento o ter recomendado para toda a União. Mas a questão já nem se põe ao meu antigo camarada de trabalho, pois a economia familiar não arranja assim 48 mil euros. O pagamento de uma caução que substituisse a pena capital está, em suma, fora de questão.

O silêncio da ministra Ana Jorge

Os vários governos PS, PSD e CDS têm aplicado uma política de fragilização do Serviço Nacional de Saúde. Para isso, procederam a uma paulatina privatização de serviços, cujo rosto mais visível é o dos hospitais privados, razoáveis nas instalações e na hotelaria, mas frágeis em tudo o resto, a começar na gestão que acumula prejuízos e a acabar no que sai da rotina habitual da assistência médica básica ou quase básica.

Não é verdade?... É! E para o comprovar basta constatarmos que quando qualquer milionário tem um problema de saúde sério entra para internamento num dos grandes hospitais do Estado e não num desses edifícios de aço e vidro da família Melo ou da banca. Temos o exemplo recente de Horácio Roque, no velhinho Hospital de São José, de Lisboa.

Nos últimos anos, vivemos uma nova fase desta delapidação de um dos poucos serviços do Estado que nos fazem acreditar valer a pena pagar impostos: agora escorraçam-se médicos do serviço público. Isto tem afectado mais os chamados cuidados de saúde primários, os centros de saúde. Desde o início do ano passaram à reforma, a maioria antecipadamente, 600 médicos do serviço público. É quase certo que a maioria destes reformados trabalha ou vai trabalhar no privado e, pasme-se, face à falta de médicos a ministra Ana Jorge estuda a hipótese de recontratar esses reformados, que, assim, passariam a receber deste Estado, que se diz quase falido, não só a reforma mas também um novo salário.

A Organização Mundial de Saúde afirmou há dias que Portugal era o País da União Europeia com maiores desigualdades no acesso aos cuidados de saúde. Há 700 mil portugueses sem médico de família. A distribuição de médicos está distorcida: por cada médico nos centros de saúde existem 3,6 médicos nos hospitais. Faltam cerca de 20 mil enfermeiros e apesar disto mais de três mil enfermeiros estão desempregados. Prevê-se que, no ano de 2015, cerca de 80% dos médicos terão mais de 55 anos. Mesmo assim, as entradas nas faculdades de Medicina são limitadíssimas. E o Programa de Estabilidade e Crescimento anuncia que irão ser cortados, até 2013, 715 milhões de euros nos serviços de saúde.

Face a este panorama, a este desgoverno, quando a ministra da Saúde Ana Jorge vê os utentes do centro de saúde de Valença do Minho protestarem desde domingo pelo fecho do SAP, deve sentir grande dificuldade para argumentar em defesa da sua medida. Talvez por isso, até agora, pouco ou nada tenha dito.

in "Diário de Notícias", 30 de Março de 2010

Gente a quem tenho de agradecer

Nem todas as pessoas estão emocionalmente preparadas para fazer coisas como esta: ir, semana a semana, como voluntário, ajudar crianças que sofrem de cancro. É preciso uma fibra especial.


Uma pessoa que eu conheço passou, há uns anos, por essa experiência. Com o tempo, aquilo que era feito com generosidade a favor dos outros passou, gradualmente, a um egoísmo dos outros contra si própria: um denso medo de desiludir mandava mais que o básico instinto de sobrevivência. Foi devastador e ia arruinando a sua personalidade: a sucessão de mortes e de dor transformou-se num calvário permanente, à beira do insuportável, no limiar, desconfio, da tentação da própria morte. Teve de parar e demorou muito tempo a recuperar da desilusão de si própria que esta falência dos sentimentos lhe provocou... 


Eu, que me considero um “tipo duro”, que tenho uma profissão que me obriga a ser “duro”, que treinei ao longo dos anos essa “dureza”, nunca tive a oportunidade nem, sobretudo, a vontade de me colocar na situação daquela pessoa. E, francamente, desconfio que não aguentaria. Tenho medo. 


Felizmente há gente que enfrenta este tipo de relacionamento com doentes terminais – mesmo crianças – com uma solidez que nos reconforta. E mais admiráveis são quando, sendo famosos, o fazem fugindo à publicidade fácil que isso lhes podia proporcionar. Merecem, como seres humanos, toda a nossa admiração. Eu, daqui, quero agradecer-lhes por fazerem, por mim, aquilo que eu não sou capaz de fazer pelos outros. 
in 24horas, 3 de Setembro de 2005

Controlo de Natalidade



A Newsweek pôs em linha um diaporama que explica a evolução do controlo de natalidade através dos tempos. A história vai desde os primórdios dos preservativos, no Antigo Egipto, até à pílula abortiva. Parece que as primeiras tentativas de ter sexo sem fazer meninos passaram por Aristóteles, que recomendava o azeite como espermicida. A Newsweek não esclarece se Nicómano, o filho do grande filósofo grego, é resultado do falhanço desta receita...  Veja aqui.

A vingança de Maitê Proença

Parece de propósito: Depois do escândalo ridículo com o video da actriz brasileira, Maitê Proença,a gozar com Portugal, aparece na TV brasileira um aliado dos portugueses... mas com aliados destes ninguém precisa de inimigos!



O video posterior a que este senhor se refere é o de uma notícia da TVI sobre a Gripe A onde especialistas defendem que ela matará menos que a gripe sazonal. Pode ser visto aqui.

Plásticas e Moniz

Aproveitar as modernas técnicas de cirurgia estética para fazer umas “emendas” no corpo começa a ser algo corrente e banal. Profissionalmente apercebi-me, de há uns quatro anos para cá, no mundo dos artistas, dos jornalistas de TV, dos apresentadores, dos famosos das festas, que devem contar-se pelos dedos de uma mão os que não têm um bocado de silicone enfiado algures, ou pivôs a acertar os dentes, ou uma injecção de botox a eliminar rugas ou qualquer outra trapalhada dessas. O curioso é que, apesar dessa banalidade, há ainda um manto de vergonha que leva essas pessoas a não quererem falar publicamente sobre o assunto, como se a opção que tomaram os diminuísse publicamente. São, por isso, notáveis as declarações que hoje publicamos neste 24horas.


José Eduardo Moniz desistiu da candidatura no Benfica. Falou de ameaças que recebeu. Acredito na existência dessas ameaças, pois são semelhantes às que, com frequência, aqui recebemos sempre que, por alguma razão, publicamos notícias polémicas sobre um qualquer clube de futebol. Uma lamentável miséria mental.
in 24horas, 19 de Junho de 2009

Nicolau Breyner



O 24horas publica hoje um trabalho, a propósito do facto de Nicolau Breyner ter contraído cancro na próstata – e depois de o próprio ter feito pormenorizadas declarações sobre o assunto à revista “Lux”– que serve, por um lado, para os leitores terem detalhes e pormenores sobre a forma como o actor enfrenta o problema como, por outro lado, tem uma função muito mais importante: aproveitar o aumento da curiosidade sobre um tema de saúde pública, proporcionado pelo envolvimento de uma celebridade, para esclarecer e informar sobre a forma como prevenir e tratar a doença.
O cancro na próstata atinge por ano três a quatro mil homens em Portugal. É o cancro “masculino” mais mortal no nosso país, depois do cancro do pulmão. Na maior parte das situações a sua detecção precoce permite um combate eficaz à doença e os homens afectados têm várias opções e linhas de tratamento, mais ou menos agressivas, com maior ou menor segurança de êxito, com maiores ou menores efeitos secundários posteriores a nível de incontinência urinária ou da perturbação da função sexual. Tudo isto e muito mais é explicado no artigo que faz manchete do jornal de hoje. Um serviço prestado ao leitor.
in 24horas, 16 de Junho de 2009

Saúde

O centro de cirurgia cardiotorácica do Hospital da Universidade de Coimbra é do Estado. Não tem lista de espera, tem um elevado sucesso médico, dá lucro e até distribui prémios de produtividade aos funcionários. Aqui há dias soube-se que os resultados dos Hospitais S.A. são, com duas excepções, uma vergonha. Para quem defende uma maior privatização da Saúde isto é uma enorme machadada. Para quem defende que é preciso é ter gente competente, isto é uma vitória. Qual é a dúvida?
in 24horas, 4 de Março de 2005