Mata-me este medo das doenças

Faço o possível por não ir ao médico. Quando era miúdo e ia lá para uma visita de rotina saía sempre doente, com uma receita de comprimidos passada e uma lista infindável de exames e análises a fazer, o que era muito inconveniente para as minhas saudáveis tardes a jogar futebol com os amigos.

Assim que tive autonomia para isso deixei de ir ao médico. Em vinte e tal anos fui lá uma primeira vez por ter apanhado uma pneumonia, uma segunda vez para fazer um seguro de vida e uma terceira para ouvir conselhos sobre a maneira de deixar de fumar.

Da primeira vez curaram-me a doença à força de antibióticos mas ameaçaram- -me com a morte para breve caso eu não fizesse uma vida decente. Prossegui a vida indecente do costume e ainda cá ando. Da segunda vez chegaram à conclusão que a companhia de seguros perdia dinheiro se eu não arranjasse maneira de me transformar num tipo saudável. Preferi pagar um prémio mais caro. Da terceira vez encorajaram-me a deixar de fumar mas acharam que eu tinha poucas hipóteses de êxito. À traição, aproveitaram-se da minha fraqueza e enfiaram-me a vacina contra o tétano, o que não tinha nada a ver com o assunto. (A propósito: senhora doutora, não fumo há cinco meses!).

No fundo, como toda a gente, eu tenho é um medo louco de morrer e, como toda a gente, sempre que sei mais coisas sobre a minha saúde ou leio artigos como o ranking desta semana nesta revista onde vejo sintomas de doenças fatais que imagino logo ter, esse receio cresce até ao nível do pânico.

A ignorância é perigosa mas o saber mata de medo. Pelo menos para um mariquinhas como eu.
in 24horas, 30 de Abril de 2005

Isto não é só uma questão de sorte

Tenho uma filha de 15 anos que é a melhor filha do mundo: é bonita, inteligente, divertida, não dá problemas. É verdade que namora um tipo com 1,90m, o que é um bocado acima do recomendável, mas como eu acho que não devo abusar da sorte, trato de não me queixar e até sou simpático para ele.
Quando eu e a minha mulher decidimos fazer esta menina, eu já tinha cá na cabeça a ideia de não fazer outros filhos. Porquê? Por achar que não tinha condições de vida para dar a dois ou a três o que achava essencial e podia, apenas, dar a um.

Sim, é verdade, sou um ignorante

Não me quero armar em carapau de corrida (há anos que me apetecia escrever esta expressão nos jornais), mas a peça nesta revista sobre hobbies dos ministros proporcionou-me uma curiosa reflexão (esta, então, queria mesmo escrevê-la há décadas...).

A extraordinária rapariga esotérica

Numa fase do liceu fiz parte de um grupo de 20 ou 30 adolescentes que saíam juntos para todo o lado. A maioria eram raparigas. Pertenciam a uma tribo que nós, os machões atrevidotes, designávamos por “freaks-betas”. O que eram as “freak-betas”? Poderei descrever desta forma: apesar de usarem saias indianas compridas a esconder o corpo, apesar de preferirem botas caneleiras a sapatos de cabedal, apesar de se matarem por um lenço palestiniano e ignorarem olimpicamente qualquer pedaço de seda Chanel... eram lindas de morrer!

Este texto é um bocado piegas

Sim, é verdade, eu tenho mesmo um feitio um bocado piegas e é com lágrima ao canto do olho que estou a escrever estas notas. O que se passa é que ao fim de dois anos de direcção do jornal 24horas conseguimos hoje dar um grande salto e apresentar ao leitor um novo e aliciante formato para levar até si a nossa maneira de ver o jornalismo.