José Sócrates esteve com Chico Buarque... Ao ser desmentida a notícia, dada por fonte oficial, de que o músico pedira para conhecer o chefe do Governo português, foi a gargalhada. A credibilidade do primeiro-ministro sai outra vez chamuscada, a evidente falta de sentido de Estado da gente que o rodeia - para não dizer do próprio - fica comprovada. Mas não acho que esteja aí o busílis da questão...
Este Chico Buarque é o letrista que em 1975 saudou entusiasmado a nossa Revolução dos Cravos e, depois, lhe fez o funeral ao mudar o texto de "Tanto Mar" para proclamar, triste: "já murcharam tua festa pá" e "ainda guardo renitente um velho cravo para mim".
Este Chico Buarque é o músico que veio tocar a uma Festa do Avante!, do PCP. Este Chico Buarque é o escritor que visita com frequência Fidel Castro em Cuba. Este Chico Buarque é o cantor que, sobre uma "Morena de Angola" a declara "bichinha danada, minha camarada do MPLA". Este Chico Buarque é o
'Afinal' é uma palavra revolucionária?
Quando Portugal entrou para o euro, estava avisado: tinha uns anitos para colocar o défice anual das suas contas públicas abaixo dos três por cento. Se não cumprisse, tal como outros países "menos importantes", era expulso. No ano em que, no entanto, a Alemanha não cumpriu esse objectivo, os donos do euro bateram os recordes de utilização da palavra "afinal". "Afinal" um valor tão baixo para um défice público era um exagero. "Afinal", citando uma célebre frase de outro contexto, "há mais vida para além do défice". "Afinal", era melhor rever esses valores que tanto limitavam o papel dos Estados membros na economia, pois, "afinal", era bom dar-lhes a possibilidade de se endividarem mais... Assim foi.
Veio entretanto a crise. Uma crise provocada por os grandes banqueiros e os seus amigos negociarem dinheiro de poupanças e investimentos como se fossem a versão premium da dona Branca. Financiavam-se uns aos outros e pagavam juros e lucros dessas operações uns aos outros, arrecadando uma riqueza que
Veio entretanto a crise. Uma crise provocada por os grandes banqueiros e os seus amigos negociarem dinheiro de poupanças e investimentos como se fossem a versão premium da dona Branca. Financiavam-se uns aos outros e pagavam juros e lucros dessas operações uns aos outros, arrecadando uma riqueza que
E o que faz Durão Barroso?
Um dos mitos que os portugueses gostam de alimentar é o de estarem naturalmente destinados a participar nas grandes decisões do mundo. Já não nos atrevemos a pretender liderar o planeta, como a História contada em versão patriótica garante ter acontecido nos séculos XV e XVI, mas no nosso íntimo permanecemos convictos da suposta influência de Portugal. Até temos Fátima e intervenção divina.
Outro facto da nossa personalidade é a de olharmos para o povo que aqui vive apontando-o, sem injustiça, como uma verdadeira desgraça da espécie humana. Contraditoriamente à nossa ânsia de estar no topo do mundo, autoclassificamo-nos como a fossa da Terra.
Um exemplo prático desta mansa esquizofrenia é a forma como falamos dos políticos. Enquanto andam por cá não passam, na opinião popular, de uns "trafulhas" que "querem é viver sem trabalhar" e "encher-se à conta do povo". E, no entanto, essas mesmas pessoas passam a ser respeitadas e admiradas logo que
Outro facto da nossa personalidade é a de olharmos para o povo que aqui vive apontando-o, sem injustiça, como uma verdadeira desgraça da espécie humana. Contraditoriamente à nossa ânsia de estar no topo do mundo, autoclassificamo-nos como a fossa da Terra.
Um exemplo prático desta mansa esquizofrenia é a forma como falamos dos políticos. Enquanto andam por cá não passam, na opinião popular, de uns "trafulhas" que "querem é viver sem trabalhar" e "encher-se à conta do povo". E, no entanto, essas mesmas pessoas passam a ser respeitadas e admiradas logo que
A tolerância para Bento XVI
Tenho o azar na vida de ser ateu, de não conseguir encontrar motivo para adorar um qualquer criador do universo. Esta é uma declaração prévia de interesses - que neste tipo de situações me parece ser acto de lealdade imperativa perante o leitor - por ir abordar um assunto inevitável: a chegada a Portugal, hoje, do Papa Bento XVI.
Vejo, perplexo, escrito pelos jornais - incluindo aqui no Diário de Notícias - vários artigos de opinião a criticar as autoridades. A crítica mais recorrente tem a ver com a tolerância de ponto...
A estrada mais próxima da minha casa é caminho de peregrinos a Fátima. É impressionante o desfile de milhares, mesmo muitos milhares de pessoas, a pé, a cumprir o para mim incompreensível sacrifício de não sei que promessa. Serão todas estúpidas? Serão todas ignorantes? Serão gente que o Estado deve desprezar?
No fim-de-semana assisti a um casamento. Provavelmente os noivos e a maioria das 250 pessoas que ali estavam só entram numa igreja em momentos deste tipo. Ir aos domingos à missa não faz parte da vida
Vejo, perplexo, escrito pelos jornais - incluindo aqui no Diário de Notícias - vários artigos de opinião a criticar as autoridades. A crítica mais recorrente tem a ver com a tolerância de ponto...
A estrada mais próxima da minha casa é caminho de peregrinos a Fátima. É impressionante o desfile de milhares, mesmo muitos milhares de pessoas, a pé, a cumprir o para mim incompreensível sacrifício de não sei que promessa. Serão todas estúpidas? Serão todas ignorantes? Serão gente que o Estado deve desprezar?
No fim-de-semana assisti a um casamento. Provavelmente os noivos e a maioria das 250 pessoas que ali estavam só entram numa igreja em momentos deste tipo. Ir aos domingos à missa não faz parte da vida
Os desempregados que paguem a crise
Pedro Passos Coelho decretou a si próprio a inevitabilidade de vir a ser primeiro-ministro no dia em que foi ter com José Sócrates para tomarem uma posição comum de "salvação do País
José Sócrates, por seu lado, confirmou-se a si próprio como mero poder transitório ao, no final dessa encenação política, anunciar aos portugueses que a resposta que tinha, a resposta do seu Partido Socialista para a "ofensiva" dos mercados financeiros, era um corte nos subsídios sociais. Traduzido por miúdos, foi o mesmo que ouvi-lo dizer, em horário nobre: "Os desempregados que paguem a crise!" Como suicídio político, foi do mais confrangedor que já se viu...
Mas o essencial da questão não é isso. O elemento mais relevante desse momento de suposta união nacional
José Sócrates, por seu lado, confirmou-se a si próprio como mero poder transitório ao, no final dessa encenação política, anunciar aos portugueses que a resposta que tinha, a resposta do seu Partido Socialista para a "ofensiva" dos mercados financeiros, era um corte nos subsídios sociais. Traduzido por miúdos, foi o mesmo que ouvi-lo dizer, em horário nobre: "Os desempregados que paguem a crise!" Como suicídio político, foi do mais confrangedor que já se viu...
Mas o essencial da questão não é isso. O elemento mais relevante desse momento de suposta união nacional
Marinho e Pinto não está sozinho
Marinho e Pinto envolveu-se numa polémica com António Martins, o juiz que lidera a associação sindical da classe, espantoso defensor da extinção da Ordem dos Advogados e que justifica medida tão drástica por a instituição não ter procedido disciplinarmente contra o advogado Ricardo Sá Fernandes.
Este, por sua vez, criticara o Tribunal da Relação de Lisboa por ilibar o empresário Domingos Névoa. Fê-lo dizendo a seguinte frase: "Sendo a maioria da população portuguesa complacente com a corrupção, não estranho que haja sectores da magistratura complacentes com a corrupção."
O bastonário dos advogados, por seu lado, acusa neste tom: os juízes desautorizam as leis que deviam aplicar, protegem-se uns aos outros, não são zelosos, faltam ao respeito a advogados, testemunhas e
Este, por sua vez, criticara o Tribunal da Relação de Lisboa por ilibar o empresário Domingos Névoa. Fê-lo dizendo a seguinte frase: "Sendo a maioria da população portuguesa complacente com a corrupção, não estranho que haja sectores da magistratura complacentes com a corrupção."
O bastonário dos advogados, por seu lado, acusa neste tom: os juízes desautorizam as leis que deviam aplicar, protegem-se uns aos outros, não são zelosos, faltam ao respeito a advogados, testemunhas e
O processo Casa Pia valeu a pena?
O processo Casa Pia mostrou quanto é permeável a justiça à pressão política, à pressão dos jornais e à pressão das televisões. O processo Casa Pia revelou toda a debilidade crónica do Ministério Público. O processo Casa Pia demonstrou que políticos, advogados, juízes, procuradores, polícias e jornalistas dormem na mesma cama da traficância informativa. O processo Casa Pia provou a inutilidade do segredo de justiça. O processo Casa Pia entregou-se ao destino de quadrilheiros.
O processo Casa Pia disse-nos que os "interesses" ultrapassam em muito as clássicas alianças políticas ou de negócios. O processo Casa Pia, em contrapartida, historia também que a política e os negócios se metem em tudo, até na procura de violadores de menores. O processo Casa Pia ilustrou como Portugal nunca quis
O processo Casa Pia disse-nos que os "interesses" ultrapassam em muito as clássicas alianças políticas ou de negócios. O processo Casa Pia, em contrapartida, historia também que a política e os negócios se metem em tudo, até na procura de violadores de menores. O processo Casa Pia ilustrou como Portugal nunca quis
Direito de Resposta:
Pedro Tadeu responde a Sousa Tavares
Miguel Sousa Tavares fez publicar ontem no Diário de Notícias um direito de resposta a um artigo meu, publicado neste jornal na passada terça-feira, sob o título "A má consciência de Sousa Tavares". Sobre esse direito de resposta, gostaria de prestar os seguintes esclarecimentos:
1 - A origem desta polémica está numa outra crónica publicada por mim em 2 de Março de 2010, intitulada "A vida privada segundo Francisco Assis" e que pode ser lida no site do DN (LINK). Aos leitores que tiverem paciência para isso, desafio-os a encontrarem nesse texto aquilo de que Sousa Tavares me acusa: que eu gostaria "de confirmar" (sic) salários de outros jornalistas através da divulgação pública das suas declarações de rendimentos. Sousa Tavares manipula e descontextualiza propositadamente essa crónica,
1 - A origem desta polémica está numa outra crónica publicada por mim em 2 de Março de 2010, intitulada "A vida privada segundo Francisco Assis" e que pode ser lida no site do DN (LINK). Aos leitores que tiverem paciência para isso, desafio-os a encontrarem nesse texto aquilo de que Sousa Tavares me acusa: que eu gostaria "de confirmar" (sic) salários de outros jornalistas através da divulgação pública das suas declarações de rendimentos. Sousa Tavares manipula e descontextualiza propositadamente essa crónica,
Direito de Resposta:
Sousa Tavares responde a Pedro Tadeu
"Na edição desse jornal de 13.04.10, o jornalista Pedro Tadeu publicou um texto intitulado "A má consciência de Sousa Tavares", em relação ao qual venho exercer o meu direito de resposta, nos termos legais e por o mesmo conter matéria falsa e injuriosa. Assim:
1 - Pedro Tadeu, na sua injustificável coluna no DN, publicou há tempos um texto defendendo a divulgação pública das declarações fiscais de todos os cidadãos, indiscriminadamente - argumentando, entre outras coisas, que assim poderia confirmar os casos de "directores de jornais com salários de dez ou quinze mil euros e cronistas ou comentadores de TV a receber neste universo de remunerações".
2 - Comentando esta posição, eu escrevi na revista GQ que ele era, obviamente, movido pela mais antiga doença portuguesa, que é a inveja. E, recordando a sua passagem como director pelo jornal 24 Horas, por ele transformado num pasquim especializado na devassa da vida alheia (sufocando qualquer resistência deontológica de alguns bons profissionais que lá trabalham), referi que este era o mesmo Tadeu que fizera
1 - Pedro Tadeu, na sua injustificável coluna no DN, publicou há tempos um texto defendendo a divulgação pública das declarações fiscais de todos os cidadãos, indiscriminadamente - argumentando, entre outras coisas, que assim poderia confirmar os casos de "directores de jornais com salários de dez ou quinze mil euros e cronistas ou comentadores de TV a receber neste universo de remunerações".
2 - Comentando esta posição, eu escrevi na revista GQ que ele era, obviamente, movido pela mais antiga doença portuguesa, que é a inveja. E, recordando a sua passagem como director pelo jornal 24 Horas, por ele transformado num pasquim especializado na devassa da vida alheia (sufocando qualquer resistência deontológica de alguns bons profissionais que lá trabalham), referi que este era o mesmo Tadeu que fizera
Subscrever:
Mensagens (Atom)