A guerra suja da Apple

Os adeptos dos MAC adoram estes anuncios - e alinham, com apaixonada militância, na mentira mitológica de que os seus aparelhos não têm problemas!


Controlo de Natalidade



A Newsweek pôs em linha um diaporama que explica a evolução do controlo de natalidade através dos tempos. A história vai desde os primórdios dos preservativos, no Antigo Egipto, até à pílula abortiva. Parece que as primeiras tentativas de ter sexo sem fazer meninos passaram por Aristóteles, que recomendava o azeite como espermicida. A Newsweek não esclarece se Nicómano, o filho do grande filósofo grego, é resultado do falhanço desta receita...  Veja aqui.

Azar para o Windows 7

Na televisão japonesa foi uma barraca...


O que é a liberdade de expressão?

Este é um anúncio feito a propósito da reforma do sistema de Saúde que Obama tenta concretizar nos Estados Unidos da América. Dizem os seus defensores que ele está a ser atacado pelos lobbys das companhias de seguros e da indústria farmacêutica, o que distorce o sentido da vontade do cidadão comum... Não sei se estes defensores de Obama  validariam a tese deste video caso os tais lobbys apoiassem o presidente norte-americano (ah!, é verdade, e o também Prémio Nobel da Paz)...


A vingança de Maitê Proença

Parece de propósito: Depois do escândalo ridículo com o video da actriz brasileira, Maitê Proença,a gozar com Portugal, aparece na TV brasileira um aliado dos portugueses... mas com aliados destes ninguém precisa de inimigos!



O video posterior a que este senhor se refere é o de uma notícia da TVI sobre a Gripe A onde especialistas defendem que ela matará menos que a gripe sazonal. Pode ser visto aqui.

Doses extra de riqueza

A todos nós alguém deve ter dito um dia que “o dinheiro não traz felicidade”. É verdade. Mas o irritante da frase está no facto de, ao longo do tempo, nos apercebermos de que mesmo para ultrapassar na vida momentos de sofrimento é óbvio que o dinheiro ajuda.


moral associada à frase “o dinheiro não traz felicidade” acaba, portanto, por nos causar repulsa e a tendência é azedarmos o espírito ao ponto de olharmos para eles, os ricos, como os privilegiados de todas as sortes – as materiais e as outras que nos são tão difíceis de conquistar e manter: por exemplo, saúde, amor e um pouco de prazer.


Ouvimos e lemos que “o dinheiro não traz felicidade”: e o que tiramos daí? Que eles, os ricos, não merecem um olhar de compaixão ou de piedade. Que eles, os ricos, são o alvo merecido de toda a nossa inveja. Que eles, os ricos, não deviam ser aquilo que são: ricos. Sim, confessemos lá, cada um de nós pensa assim: “quem merecia ser rico era eu!”.


Eu acho que há ricos a mais no mundo. Mas também acho que há poucas pessoas grandiosas. Depois de investigarmos algumas histórias de tragédias pessoais que envolveram alguns ricos conhecidos, garanto o seguinte: essas pessoas, mesmo se não fossem ricas, seriam na mesma grandes pessoas.


riqueza no mundo deveria ser melhor repartida. Eu e você, caro leitor, merecíamos certamente ter mais e alguém devia tratar disso. Mas também deveria haver um distribuidor universal e justo de carácter, coragem e criatividade. Eu e você, caro leitor, se calhar acabaríamos também por levar umas doses.
in 24horas, 28 de Junho de 2005

Family Guy promove Windows 7

Eis a série Family Guy a promover o Windows 7... É assim que se fazem fortunas hoje em dia - a irreverência passou a ser uma conformista e eficaz arma comercial.


Os irónicos benefícios do stresse

As pessoas stressadas são as mais felizes. Atenção, que me estou a referir ao significado que normalmente damos à palavra e não ao seu estrito sentido médico-científico. Quando dizemos que “aquele tipo é um stressado” não estamos a pensar em alguém que, sujeito a condições extremas e antagónicas, entra num processo de exaustão que o pode levar à morte.

Aliás, creio que ninguém admite mortes por stresse. Preferimos culpar o coração, o tabaco, a vida sedentária, a má alimentação ou outra coisa qualquer. Morrer por stresse é algo que nos parece antinatural, é uma morte só admissível para os fracos de espírito. Morrer por stresse culpa o morto, é uma espécie de suicídio...

E por que é que temos tantas reservas em admitir mortes por stresse? Por que pensamos, no nosso íntimo, que as pessoas stressadas são, de facto, mais felizes.

Esses queridos tontos apoplécticos, que se enervam, que estão num permanente estado de exaltação, que se excitam com o trabalho, que parecem permanentemente apaixonados pela vida, que lutam por objectivos como se a vida do planeta dependesse deles, esses queridos tontos, repito, que estão numa correria incessante, são mais felizes que os outros, não tenham dúvidas.

Eles não param para perguntar se alguma coisa à sua volta não faz sentido. Eles não param para ver se alguém ao seu lado precisa de uma mãozinha. Eles não param para se verem ao espelho, à procura de rugas. Eles não param, logo existem. E quando param, desligam, totalmente, e pronto, continuam felizes. O stresse é uma bênção de ignorância.
in 24horas, 14 de Maio de 2005

Quarantino ao barulho

Apanhei este "mix" com base em cenas e sons do filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino. Está óptimo. Não sei quem é o autor...


O enorme problema de ser gigante

O Jorge, aos 16 anos, media 1 metro e 96 e era um óptimo desportista. Jogava basquete e, por influência do pai que foi um campeão no Sporting, ténis de mesa. Ninguém gozava muito com a altura do Jorge, porque se lhe passava pela cabeça aviar duas bolachas na cara de alguém, com as suas enormes mas ligeiras manápulas, o caso dava direito a ida ao hospital. Mas o Jorge era uma jóia de tipo e nunca me lembro de o ver usar o corpo para ameaçar alguém. Ficámos tão amigos que um dia, apesar da minha notória falta de aptidão, ele convenceu-me a ir com ele para o basquete, no Clube Nacional de Natação, onde fiz uma carreira vergonhosa e anedótica.


Certa noite, após um treino que correra mal e nos valera um valente puxão de orelhas do treinador, íamos os dois irritadíssimos por um estreito passeio de uma viela do bairro da Ajuda. Vagarosamente, entre insultos ao homem que nos humilhara frente ao resto da equipa e a admissão das azelhices que tínhamos feito, discutíamos algo grave e sério: valia ou não valia a pena continuarmos no basquete?


Uma velhota vestida de negro, cabelo branco, carrapito, um respeitável bigode e metro e meio de altura seguia atrás de nós e tentava, de vez em quando, ultrapassar-nos: “Com licença! Com licença!”, apelava, repetidamente. O Jorge, distraído lá nas alturas, vira-se, de repente, para trás e atira: “Ó minha senhora, passe por cima!”. Ela, frágil e com o olhar ao nível do joelho dele, levanta o narizito, devagar, até encostar completamente a nuca às costas. Fixa-o e pergunta: “Como!?”. O Jorge cora, pára de caminhar, afasta-se e deixa-a passar. “Sabes”, disse, pouco depois, para mim, “o melhor é continuar no basquete, que lá ao menos não tenho vertigens a falar com pessoas”.
in 24horas, 7 de Maio de 2005

O barbeiro e as orelhas a arder


Como se pode ver na fotografia ao lado, cortar o cabelo não é um dos meus passatempos favoritos. Mas como ele não pára mesmo de crescer, lá acabo por ir ao barbeiro, não vá um polícia suspeitar do meu ar indigente e levar-me preso por vadiagem.

Certamente o caro leitor já reparou que eu sou dos antigos e escrevo “barbeiro”. Sim, acho essa moda dos “cabeleireiros de homens” uma tendência efeminada. E os “unissexo” apavoram-me. Para mim cortar o cabelo significa entrar num salão verde com cadeiras rijas, tesouras cantantes, navalhas assassinas, pincéis grossos amarelados, caras cheias de espuma, after shave Pitralon, fumo de tabaco, ventoinhas no tecto, cabelos mortos no chão, esquentadores que não funcionam, lavatórios rachados, uma dezena de homens a conversar sobre bola e uma falsa loura de meia idade a limar as unhas dos vaidosos endinheirados.

Tudo isto já não há, mas é assim que na minha cabeça tudo continua a ser: não consigo ultrapassar o imaginário que me ficou, de miúdo, quando o meu pai me levava a cortar o cabelo “à Nova Iorque”, fosse lá o que ele queria dizer com isso. Sei que me sentavam, atavam-me com força uma toalha enorme em volta do pescoço e proibiam-me de mexer a cabeça ou, então, estraçalhavam-me as orelhas.

Portanto, hoje, apesar de os estofos serem de cabedal, de o ambiente estar climatizado, de o champô chamar-se Pantene e de as louras terem 20 anos, continuo a ir ao barbeiro “cortar o cabelo à Nova Iorque”, cheio de medo que me firam as orelhas. Lá fico, quietito durante meia hora, à espera que o suplício acabe. Pago e durante todo o dia passo a mão pela cabeça a tentar encobrir o crime cometido pelas tesouras e navalhas endiabradas do carrasco do coiffeur. Conclusão: é para mim totalmente irrealizável fazer do meu barbeiro um confidente ou veículo da minha coscuvilhice – como seria isso possível quando são as minhas orelhas que correm o risco de ficar a arder?
in 24horas, 7 de Janeiro de 2006