A comunicação que li no 4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses
A mentira
O jornalismo tornou-se essencial nas nossas vidas porque conseguiu fazer com que os leitores acreditassem nele. Independentemente dos projetos editoriais, dos interesses económicos, políticos ou culturais que estivessem por detrás desses projetos editoriais, o jornalismo moderno prometeu sempre procurar a verdade, jurou tudo fazer para distinguir o boato da verdadeira notícia.
Publicar a verdade é, porém, cada vez mais difícil.
Todos os dias jornais, rádios e televisões mostram-se decididos em ganhar em velocidade a batalha nas redes sociais. A informação é cada vez menos procurada, avaliada, verificada ou explicada; é, cada vez mais, apenas replicada, disparada. Depois, apesar da fragilidade da sua sustentação, essas “notícias” são comentadas por um exército de opinadores (onde eu me tenho incluído), de escassa diversidade e muitas vezes ausente pluralidade ideológica e cultural, que acabam por caucionar e amplificar para a opinião pública uma provável falsa realidade.
Todos os dias os jornais, em todo o mundo, estão assim a violar o compromisso com a verdade, seja em notícias muito relevantes, seja em relatos pouco importantes, e estão a deixar de ser o local onde os leitores e telespectadores conseguem distinguir o boato, exponencialmente amplificado pelas redes sociais e muitas vezes reproduzido como verdade pela imprensa, daquilo que é a verdadeira e comprovada notícia.
Este caminho levará à vitória do facebook e à irrelevância da profissão do jornalista.