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Comecei esta lista copiando primeiro a que está feita no blogue "o tempo das cerejas" de Vítor Dias, que me pareceu interessante. Já acrescentei e retirei alguns links e, com o tempo, vou modificando e adaptando este conteúdo ao meu gosto pessoal.

25 Centímetros de Neve
A arte da Fuga
A Cidade Surpreendente
A Destreza das Dúvidas
A natureza do mal
A vez do peão
Arrastão
O diário.info

Inauguração


Estava aqui um bocado aborrecido e resolvi experimentar. Sempre quero ver como é isto. A inauguração oficial será anunciada dentro de dias...


Adeus

No dia 11 de Fevereiro de 2003 apareceu pela primeira vez o nome do jornalista que assina esta crónica no cabeçalho do 24horas. “Director: Pedro Tadeu”, anunciava-se. Nos 1733 números anteriores o peso da função tinha caído nos ombros de quatro outros jornalistas, a começar pelo fundador do jornal, Rocha Vieira, e a terminar no homem que o salvou do fecho iminente, Alexandre Pais. Desde esse dia o 24horas fez várias coisas notáveis. Passo a registar algumas.

O 24horas trouxe para a imprensa a coragem do sorriso crítico. Impediu que o processo Casa Pia fosse um linchamento judiciário. Demonstrou que as relações pessoais e privadas entre poderosos e famosos são decisivas para a vida pública, para os negócios e para a política que governa os portugueses. Descobriu José Castelo Branco e todos os outros e todas as outras. Revelou o mundo das festas snobs, a entrada destes “famosos” na TV, os negócios de agenciamento, publicidade e relações públicas que os acompanharam. Fez a crónica de costumes do país, traçou o carácterde vedetas, políticos, líderes de opinião e narrou as pequenas e grandes mudanças éticas e de conduta desta gente que define os comportamentos quotidianos de toda a sociedade.

O 24horas não teve medo de nenhum dos três governos e dois Presidentes que ao longo do tempo passaram. Ignorou a política politiqueira que atravessa tanta outra imprensa... a não ser que nos fizesse rir!... Mostrou os bastidores do governo de Santana Lopes, o que foi decisivo para a queda desse Executivo. E recusou fazer propaganda nazi disfarçada de candidatura eleitoral.


O 24horas deu, com verdadeira independência, os vários lados dos casos Apito Dourado, Carolina Salgado, Freeport, BPN e BPP. Escreveu como antes ninguém tinha escrito sobre dirigentes do futebol, jornalistas poderosos, economistas, banqueiros, figuras da Justiça. Esteve na vanguarda do noticiário do caso Maddie e do caso Joana. Desmascarou as fragilidades da investigação criminal. Impediu o alarmismo e foi pedagógico em casos de saúde pública, como o da gripe das aves ou o da gripe A. Obrigou a entretanto empossada ERC a respeitar este jornal e os jornalistas que cá trabalham.

O 24horas trouxe para a imprensa portuguesa um largo leque de novas técnicas jornalísticas, de assuntos invulgares, de ângulos de abordagem originais, de nova organização de trabalho de redacção. Técnicas que foram depois copiadas, repetidas e, até, melhoradas por outros.

O 24horas, quando o mercado de imprensa se alimentava a golpes de marketing, também esteve à frente do seu tempo. Em tempo de crise, acabada a fonte do marketing, apostou em formatos novos como o actual, antecipando uma tendência e colocando-se novamente um passo à frente da concorrência.

O 24horas envergonhou os jornais de referência ao tratar com verdadeira dignidade os direitos de resposta das pessoas que se sentiram atingidas pelas suas notícias. Fez corar toda a imprensa falsamente moralista, ao dar destaque de manchete aos erros que reconheceu ter cometido, coisa até então inédita. Estabeleceu um novo padrão ético, muito mais exigente, na publicação de notícias e fotografias de menores.

O 24horas revelou que a liberdade de imprensa pode em qualquer altura ser violada pelo poder, não é garantida, como foi exemplificado pela notícia do “Envelope 9” e as subsequentes buscas e apreensões ilegais feitas nesta redacção.

O 24horas demonstrou, com três administrações diferentes – lideradas, respectivamente, por Henrique Granadeiro, Luís Delgado e Joaquim Oliveira, que nesta questão foram absolutamente exemplares e solidários – ser ainda possível manter a independência dos jornais e dos jornalistas, desde que aquilo que eles publicam esteja ancorado na verdade e na lealdade.

O 24horas foi dos famosos e dos anónimos. Sem fazer disso uma manobra publicitária hipócrita, este jornal, através das contribuições financeiras dos seus leitores, ajudou inúmeras pessoas cujos problemas e dificuldades foram aqui notícia. Chegámos a construir uma vivenda adaptada a um deficiente; pagámos cursos artísticos a jovens de talento e até entregámos um cheque à mãe de um polícia morto em serviço. O 24horas fez aquilo que os leitores quiseram fazer com ele.

Hoje, 3 de Agosto de 2009, o meu nome aparece pela última vez no cabeçalho da primeira página. Achei que já era tempo, pois 2352 edições sempre em tensão conflitual, após 149 processos judiciais (e, até agora, nenhuma condenação), sempre a tentar inovar e a ser arrojado, num jornalismo sério mas tablóide, desgastam qualquer um. Esse desgaste prejudica o jornal. Amanhã, o jornalista Nuno Azinheira vai sentir a mesma emoção que eu senti em Fevereiro de 2003 e, garanto-lhe, caro leitor ou leitora, fará tudo, certamente muito mais e melhor do que eu faço, para que você sinta que este 24horas não é dos jornalistas ou dos directores de jornalistas. O 24horas é, isso sim, dos seus leitores... Vou morrer de saudades, mas aqui fica o meu adeus.

In 24horas, 3 de Agosto de 2009

Freeport e BPN

Antes das eleições de Setembro e depois das eleições de Junho, estas duas ou três semanas que vivemos são as únicas em que a Justiça pode ainda produzir um avanço qualquer nas investigações aos casos Freeport e BPN. Qualquer desenvolvimento no processo Freeport será acusado de prejudicar ou ajudar Sócrates. Um avanço no BPN parecerá que serve para atingir Cavaco e, por via disso, Ferreira Leite. Talvez por isso, por este magro intervalo eleitoral, quer um caso quer outro voltam a ser notícia. Lopes da Mota fala pela primeira vez, neste 24horas, da suspeita de pressão sobre a investigação que incomoda o primeiro-ministro. O Conselho Superior da Magistratura decide, contra a vontade do próprio, manter sob segredo o inquérito ao presidente da Eurojust – uma medida muito legalista mas que, como sempre acontece com este tipo de segredos, é uma estúpida sementeira para futuras fugas de informação, boatos e imprecisões. E um antigo ministro de Cavaco Silva – Arlindo Carvalho – surge arguido no caso BPN: ao juntar-se a Dias Loureiro começa, de facto, este escândalo a pesar alguma coisa na história dos governos do actual Presidente da República.
in 24horas, 21 de Julho de 2009

Servir o público

Na entrevista que hoje o 24horas publica com o realizador Carlos Coelho da Silva, um homem que já assinou êxitos de bilheteira como “O Crime do Padre Amaro” ou “Amália”, e que prepara para o cinema uma versão de um dos episódios da série de livros juvenis “Uma Aventura...”, destacámos para título a seguinte frase do cineasta: “Faço os filmes a pensar no público”. O interessante da construção jornalística da referida entrevista é ela pressupor, da parte de quem a editou, que em Portugal ainda é notícia o facto de um cineasta achar que, em primeiro lugar, deve satisfazer algumas exigências mínimas de comunicabilidade com os espectadores e só depois pode servir os seus propósitos e anseios artísticos, estéticos, ideológicos, políticos ou o que quer que seja. O trauma de anos e anos a ver filmes insuportáveis, que acabou num divórcio de décadas entre público e realizadores, e que também acabou por colocarem causa a justeza e necessidade da atribuição de subsídios a uma indústria cultural que parecia apostada num consistente e arrogante autismo profissional, parece, finalmente, desde há alguns anos, estar a ser ultrapassado. Ainda bem.
in 24horas, 18 de Julho de 2009

Justiceiros da paternidade

A primeira vez que escrevi sobre o caso Esmeralda apontei a pressão manipulatória que muitos jornalistas e pessoas influentes – certamente bem-intencionados e genuinamente interessados no bem da criança – estavam a fazer no sentido de alterar a decisão de entrega definitiva da criança ao seu pai biológico, Baltazar. É verdade que o sargento Luís Gomes merece todos os elogios como marido e como pai, mas também é verdade que quem conhecesse minimamente o processo não podia aceitar que Baltazar fosse penalizado com a perda da filha. E num caso em que nenhuma solução seria boa, adiar ainda mais a decisão definitiva (já insuportavelmente demorada pelos tribunais) seria, em relação à criança, o pior que se poderia fazer. Pois foi isso mesmo que se fez, por culpa desta gente... Passaram-se, entretanto, três anos, com Esmeralda sem saber o que lhe iria acontecer. Tudo se encaminha, afinal, para a primeira forma: a entrega definitiva da menina a Baltazar, com quem está há seis meses, aparentemente bem. Entretanto, pelo que se passou recentemente com outros casos, parece-me que estes justiceiros da paternidade nada aprenderam com Esmeralda.
In 24horas, 13 de Julho de 2009

A vida dos meninos ricos

A particularidade mais relevante da vida de um adolescente rico não faz parte dos pequenos luxos que se somam no dia-a-dia de filho de milionário: não é a mota aos 16 anos, não são as viagens a Londres ou Paris em low-cost (a mesada, apesar de tudo, não dá para mais...), nem são as festas nos montes alentejanos da família. A particularidade mais relevante da história que contamos no 24horas de hoje é a de constatarmos este facto: Está generalizada a prática de que todos estes meninos e meninas, depois de terminarem a escola secundária, devem ir tirar o seu curso universitário no estrangeiro, de preferência nos Estados Unidos da América. É aqui que a chamada “classe alta” marca as distâncias, mantém a sua posição de elite e garante a própria sobrevivência da espécie. Há 50 anos a classe média tirava o 5.º ano dos liceus, a burguesia mais endinheirada o 7.º ano e as universidades eram exclusivas das elites. Agora, a classe média tira uma licenciatura, a burguesia mais endinheirada avança para um mestrado e as “boas famílias” subsidiam um diploma estrangeiro para os seus jovens. O dinheiro, como já se sabe, mantém sempre as distâncias.
In 24horas, 12 de Julho de 2009

Manuel Pinho

O gesto que Manuel Pinho fez no Parlamento é tão inacreditável que até parece ter-se assistido ali a um deliberado e consciente acto de suicídio político. E, convenhamos, os motivos para isso são mais que muitos. Umas horas antes ainda era notícia o facto de Manuel Pinho ter andado a dizer que procurava soluções para salvar alguma coisita da Qimonda, a fábrica high-tech falida que é, até agora, o símbolo maior da crise económica em Portugal. Todos os dias, Pinho colocava-se nessa situação: Aparecia a prometer soluções que não tinha nem, provavelmente podia ter; jurava andar a tentar impedir falências que, quase de certeza, não podia evitar; viajava para negociar com empresários apoios que não tinha para dar; mostrava aos jornalistas um país fora da crise que ninguém conseguia ver. Pinho estava há mais de um ano a tourear a situação económica e política. Mas a faena era um desastre colossal. Devia ser isso que tinha ele na cabeça quando ontem, frente aos deputados, resolveu tomar o lugar do touro, colocar uns chifres na cabeça, e investir. Ofereceu-se à morte e, claro, deram-lhe a estocada fatal. Pedida e merecida.
In 24horas, 3 de Julho de 2009

Ronaldo e Ferreira Leite

Lendo o relato da história de capa de hoje do 24horas, que dá conta que Cristiano Ronaldo perdeu a cabeça e deu um pontapé no vidro de um carro onde estava um casal que o perseguia há horas, para filmar, é instintivo para qualquer leitor tentar o julgamento moral. Vou fazer esse exercício: Cristiano devia ter dado o pontapé no carro do paparazzo? Acho que não. E se eu estivesse no lugar de Cristiano Ronaldo, era capaz de fazer o mesmo? Pois, por muito que isto escandalize o meus colegas de profissão, tenho de reconhecer que sim. Se fosse juiz deste caso, estava tramado...




Falando de outra coisa: Aquilo que Henrique Granadeiro disse ontem ao jornal “I” sobre os tempos em que foi administrador do grupo controlado pela PT, na altura dono do 24horas, é pura verdade. Nesse tempo, era o governo do PSD, ele foi demitido por não ceder à pressão política que queria “cortar cabeças” a jornalistas como eu. Vivi esse facto. Manuela Ferreira Leite não liderava, nessa altura, o PSD mas fez parte desses governos até 2004. Acho relevante o que, sobre isso, ela diz. Leia-se, por isso, a pequena e fundamental notícia da página 7 .
1n 24horas, 1 de Julho de 2009

Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares é um homem de mérito. Em primeiro lugar por ter conseguido impor, num país de compadrios, compromissos e camaradagens, um estilo de opinião frontal, contundente e independente que outros não conseguiram impor ou, pior do que isso, que desistiram de tentar impor. Em segundo lugar por, depois de uma vida profissional de jornalista aplaudida, ter corrido o risco de avançar para a escrita literária. E, mais uma vez, onde outros em situação semelhante fracassaram – é clássico bons jornalistas darem maus escritores – ele teve um êxito retumbante. Quer este pressuposto todo dizer que Sousa Tavares tem razão quando se queixa do argumento que adaptou o seu “Equador” para uma série de TV? Aqui há pelo menos um motivo objectivo para duvidar da justeza das apreciações negativas do autor do livro: a série tem audiências muito boas. Depois, estabeleceu um novo nível de exigência para produções televisivas deste tipo, bem mais elevado do que antes existia. E adaptar um romance actual com o nível de investimento que foi feito pela TVI também é inédito. Mas isto de escrever livros deve ser como ter filhos: não gostamos que lhes toquem...
in 24horas, 30 de Julho de 2009