Uma animação assinada por "Mamshmam", cujo site pode ser visto aqui
Rapazes e mulheres do futebol
Posso garantir, pela experiência profissional e pela vida pessoal que já levo, que por detrás de um grande engenheiro, de um grande médico, de um grande empresário, de um grande jornalista, de um grande advogado estarão quase sempre mulheres extraordinárias, mas não é regra que sejam especialmente bonitas: pode ser que sim, mas também pode ser que sejam feias como a noite de trovões.
Mas esta observação nada tem de especial, é mesmo óbvia. A pergunta a que teremos de responder, o mistério que há para resolver é outro: porque terão os grande jogadores de futebol, invariavelmente, mulheres muito belas? O que os leva, sempre, a procurar raparigasmodelo, de corpo escultural e dentição perfeita? É verdade que os grandes ídolos têm milhares de fãs a rojarem-se aos seus pés, o que diversifica a oferta delas. Mas isto não explica o tipo de procura deles.
Eu não tenho a resposta, mas sei uma coisa: todos os miúdos sonham ser jogadores de futebol e cobrir- -se assim de glória, serem heróis modernos, talvez como o Figo. Na Grécia Antiga todos os miúdos sonhavam ser príncipes gloriosos, causadores de grandes guerras, talvez como Páris. Este tinha Helena de Tróia, aquele tem Helen Swedin.
A carne sabe sempre melhor
A viola do dia
Julian Lennon (filho de John Lennon, dos The Beatles) e o seu amigo James Scott Cook promovem uma campanha para uma fundação de combate ao lúpus. Fizeram uma canção para o efeito, chamada Lucy. Julian esteve na origem da criação de um tema famosos dos The Beatles - "Lucy In The Sky With Diamonds" - quando, aos quatro anos, fez um desenho sobre a sua amiga Lucy. Essa amiga de infância de Julian morreu há pouco tempo, aos 46 anos, por causa da doença. Cook teve uma avó, também chamada Lucy, também doente de lúpus, que morreu aos 96 anos. Essa é a história que aqui se conta, seguida da canção.
A queda na valeta da fama
A indústria da televisão, ou melhor, a indústria das novelas e séries que a TVI e a NBP construíram em Portugal, mais os “Ídolos” e quejandos, vieram abrir uma variante a este panorama. É a geração de jovens – por ano são muitos milhares – que se atira à sorte de um casting. Os que acabam por entrar – às dezenas por ano – chegam verdinhos a um demolidor mundo profissional para o qual nada os preparou. E, ao contrário da fantasia das meninas e meninos das escolas de dança e música, aqui não há recuo, ninguém – pais, produtores, managers, agências – aceitará que eles desistam, a não ser quando a pórpria indústria decide desistir deles, mandando-os para uma espécie de valeta da fama. O problema está em que, depois, ninguém vai lá tirá-los da fossa.
Os tempos antes do CD
Entre as 20 ou 30 gravações de discos compactos disponíveis no mercado nada havia, nessa altura, de Xutos & Pontapés, mas tínhamos, de facto, qualquer coisa a soar a “música laser”: Vangelis. Era música terrível, ainda por cima impossível de dançar, mas... era o que havia. Uns 15 anos depois desconfiei que António Guterres passou por esse “evento”, quando o vi na TV a subir a um palanque, aplaudido pela multidão, ao som dessa “música laser”.
Os Xutos & Pontapés nasceram, portanto, antes da época da “música laser”, venceram nela e vencem na época do mp3. O Vangelis, não. Qual é o segredo dos Xutos? Fácil, leiam por exemplo esta letra: “Se isto não te diz nada/Olha para a rapaziada/Vê a vida que o povo tem/Vê a vida que o povo tem/Vê a vida que o povo tem”. Pronto, é só ver a vida que o povo tem e, depois, escrever uma canção.
A viola do dia
Hoje são seis violas. Trata-se do duo Siqueira/Lima (que já mostrei aqui) a acompanhar outros músicos participantes no último Brazilian Music Institute, que anualmente é organizado por Welson Tremura em Gainesville, Florida, nos Estados Unidos da América. Para além de Cecília Siqueira, Fernando Lima e Welson Tremura, tocam ainda Juan Cendan, Sílvio dos Santos e Dan McCoy. Larry Crook bate o pandeiro. A composição é de Dilermando Reis.
Como deixei de ser incomodado
Mas foi muito fácil resolver o problema. Não mudei de número nem dei o aparelho à minha secretária para ela passar a atender as chamadas: simplesmente desliguei-o. Ao fim de uns dias desistiram. Agora só o ligo quando preciso de fazer chamadas ou em alturas, raras, onde quem me interessa não me pode contactar de outra maneira.
Devo dizer que sou obrigado a agradecer aos senhores que tanto me insultaram, pois assim proporcionaram-me uma alteração de hábitos que melhorou substancialmente a qualidade da minha vida: todos os que me rodeiam já sabem que, no telemóvel, raramente me apanham e, por isso, a quantidade de vezes que me chateiam por razões tolas é mínima. Foi uma espécie de libertação de um escravo: agora quase só tenho conversas realmente úteis. Adeus stresse de jornalista, adeus boatos e tricas, adeus “não publique essa notícia!”, adeus choque tecnológico. Conclusão? O problema nestas sociedades da comunicação é mesmo o “blá blá” a mais.
O jogo que eu já não quero jogar
Há 18 anos jurei fidelidade à minha mulher e o problema que se coloca é este: estando fora de causa um envolvimento sexual com alguém – por favor, não vamos por aí! –, será motivo para alegar infidelidade uma paixoneta platónica, um simples encantamento até legitimado pelo facto de à minha volta trabalharem várias mulheres inteligentes, bonitas e excelentes pessoas? Não poderia, no recato da minha consciência, no segredo dos meus pensamentos secretos, reservar algum tipo de sentimento romântico que, mesmo sem se manifestar exteriormente, me alimentasse os sonhos, o ego, a autoestima?
A coisa está moralmente resolvida por uma regra simples que tento seguir: “não faças aos outros o que não queres que façam a ti”. A minha opção, portanto, é nunca me apaixonar. Portanto, meninas, têm razão, para mim a excitação do jogo da conquista terminou, essa competição já não me serve, estou fora. Podem ver-me como um eunuco, que as alegrias do matrimónio são mais que muitas.
Então qual é o meu problema? É que aquela frase daquela jornalista, naquela reunião, no fundo, no fundo, lembrou-me que tenho saudades de jogar uma, só uma partidinha mais...
Os pivôs de telejornal são deuses?
O jornalista de imprensa, como eu, está muito mais protegido. No secretismo da minha redacção, eu posso, se me apetecer, soltar um palavrão indignado perante uma medida errada do Governo, rir a rolar no chão com um “número” do José Castelo Branco ou chorar comovido ao saber de um assassinato de uma criança pela própria mãe. Depois, mais calmo, com as emoções já controladas, lá penso como vou transmitir a notícia aos leitores do 24horas...
Eu gosto dos principais e mais solicitados pivôs portugueses. Mas atenção: conheço meia dúzia deles pessoalmente e, para dizer a verdade, já apanhei tremendas desilusões. Porquê? Ao desempenharem tão bem a sua profissão, ao conseguirem de forma tão natural aquela irrealizável mistura de frieza distante e cumplicidade cativante, atingem, mesmo aos meus olhos cínicos, o estatuto de verdadeiros deuses. O problema é quando lhes apertamos a mão e falamos com eles de futebol, política, cinema, livros, qualquer coisa terrena: descobrimos que, afinal, eles são mesmo humanos e, caramba, o trambolhão do céu à terra é mesmo muito grande.