Quarantino ao barulho

Apanhei este "mix" com base em cenas e sons do filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino. Está óptimo. Não sei quem é o autor...


O enorme problema de ser gigante

O Jorge, aos 16 anos, media 1 metro e 96 e era um óptimo desportista. Jogava basquete e, por influência do pai que foi um campeão no Sporting, ténis de mesa. Ninguém gozava muito com a altura do Jorge, porque se lhe passava pela cabeça aviar duas bolachas na cara de alguém, com as suas enormes mas ligeiras manápulas, o caso dava direito a ida ao hospital. Mas o Jorge era uma jóia de tipo e nunca me lembro de o ver usar o corpo para ameaçar alguém. Ficámos tão amigos que um dia, apesar da minha notória falta de aptidão, ele convenceu-me a ir com ele para o basquete, no Clube Nacional de Natação, onde fiz uma carreira vergonhosa e anedótica.


Certa noite, após um treino que correra mal e nos valera um valente puxão de orelhas do treinador, íamos os dois irritadíssimos por um estreito passeio de uma viela do bairro da Ajuda. Vagarosamente, entre insultos ao homem que nos humilhara frente ao resto da equipa e a admissão das azelhices que tínhamos feito, discutíamos algo grave e sério: valia ou não valia a pena continuarmos no basquete?


Uma velhota vestida de negro, cabelo branco, carrapito, um respeitável bigode e metro e meio de altura seguia atrás de nós e tentava, de vez em quando, ultrapassar-nos: “Com licença! Com licença!”, apelava, repetidamente. O Jorge, distraído lá nas alturas, vira-se, de repente, para trás e atira: “Ó minha senhora, passe por cima!”. Ela, frágil e com o olhar ao nível do joelho dele, levanta o narizito, devagar, até encostar completamente a nuca às costas. Fixa-o e pergunta: “Como!?”. O Jorge cora, pára de caminhar, afasta-se e deixa-a passar. “Sabes”, disse, pouco depois, para mim, “o melhor é continuar no basquete, que lá ao menos não tenho vertigens a falar com pessoas”.
in 24horas, 7 de Maio de 2005

O barbeiro e as orelhas a arder


Como se pode ver na fotografia ao lado, cortar o cabelo não é um dos meus passatempos favoritos. Mas como ele não pára mesmo de crescer, lá acabo por ir ao barbeiro, não vá um polícia suspeitar do meu ar indigente e levar-me preso por vadiagem.

Certamente o caro leitor já reparou que eu sou dos antigos e escrevo “barbeiro”. Sim, acho essa moda dos “cabeleireiros de homens” uma tendência efeminada. E os “unissexo” apavoram-me. Para mim cortar o cabelo significa entrar num salão verde com cadeiras rijas, tesouras cantantes, navalhas assassinas, pincéis grossos amarelados, caras cheias de espuma, after shave Pitralon, fumo de tabaco, ventoinhas no tecto, cabelos mortos no chão, esquentadores que não funcionam, lavatórios rachados, uma dezena de homens a conversar sobre bola e uma falsa loura de meia idade a limar as unhas dos vaidosos endinheirados.

Tudo isto já não há, mas é assim que na minha cabeça tudo continua a ser: não consigo ultrapassar o imaginário que me ficou, de miúdo, quando o meu pai me levava a cortar o cabelo “à Nova Iorque”, fosse lá o que ele queria dizer com isso. Sei que me sentavam, atavam-me com força uma toalha enorme em volta do pescoço e proibiam-me de mexer a cabeça ou, então, estraçalhavam-me as orelhas.

Portanto, hoje, apesar de os estofos serem de cabedal, de o ambiente estar climatizado, de o champô chamar-se Pantene e de as louras terem 20 anos, continuo a ir ao barbeiro “cortar o cabelo à Nova Iorque”, cheio de medo que me firam as orelhas. Lá fico, quietito durante meia hora, à espera que o suplício acabe. Pago e durante todo o dia passo a mão pela cabeça a tentar encobrir o crime cometido pelas tesouras e navalhas endiabradas do carrasco do coiffeur. Conclusão: é para mim totalmente irrealizável fazer do meu barbeiro um confidente ou veículo da minha coscuvilhice – como seria isso possível quando são as minhas orelhas que correm o risco de ficar a arder?
in 24horas, 7 de Janeiro de 2006

Quem quer ensinar-me?

Este anuncio, numa página de classificados de um jornal ribatejano, enterneceu-me.


A maioria de nós deseja, mesmo, aprender, não ficar de fora.
in "O Mirante", 22 de Outubro de 2009

À espera da inauguração

Continuo a tarefa, nos tempos livres, de colocar aqui textos que escrevi no 24horas, jornal onde trabalhei desde o ano 2000 até Agosto passado e onde escrevi, no mínimo, três vezes por semana. Infelizmente, o arquivo digital do jornal, que me permite transferir com facilidade esses textos, só alcança o ano de 2005, pelo que me limitarei a esse espaço de tempo.
Quando tiver o blogue já bem alimentado de textos meus - o que permitirá ao eventual leitor poder fazer uma avaliação correcta daquilo que pode esperar -  tratarei de o inaugurar oficialmente, divulgando-o e anunciando o tipo de textos, sons e imagens que passarei a "postar" neste "Abafado" - um serviço de ar condicionado...

Colégio Militar

A acusação do Ministério Público a oito alunos do Colégio Militar sobre alegados actos violentos praticados sobre alunos mais novos, em 2007 e 2008, confirma a manchete na altura feita pelo 24horas, assinada pela jornalista Sónia Simões (agora jornalista do Diário de Notícias) que nos valeu, a ela e a mim enquanto director do jornal, uma enorme carga de chatices. A pressão para darmos o dito por não dito incluiu desmentidos formais, publicação de direitos de resposta insultuosos, inúmeras ameaças telefónicas, por carta e por email (incluindo ameaças físicas) e anúncios de processos  judiciais.
Mas o que mais me preocupa nessa história é a evidente hipocrisia com que os responsáveis militares falam do assunto, o que só se vira contra o prestígio da instituição que representam. É lamentável e não faz bem ao País, que ainda vê nos nossos militares gente que representa algo de digno e respeitável.

Oito ex-alunos acusados de maus tratos a colegas

Saramago

Está por aí um reboliço por causa de Saramago e da sua declaração de fé no ateísmo. Ao ver e ao ouvir o que ele diz, com rosto e voz de fragilidade que, inevitavelmente, profetizam o encontro com a morte, pergunto-me: Como é que alguém pode sentir-se indignado por palavras que, afinal, repetem só o sentido que Saramago encontrou para a sua própria existência? Como lhe podem exigir, agora, uma outra vida que não esta que ele teve e tem, onde Deus e o diabo foram e são, apenas e unicamente, o Homem?


Reportagem de Pedro Coelho/SIC

Explicações (II)

Parece-me que concluí a construção do blogue.
Usei apenas programas gratuitos, a partir de um modelo do Blogger, que fui alterando com as ferramentas que este alojador de blogues possui e com pedaços de código e mini-aplicações que fui "pescando" através de pesquisas no Google.

Alojei sons no mypodcast , imagens da estrutura desta página no Photobucket e videos no YouTube para serem ouvidos e vistos a partir do blogue.

Tive inúmeros problemas para fazer a barra de menus, pois ela aparecia com aspectos e tamanhos diferentes conforme a resolução e o browser utilizados. Acabei por conseguir fazer essa parte simulando uma mensagem aqui no Blogger, com o desenho que pretendia e, depois, copiei o código html para uma mini-aplicação de texto, que coloquei por debaixo da fotografia do topo da página. Simples e bom. Para fazer os sons e os filmes usei o Windows Movie Maker, que vem com o Windows XP e com o Windows Vista, editores de som dos respectivos sistemas operativos e um pacote gratuito disponível na Internet na AVS
Para ouvir os vários episódios audio deste blogue, para serem acompanhados no iTunes e daí ser possível passá-los para o iPod ou para o iPhone, basta clicar aqui (só funciona se tiver o iTunes, que é gratuito, instalado no computador. Para isso basta clicar aqui).

Para criar chamadas de atenção no final das mensagens para artigos relacionados, estou a usar o LinkWithin.
Usei ainda o Snap Shots para ter uma visualização rápida, antes de fazer um clique com o rato, do conteúdo dos links para outros sites e blogues que "linkei" na minha página.

Para gerar feeds que alimentam a informação do iTunes e de outras aplicações, dando possibilidade a todos os que quiserem subscrever o meu blogue de serem avisados das actualizações, usei o feedburner. Se quiser ser assinante de um destes feeds, clique aqui ou copie este endereço -  http://feeds.feedburner.com/Abafado - para o seu leitor de feeds.

Tudo isto ficou concluído em seis dias.

Pronto. Agora vou pensar como farei a inauguração a sério...

O Jornal e a Música da Nossa Vida (agora com imagens)

Depois de experimentar um podcast com feeds para o iTunes e um reprodutor de mp3 inserido no post anterior, resolvi ver como é que isto ficava com imagens. Uma gloriosa produção Windows Movie Maker e You Tube. Disponível em qualquer computador…


O Jornal e a Música da Nossa Vida (piloto)

Oiça o episódio piloto de uma proposta que está na TSF. Aqui se prova que Hitler, Spike Jones, mamas de silicone e o Pato Donald podem fazer parte de uma conversa com menos de cinco minutos.

Sobressalto

José Sócrates anunciou que vai constituir um Governo minoritário. E, ao responder aos jornalistas sobre se esse Governo é para durar quatro anos, foi dizendo que os portugueses não querem que esta legislatura seja "irres..." e depois, num ligeiro sobressalto, emendou para "interrompida"...
Eu não me habituo a este Sócrates dialogante. E ele também não.