A prisão de Sócrates é justiça ou vingança?

Prender e condenar em tribunal criminosos da política, da banca, das polícias, é bom para o país. Prender mas falhar depoisas condenações desses poderosospor incompetência ou má-fédas investigações é uma enorme tragédia para Portugal. A pergunta que não sai da minha cabeça é esta: a prisão de José Sócrates é um ato de justiça ou é uma vingança? 

O magistrado Rosário Teixeira, o homem que lidera a Operação Marquês, que deteve o antigo primeiro-ministro, é o mesmo que no dia 15 de fevereiro de 2006 dirigiu a equipa que invadiu a redação do jornal 24horas, então dirigido por mim, para fazer buscas a tentar descobrir a origem de notícias publicadas  que, comprovadamente  verdadeiras, desagradaram nessa  época à Procuradoria-Geral da República,  apesar de não violarem o  segredo de justiça. 

E se a justiça estiver a errar nos vistos gold?

Oiço à minha volta preocupação  generalizada  com a degradação da  imagem das instituições  do Estado por causa das  recentes detenções de funcionários  públicos de topo. Contraditoriamente,  a manifestar afinal grande  fé no mesmo edifício que sustenta  o Estado, leio generalizado  aplauso a esse movimento das autoridades  em combate à corrupção  nos vistos gold. Nesta minha cabeça  tortuosa, no entanto, a pergunta  assalta-me, angustiante: e se a  justiça, que tantas vezes nos enganou  ou desiludiu, está, mais uma  vez, a cometer um erro? Que imagem  do Estado resultará de uma  outra hecatombe dessas? 

Vejo no Diário de Notícias que o  diretor dos Serviços de Estrangeiros  e Fronteiras, Manuel Palos, cuja carreira  está liquidada, esperou vários  dias na cadeia para responder a perguntas  sobre a aceitação de duas  garrafas de vinho (repito, duas garrafas  de vinho) enviadas pelo seu  colega, também preso, diretor do  Instituto de Registos e Notariado,  António Figueiredo... Ai... 

A cooperação que passa a colonização

Se observarmos o movimento  dos astros tendo  como ponto de referência  o planeta que pisamos teremos  toda a legitimidade  para garantir, com certeza científica,  tragicamente errada, que o Sol  roda à volta da Terra. Diremos mesmo  mais: o nosso mundo é o centro  do universo. Se não mudarmos  esse referencial, nada há que possa  comprovar o contrário. Não é estupidez,  é erro de análise. 

Durante séculos, aos poucos  que se atreviam a dizer que a Terra  girava em torno do Sol o disparate  instituído como doutrina podia até  sentenciar penas de morte e excomunhões.  Durante séculos, o erro  de análise foi uma certeza sagrada,  um dogma. 

E eles já gritam: “Vêm aí os russos. Viva!”

Estranhei a diligência, a pressa e, palpita-me, a alegria com que as autoridades portuguesas divulgaram duas passagens, a 160 quilómetros da costa portuguesa, de bombardeiros russos e o envio, por ordem da NATO, de caças F-16 nacionais para os vigiarem.

Os testes que Putin mandou fazer à velocidade de resposta das forças ocidentais nada intencionam de bom, é claro, mas o espalhafato feito com este e outros incidentes recentes contrasta com o tradicional secretismo que a Aliança Atlântica impõe a estes assuntos.

Conta a história que o presidente norte-americano, Dwight Eisenhower, um republicano crítico dos défices do Estado, atrapalhado com uma economia anémica, gastou dinheiro dos contribuintes em obras públicas como nem o despesista Franklin Roosevelt, em tempo de paz, fez com o seu New Deal.

Comissão Europeia prevê défices de 4,9% e 3,3%

Para este ano, diz Bruxelas, o défice do Estado português será de 3,3% em 2015 (o governo prevê 2,7%, mesmo assim acima dos 2,3% prometidos à troika) enquanto este ano será de 4.9%, contra os 4% previstos pelo executivo português.

Antevejo a reação de Passos Coelho: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que gente que se diz independente tem de assumir que errou, que foi preguiçosa, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão, em dizer (Maria vai com as outras) o que toda a gente diz..."