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Jornalistas chumbam proposta sobre declaração de interesses na profissão

Eis a proposta que entreguei no Congresso dos Jornalistas e que foi rejeitada merecendo, apenas, 21 votos favoráveis entre os presentes:

Recomendação à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista sobre uma declaração de interesses dos jornalistas 
O jornalismo em todo o mundo passa por uma crise de credibilidade que põe em causa o seu futuro. Independentemente de muitos factores externos aos próprios jornalistas estarem a criar essa situação, cabe individualmente a cada um dos jornalistas tudo fazer para tentar inverter, na sua limitada esfera de ação, a degradação da imagem pública da sua profissão e o consequente empobrecimento do seu estatuto. Uma das vias para o conseguir é adotar medidas de transparência profissional que levem os leitores, espectadores, ouvintes e interlocutores do jornalismo a acreditarem na independência e seriedade dos seus profissionais. 
O 4.º Congresso dos Jornalistas portugueses recomenda à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista que crie no seu sítio da internet um formulário adequado para que todos os jornalistas portugueses possam tornar pública uma declaração de interesses voluntária, não obrigatória, atualizável em qualquer altura, que abranja as influências ou ligações profissionais, contratuais, patronais, políticas, familiares, económicas, desportivas, culturais ou outras que possam, de alguma forma, direta ou indiretamente, influenciar o exercício da sua profissão e que o jornalista considere, livremente, seguindo apenas o seu próprio e exclusivo critério pessoal, ser seu dever, para assegurar a transparência da sua atividade profissional, revelar. 
Lisboa, 15 de janeiro de 2017 
Pedro Tadeu 

A defesa possível no debate sobre a declaração de interesses

Por falta de tempo, deram-me apenas dois minutos para tentar defender a proposta sobre a existência de uma forma de declaração de interesses para os jornalistas. Eis o que li ao congresso dos jornalistas:

Começo por dizer o que não é esta proposta de declaração de interesses: não é uma declaração de rendimentos, não é uma exposição da vida privada, não é uma ecografia pública das nossas consciências, não é sequer obrigatória. O que que proponho é um meio de defesa dos jornalistas e um instrumento de transparência na relação com os seus leitores que defenda a sua credibilidade, por um lado, e a sua liberdade, por outro lado.
Esta declaração de interesses não é a solução para os problemas da profissão mas é um pequeno passo – apenas um pequeno passo – que pode ser aplicado de forma imediata e sem dificuldade, no longo e penoso caminho que teremos de percorrer para reconquistar a credibilidade do jornalista junto do público.