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A queda na valeta da fama

Todas as crianças querem ser artistas famosas. E o problema maior é que os paizinhos também querem que as suas crianças sejam artistas famosas. Nas classes sociais remediadas – sem meios para dar formação artística a sério aos seus rebentos, mas onde se anseia e alimenta uma congénita ilusão acerca deste assunto – isso justifica o elevado número de inscrições de raparigas fisicamente desproporcionadas em fictícias escolas de dança jazz e hip-hop ou o extraordinário número da rapazes de ouvido duro que dedicam duas horas por semana do seu tempo a martelar um piano numa escola de música de vão de escada. Em 90 por cento dos casos essas miúdas e esses miúdos, ao fim de três meses, estão a pedir para sair dali, naquela que será a primeira de muitas desistências que farão na vida. Mas, muito francamente, as consequências negativas de tudo isto são diminutas e, na verdade, eles até ficam a ganhar alguma coisa com a experiência.

A indústria da televisão, ou melhor, a indústria das novelas e séries que a TVI e a NBP construíram em Portugal, mais os “Ídolos” e quejandos, vieram abrir uma variante a este panorama. É a geração de jovens – por ano são muitos milhares – que se atira à sorte de um casting. Os que acabam por entrar – às dezenas por ano – chegam verdinhos a um demolidor mundo profissional para o qual nada os preparou. E, ao contrário da fantasia das meninas e meninos das escolas de dança e música, aqui não há recuo, ninguém – pais, produtores, managers, agências – aceitará que eles desistam, a não ser quando a pórpria indústria decide desistir deles, mandando-os para uma espécie de valeta da fama. O problema está em que, depois, ninguém vai lá tirá-los da fossa.

in 24horas, 3 de Junho de 2006

Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares é um homem de mérito. Em primeiro lugar por ter conseguido impor, num país de compadrios, compromissos e camaradagens, um estilo de opinião frontal, contundente e independente que outros não conseguiram impor ou, pior do que isso, que desistiram de tentar impor. Em segundo lugar por, depois de uma vida profissional de jornalista aplaudida, ter corrido o risco de avançar para a escrita literária. E, mais uma vez, onde outros em situação semelhante fracassaram – é clássico bons jornalistas darem maus escritores – ele teve um êxito retumbante. Quer este pressuposto todo dizer que Sousa Tavares tem razão quando se queixa do argumento que adaptou o seu “Equador” para uma série de TV? Aqui há pelo menos um motivo objectivo para duvidar da justeza das apreciações negativas do autor do livro: a série tem audiências muito boas. Depois, estabeleceu um novo nível de exigência para produções televisivas deste tipo, bem mais elevado do que antes existia. E adaptar um romance actual com o nível de investimento que foi feito pela TVI também é inédito. Mas isto de escrever livros deve ser como ter filhos: não gostamos que lhes toquem...
in 24horas, 30 de Julho de 2009

A PT que abana Portugal

Sempre que a Portugal Telecom é notícia o país político e empresarial abala um bocadinho. Trata-se de uma das empresas mais poderosas deste país e que lidera o nosso negócio das telecomunicações. Se a Portugal Telecom estiver mal, o país, numa relação que até parece directa, também está a enfrentar uma crise qualquer. É uma verdade quase absoluta. O contrário, curiosamente, não é verdade, pois hoje em dia o país está em crise e a Portugal Telecom, ao que parece, está a sair-se bem.
O actual líder da empresa, Zeinal Bava, volta a colocar em cima da mesa uma questão que levou a uma enorme batalha política e empresarial aqui há quatro ou cinco anos: a PTser proprietária de órgãos de comunicação social – ela chegou a ser dona deste jornal, o 24horas. Na altura, por pressão do momento político, houve uma quase unanimidade neste país em achar que era mau misturar a PT (ainda com TV Cabo) e respectiva golden share do Estado com conteúdos informativos e de entretenimento. Hoje será curioso ver quantas pessoas defenderão a tese contrária e, sobretudo, quem mudou de opinião...
in 24horas, 25 de Junho de 2009

Rita e Angélico

A relação amorosa entre Rita Pereira e Angélico Vieira deve ser a primeira em Portugal que nasce, vive e morre exclusivamente através do mundo da comunicação social. Os dois, ainda adolescentes, iniciaram carreira na série “Morangos com Açúcar”, de que eram actores principais. Apaixonaram-se, com milhões de telespectadores a ver, numa mistura inédita entre novela e vida real. Os interesses da vida privada com os da vida artística dos dois jovens misturaram- se. Quanto mais tempo passou, mais complicado tudo ficou: pouco tempo depois, estes dois miúdos tiveram de lidar também com os interesses comerciais de produtores, agentes, estações de televisão, imprensa e, até, editoras de música. O namoro deles passou ao estatuto de produto de marketing. Estava, portanto, condenado, pois não há produto de marketing que dure muito. E o amor que tantas vezes viveu nas notícias foi também morto pelas notícias. Agora, Rita tenta preservar, pelo menos, uma amizade com Angélico, com quem viveu cinco anos. Mais uma vez, através da comunicação social... Estes agora adultos, que a TV e os jornais fabricaram, podem ser pessoas sãs?... Tenho medo da resposta.
in 24horas de 24 de Junho de 2009

Plásticas e Moniz

Aproveitar as modernas técnicas de cirurgia estética para fazer umas “emendas” no corpo começa a ser algo corrente e banal. Profissionalmente apercebi-me, de há uns quatro anos para cá, no mundo dos artistas, dos jornalistas de TV, dos apresentadores, dos famosos das festas, que devem contar-se pelos dedos de uma mão os que não têm um bocado de silicone enfiado algures, ou pivôs a acertar os dentes, ou uma injecção de botox a eliminar rugas ou qualquer outra trapalhada dessas. O curioso é que, apesar dessa banalidade, há ainda um manto de vergonha que leva essas pessoas a não quererem falar publicamente sobre o assunto, como se a opção que tomaram os diminuísse publicamente. São, por isso, notáveis as declarações que hoje publicamos neste 24horas.


José Eduardo Moniz desistiu da candidatura no Benfica. Falou de ameaças que recebeu. Acredito na existência dessas ameaças, pois são semelhantes às que, com frequência, aqui recebemos sempre que, por alguma razão, publicamos notícias polémicas sobre um qualquer clube de futebol. Uma lamentável miséria mental.
in 24horas, 19 de Junho de 2009

Moniz e o Benfica

A ideia de alguém presidir a um clube de futebol, seja ele qual for, parece-me sempre uma loucura, dada a falta de racionalidade e o excesso de sentimentos apaixonados que imperam neste negócio, que fazem com que o maior dos génios, o mais capaz gestor, o homem mais honesto se sujeite, a qualquer momento, ao insulto, à chacota e até à agressão física, por motivos tão aleatórios quanto uma bola entrar ou não na baliza certa. Pior que isso, só mesmo querer ser árbitro de futebol... Mas, claro, como também ninguém acredita que se vai para árbitro apenas pelo amor ao jogo do pontapé na bola, creio que ninguém acha que se tenta ser presidente de um clube de futebol apenas pelo amor à respectiva camisola. E se esse clube for o Benfica – supostamente com seis milhões de adeptos – certamente haverá seis milhões de razões para se tentar ser líder dessa agremiação. O poder, só por si, seduz. O dinheiro que, certamente, directa ou indirectamente, vem atrás desse poder também deve ajudar. A glória, que é possível de alcançar, também atrai... Portanto, será uma loucura se o já poderoso José Eduardo Moniz se arriscar? Pois, apesar de tudo, se calhar não é...
in 24horas, 18 de Junho de 2009