Estava na redacção do Avante!, com a Ivone Dias Lourenço, quando olhei para a janela. Frente ao prédio da Rua Soeiro Pereira Gomes, em Lisboa, vi a descer, por uma ladeira de terra batida então frontal à sede do PCP, o António Dias Lourenço. "Está ali o teu pai!", alertei. A resposta na cara da Ivone misturou pasmo, preocupação e irritação: "Mas o que é que ele está a fazer?!"
Um dos olhos de Dias Lourenço estava tapado por uma gaze, o que explicava as razões da filha: Ele fora nessa manhã para o Hospital de Santa Maria, ali perto, fazer uma cirurgia à vista. O internamento previsto era de 24 a 48 horas. Mas, assim que acordou da anestesia, raspou-se, a pé.
Não foi uma fuga heróica, como a do forte de Peniche em 1954, mas não deixou de ser algo temerária para quem já contava 70 e tal anos de idade... "Ó Ivone, estás farta de saber que não gosto de ficar preso!", foi a