Oiço à minha volta preocupação generalizada com a degradação da imagem das instituições do Estado por causa das recentes detenções de funcionários públicos de topo. Contraditoriamente, a manifestar afinal grande fé no mesmo edifício que sustenta o Estado, leio generalizado aplauso a esse movimento das autoridades em combate à corrupção nos vistos gold. Nesta minha cabeça tortuosa, no entanto, a pergunta assalta-me, angustiante: e se a justiça, que tantas vezes nos enganou ou desiludiu, está, mais uma vez, a cometer um erro? Que imagem do Estado resultará de uma outra hecatombe dessas?
Vejo no Diário de Notícias que o diretor dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Palos, cuja carreira está liquidada, esperou vários dias na cadeia para responder a perguntas sobre a aceitação de duas garrafas de vinho (repito, duas garrafas de vinho) enviadas pelo seu colega, também preso, diretor do Instituto de Registos e Notariado, António Figueiredo... Ai...