A viola do dia

Paco Pena foi um ídolo nos anos 70 e 80, sobretudo depois de ir viver para Londres. A divulgação do flamenco deve-lhe muito.

 

A viola do dia

Abadi el-Johar Tqasim Oud, julgo que é este o nome deste grande artista do alaúde que prova como nós, da Península Ibérica, estamos mesmo muito próximos da sensibilidade árabe do norte de África.

 

A vIola do dia

Pedro Jóia, um amigo de Portugal, gravou esta versão “flamencada” do tema “Verdes Anos” do nosso Carlos Paredes. Isto gerou uma discussão entre os que acham estarmos perante um atentado a Paredes e à sua música e os que adoraram esta experiência pouco canónica.

 

O caixão de Gabriela Canavilhas

O Estado tem de subsidiar alguma actividade artística. Porquê? Para satisfazer os prazeres caros de meia dúzia de elitistas? Não. O motivo é muito mais pragmático e, talvez, igualmente um pouco cínico.
Um país perde competitividade se não tiver actores, músicos, cantores, escritores, encenadores, pintores, escultores, bailarinos e cineastas que trabalhem e produzam regularmente, de forma a que surjam de vez em quando alguns cidadãos que façam parte do topo mundial da criação artística.
Portugal seria materialmente mais pobre, menos interessante, menos apelativo se não tivesse para oferecer ao mundo o prestígio, a referência, os nomes, os trabalhos e as obras de José Saramago, Manoel de

A viola do dia

Andei triste e, por isso, deixei-me de músicas… Agora estou melhorzito e volto ao assunto.

Eis um belo momento da guitarra de Coimbra, através do professor Edgar Nogueira, classificado aqui como “o melhor músico de guitarra portuguesa no mundo”

 

Ricardo Rodrigues, o moralista

O deputado socialista Ricardo Rodrigues acusou ontem o deputado bloquista João Semedo de ter "imaginação fértil" quando acusa o primeiro-ministro, José Sócrates - num relatório de onde sairão as conclusões da Comissão de Inquérito ao negócio PT/TVI -, de ter omitido, errado, faltado à verdade, mentido ou cometido outro pecado equivalente na Assembleia da República ao jurar desconhecer a intenção da Portugal Telecom em comprar a empresa proprietária da estação televisiva.
Nada tem de surpreendente a alegação do deputado socialista como, aliás, nada têm de surpreendentes as conclusões do deputado bloquista: não se esperaria outra coisa de quem está no partido do Governo - apoio incondicional ao primeiro-ministro, mesmo se este não tiver razão - nem de quem está na oposição - prosseguir na estratégia de fragilização do líder do Executivo, mesmo se ele até tiver razão.
O que é surpreendente é ser este deputado socialista, este Ricardo Rodrigues, o homem que está a tentar dar lições de moral aos deputados da oposição. Para quem esteja distraído, recordo que este é o mesmo

Coisas sem preço, como a honra

A Telefónica, empresa espanhola que, até hoje, divide com a Portugal Telecom o governo da brasileira Vivo, quer ficar com tudo. Dado esse facto, embrenhei-me nos jornais e nas secções especializadas. Durante uns dias, poucos, o tom heróico e paramilitar de cada artigo, notícia ou comentário quase sugeria estar a tocar, em fundo, uma versão ultramarcial d' A Portuguesa, com a banda da GNR a proclamar: "Contra os espanhóis, marchar! Marchar!" Pelo meio, estes arautos da alta finança anunciaram um aliado, ao estilo dos antigos mercenários ingleses que nos ajudaram em Aljubarrota: tratava-se do homem mais rico do mundo, Carlos Slim, disposto a contribuir para impedir a "invasão"... Era mentira.
A dada altura, Ricardo Salgado, dirigente máximo do Banco Espírito Santo e crónico candidato a pessoa mais influente do País, declarou, lapidar: "Tudo tem um preço, menos a honra." Faria de Oliveira, líder da

Uma ironia do destino...

Quando me demiti da direcção do 24horas, há um ano, recebi elogios públicos de apenas três pessoas: Ruben de Carvalho (é suspeito pela amizade que temos), Luís Delgado e Clara Pinto Correia.
Agora, após o fecho do jornal, recebi um elogio, totalmente inesperado, de Óscar Mascarenhas, antigo presidente do Conselho Deontológico e o melhor especialista nesta matéria que temos em Portugal.
É uma ironia receber este elogio, de onde não esperava, após tantas omissões pelo silêncio, de onde também não esperava.
Reproduzo o artigo do Óscar, que muito me sensibilizou, publicado no Jornal de Notícias a 5 de Julho passado com o título "O nome do palácio":
"O 'Público' e o 'Diário de Notícias' titularam algo como: «Primeira visita oficial do Presidente Cavaco Silva é ao Hospital da Estefânia.» O '24Horas' fez diferente: «Cavaco visita Hospital da Estefânia para pagar

Será que vão prender Sócrates?

No metropolitano de Londres é célebre o aviso oral mind the gap para recomendar aos passageiros precaução com a separação que há entre a carruagem e o cais. Uma tradução possível para a frase é "cuidado com fosso". O mais burro dos cidadãos percebe a ideia num segundo.
Aqui há uns dias, na estação do Marquês de Pombal, ouvi pela primeira vez uma réplica portuguesa. Era tão comprida que nem consegui decorar. Pareceu-me isto: "Esteja atento, nas entradas e nas saídas, ao intervalo entre o comboio e o cais..." Bolas! À quarta palavra já me perdi, já não sei o que me querem dizer, já vou, aliás, na escada rolante. Este vício talvez seja indelével ao carácter português. Tem um nome: complicador.
O complicador mais relevante da última semana foi ligado quando José Sócrates utilizou, na Portugal Telecom, a golden share (vejam como esta expressão, simples, teria mesmo de ser inglesa...). O primeiro-

O lugar na História de Cavaco Silva

Cavaco Silva tem um lugar de destaque na História ou, apenas, merecerá no futuro uma referência secundária?
No PSD, apesar de ter sido o seu líder com mais êxito político, pois foi o que assegurou ao partido o maior período de acesso ao poder executivo, nunca conseguiu ocupar o lugar dado pelo carisma, visão política, coragem e coerência ideológica de Francisco Sá Carneiro. Basta ouvir qualquer militante social-democrata, mesmo muito jovem - e não só os Pedros Santanas Lopes desta vida -, para perceber como essa decisiva influência perdura ao longo do tempo.
Como primeiro-ministro não é a sua actuação como governante que explica, nesse tempo, o inegável desenvolvimento económico de Portugal. Pelo contrário, muitas das suas opções são hoje postas em causa, a começar pelo próprio Cavaco Silva quando, por exemplo, critica agora a aposta no betão, o excesso de