Belmiro de Azevedo e os diretores cagarolas
Na primeira, o magnata da Sonae diz que "os diretores são uns cagarolas e cada vez que um quer mexer numa peça é automaticamente acusado de censura".
Na segunda, o capitalista marca Continente declara que "os custos do Público estão bem identificados: 50% são encargos com pessoal, 38% são custos de produção do jornal e 12% são custos de telecomunicações e outros. Os custos com pessoal devem descer substancialmente".
Comecei nos jornais em 1983. Passámos da máquina de escrever ao computador, do telex à Internet, do filme em negativo à fotografia digital, da fotocomposição ao computer to plate, do suporte em papel aos websites, telemóveis e tablets. Trabalhamos agora com texto, fotos, gráficos, som e vídeo.
Nestes 30 anos a medida mais popular de gestão nos jornais em crise foi sempre a mesma: cortar custos salariais, despedir. Quase sempre a empresa jornalística que a aplicou ficou, depois, em pior situação financeira. Como diria Cavaco Silva, é uma espiral recessiva.
O pior da manifestação é mesmo o dia seguinte
No dia seguinte, dizem os defensores do Governo, ninguém apresenta alternativas às políticas de Pedro Passos Coelho. Isso não é, simplesmente, verdade. PS, PCP e Bloco, inúmeros economistas (independentes, de esquerda, do "centrão", gente biograficamente ligada ao PSD e ao PP), jornalistas, vários académicos, todos os parceiros sociais e até intelectuais estrangeiros têm listado, com maior ou menor arrojo, com maior ou menor dissonância em relação ao programa vigente, inúmeras ideias diferentes, de pormenor ou de fundo, para tentar melhorar a situação. Só por desonestidade intelectual se pode dizer que todas elas são irrealismo radical impraticável, demagogia populista ou ilusão revolucionária anacrónica.
A morte não é igual para todos
Todos temos um destino igual, a morte, mas todos somos diferentes na forma como a encaramos. A morte é o desenlace perplexo de todas as marcas feitas pela vida na nossa personalidade, intelectual e física; é a paragem de uma contínua e complexa soma de acontecimentos criadores de uma unidade orgânica irrepetível, a que chamamos indivíduo. A morte, o fim de uma história pessoal numa dada geografia física e social, nunca pode ser igual para todos, mesmo dentro de um grupo humano que procure, no governo da vida, igualdade de oportunidades para cada um se construir como indivíduo. A morte é ingovernável.
Hitchens foi estoico, foi esperançoso e foi ao ponto. Ele analisa os lugares mais comuns das mortes por doença prolongada: a tentativa de estender no tempo, até ao insuportável, aquilo a que chamamos uma vida normal; a relação com a família, os amigos íntimos e as resultantes da sua atividade profissional; os rituais da medicina e o carácter do pessoal de saúde; a violência dos tratamentos e os seus vários passos; a degradação das capacidades físicas; a dor.
Brinca, várias vezes, à medida que se sente cada vez mais fraco, com a ironia de uma expressão geralmente atribuída a Friedrich Nietzsche(1): “O que não me mata torna-me mais forte.” Expõe cruamente as esperanças e as desilusões dadas pelos vários tratamentos e pelos avanços mais recentes da medicina. Ilustra o medo pelos efeitos entorpecedores nas funções neurológicas das drogas administradas para controlar a dor. Nega, talvez com enganador orgulho, a teoria das etapas de Elisabeth Kübler-Ross(2) segundo a qual os doentes deste tipo passariam – embora, como explica em Educar para a Morte, João Carlos Gama Martins Macedo, sem sequências ou ritmos iguais – da negação da doença à revolta, da negociação à depressão, até chegarem, por fim, à aceitação.
É detalhado na descrição do sofrimento físico, mas nunca dá um sinal de verdadeiro desespero. Também não mostra qualquer tipo de abalo na sua convicção ateia nem sobre a existência, ou não, de outra vida para além desta. Nunca coloca, apesar do frequente, longo e violento sofrimento físico, que detalha, a questão de antecipar o fim, de morrer por suicídio assistido ou por eutanásia. Da primeira à última página escreve, aparentemente, um homem feliz.
Passos Coelho respeita a sua geração rasca
No dia seguinte o jornal Público coloca a fotografia do momento na capa e titula: "Geração rasca". Um editorial do diretor acusa os estudantes de transformarem a manifestação "num desfile de palavrões, cartazes e gestos obscenos, piadas de caserna ou trocadilhos no mais decrépito estilo das velhas 'repúblicas' coimbrãs" .
O Diário de Notícias titula na capa "Protesto Global" e guarda a foto de um traseiro ao léu para as páginas interiores. O diretor adjunto defende a atuação da PSP e acusa os estudantes de "se atirarem aos agentes e se ferirem ao 'chocar' com os bastões policiais".
Porque estamos com esta crise?… Foram os economistas, estúpido!
A história do combate ideológico e académico entre os dois economistas mais influentes do século XX é também a demonstração de como os economistas não escapam às culpas pela crise que vivemos hoje
JOHN MAYNARD KEYNES influenciou inúmeros governos para que não deixassem as economias dos seus países entregues aos caprichos e desumanidades do mercado. Exortou-os a utilizarem, em alturas de crise, uma intensa política de investimentos públicos, sem dar importância aos aumentos dos défices dos Estados, para relançarem as economias através da criação maciça de empregos. Este pragmático, que retirou aos socialistas o monopólio da ideologia de intervenção estatal na economia, com o fito deliberado de vencer o comunismo e melhor desenvolver o capitalismo, foi um homem que fez fortuna com investimentos pessoais certeiros – que lhe exigiam estudo e esforço diário – e, apesar de ter sido contratado com frequência para funções em organismos governamentais britânicos, recusou várias vezes receber salário do Estado.
Friedrich Hayek defendeu toda a vida que a liberdade e a justiça social só se alcançam se o mercado se regular a si próprio através dos seus próprios equilíbrios e das suas contradições. Para ele as crises devem resolver-se naturalmente e isso acontecerá mais facilmente se o Estado for mínimo e se quase tudo puder ser gerido por companhias privadas – educação,saúde, transportes, comunicações e, até, a emissão de moeda. Admitiu algumas exceções a estas regras: em primeiro lugar a defesa, claro, e (coisa que os seus adeptos muitas vezes parecem esquecer) seguros de saúde e subsídios de desemprego universais proporcionados pelo Estado. Este arauto da economia capitalista livre do controlo estatal, que tornou a defesa do mercado desregulado uma ideologia e um modelo utópico de sociedade, nunca conseguiu ter outra fonte de rendimento relevante que não fosse a do seu salário de académico universitário, várias vezes, em certos períodos dasuavida, pago no todo ou em parte por fundos governamentais. Também recebeu metade de um Prémio Nobel.
Mais um a defender que o jornalismo está mesmo mesmo a morrer, coitadinho
O segredo e Duarte Lima
Uma personalidade pública portuguesa está envolvida num processo judicial onde não há segredo de justiça. O homicídio de Rosalina Ribeiro, cliente do advogado Duarte Lima, está a ser investigado no Brasil. Neste país o Código de Processo Penal só admite segredo de justiça se um juiz quiser preservar a imagem de um ofendido. Ao contrário de cá, o segredo de justiça brasileiro não pode ser utilizado para blindar a investigação, os arguidos ou os assistentes ou, indirectamente, a imagem da polícia e do Ministério Público.
No caso de Duarte Lima, os jornais portugueses têm citado regularmente o delegado Felipe Ettore, chefe da brigada de homicídios que desvenda o crime. Quando não é Ettore que fala, a comunicação social identifica, sem ambiguidade, a polícia brasileira e
Amamentar num corredor de tribunal
"Certo dia, uma senhora com o seu bebé de dois ou três meses esperava atendimento do Ministério Público, buscando auxílio para que o pai fosse compelido a pagar pensão de alimentos. Via-se que era extremamente
"Estou tramado!", pensa o procurador
É obviamente verdade que o caso Freeport foi instrumentalizado - quer para liquidar José Sócrates, por um lado, quer para liquidar a investigação a José Sócrates, por outro.
Existe um problema de pressão política às investigações em Portugal - há excesso abusivo (com sinais