In 24horas, 13 de Julho de 2009
Justiceiros da paternidade
A primeira vez que escrevi sobre o caso Esmeralda apontei a pressão manipulatória que muitos jornalistas e pessoas influentes – certamente bem-intencionados e genuinamente interessados no bem da criança – estavam a fazer no sentido de alterar a decisão de entrega definitiva da criança ao seu pai biológico, Baltazar. É verdade que o sargento Luís Gomes merece todos os elogios como marido e como pai, mas também é verdade que quem conhecesse minimamente o processo não podia aceitar que Baltazar fosse penalizado com a perda da filha. E num caso em que nenhuma solução seria boa, adiar ainda mais a decisão definitiva (já insuportavelmente demorada pelos tribunais) seria, em relação à criança, o pior que se poderia fazer. Pois foi isso mesmo que se fez, por culpa desta gente... Passaram-se, entretanto, três anos, com Esmeralda sem saber o que lhe iria acontecer. Tudo se encaminha, afinal, para a primeira forma: a entrega definitiva da menina a Baltazar, com quem está há seis meses, aparentemente bem. Entretanto, pelo que se passou recentemente com outros casos, parece-me que estes justiceiros da paternidade nada aprenderam com Esmeralda.
A vida dos meninos ricos
A particularidade mais relevante da vida de um adolescente rico não faz parte dos pequenos luxos que se somam no dia-a-dia de filho de milionário: não é a mota aos 16 anos, não são as viagens a Londres ou Paris em low-cost (a mesada, apesar de tudo, não dá para mais...), nem são as festas nos montes alentejanos da família. A particularidade mais relevante da história que contamos no 24horas de hoje é a de constatarmos este facto: Está generalizada a prática de que todos estes meninos e meninas, depois de terminarem a escola secundária, devem ir tirar o seu curso universitário no estrangeiro, de preferência nos Estados Unidos da América. É aqui que a chamada “classe alta” marca as distâncias, mantém a sua posição de elite e garante a própria sobrevivência da espécie. Há 50 anos a classe média tirava o 5.º ano dos liceus, a burguesia mais endinheirada o 7.º ano e as universidades eram exclusivas das elites. Agora, a classe média tira uma licenciatura, a burguesia mais endinheirada avança para um mestrado e as “boas famílias” subsidiam um diploma estrangeiro para os seus jovens. O dinheiro, como já se sabe, mantém sempre as distâncias.
In 24horas, 12 de Julho de 2009
Manuel Pinho
O gesto que Manuel Pinho fez no Parlamento é tão inacreditável que até parece ter-se assistido ali a um deliberado e consciente acto de suicídio político. E, convenhamos, os motivos para isso são mais que muitos. Umas horas antes ainda era notícia o facto de Manuel Pinho ter andado a dizer que procurava soluções para salvar alguma coisita da Qimonda, a fábrica high-tech falida que é, até agora, o símbolo maior da crise económica em Portugal. Todos os dias, Pinho colocava-se nessa situação: Aparecia a prometer soluções que não tinha nem, provavelmente podia ter; jurava andar a tentar impedir falências que, quase de certeza, não podia evitar; viajava para negociar com empresários apoios que não tinha para dar; mostrava aos jornalistas um país fora da crise que ninguém conseguia ver. Pinho estava há mais de um ano a tourear a situação económica e política. Mas a faena era um desastre colossal. Devia ser isso que tinha ele na cabeça quando ontem, frente aos deputados, resolveu tomar o lugar do touro, colocar uns chifres na cabeça, e investir. Ofereceu-se à morte e, claro, deram-lhe a estocada fatal. Pedida e merecida.
In 24horas, 3 de Julho de 2009
Ronaldo e Ferreira Leite
Lendo o relato da história de capa de hoje do 24horas, que dá conta que Cristiano Ronaldo perdeu a cabeça e deu um pontapé no vidro de um carro onde estava um casal que o perseguia há horas, para filmar, é instintivo para qualquer leitor tentar o julgamento moral. Vou fazer esse exercício: Cristiano devia ter dado o pontapé no carro do paparazzo? Acho que não. E se eu estivesse no lugar de Cristiano Ronaldo, era capaz de fazer o mesmo? Pois, por muito que isto escandalize o meus colegas de profissão, tenho de reconhecer que sim. Se fosse juiz deste caso, estava tramado...
Falando de outra coisa: Aquilo que Henrique Granadeiro disse ontem ao jornal “I” sobre os tempos em que foi administrador do grupo controlado pela PT, na altura dono do 24horas, é pura verdade. Nesse tempo, era o governo do PSD, ele foi demitido por não ceder à pressão política que queria “cortar cabeças” a jornalistas como eu. Vivi esse facto. Manuela Ferreira Leite não liderava, nessa altura, o PSD mas fez parte desses governos até 2004. Acho relevante o que, sobre isso, ela diz. Leia-se, por isso, a pequena e fundamental notícia da página 7 .
1n 24horas, 1 de Julho de 2009
Miguel Sousa Tavares
Miguel Sousa Tavares é um homem de mérito. Em primeiro lugar por ter conseguido impor, num país de compadrios, compromissos e camaradagens, um estilo de opinião frontal, contundente e independente que outros não conseguiram impor ou, pior do que isso, que desistiram de tentar impor. Em segundo lugar por, depois de uma vida profissional de jornalista aplaudida, ter corrido o risco de avançar para a escrita literária. E, mais uma vez, onde outros em situação semelhante fracassaram – é clássico bons jornalistas darem maus escritores – ele teve um êxito retumbante. Quer este pressuposto todo dizer que Sousa Tavares tem razão quando se queixa do argumento que adaptou o seu “Equador” para uma série de TV? Aqui há pelo menos um motivo objectivo para duvidar da justeza das apreciações negativas do autor do livro: a série tem audiências muito boas. Depois, estabeleceu um novo nível de exigência para produções televisivas deste tipo, bem mais elevado do que antes existia. E adaptar um romance actual com o nível de investimento que foi feito pela TVI também é inédito. Mas isto de escrever livros deve ser como ter filhos: não gostamos que lhes toquem...
in 24horas, 30 de Julho de 2009
24horas: Mudança de director
O jornalista Nuno Azinheira vai assumir o cargo de director do diário 24horas a partir do próximo dia 1 de Agosto, anunciou ontem o Conselho de Administração da Controlinveste. Nuno Azinheira, 34 anos, acumulará essas funções com as de editor executivo da revista “Notícias TV”, publicação distribuída às sextas-feiras com o “Jornal de Notícias” e o “Diário de Notícias”.
Pedro Tadeu, actual director do 24horas, funções que ocupa desde Fevereiro de 2003, conduzirá o período de transição e assumirá depois outras responsabilidades no grupo, anunciou ainda a Administração. A equipa directiva de Nuno Azinheira, cujos nomes foram ontem apresentados ao Conselho de Redacção, inclui ainda Ricardo Martins Pereira (que transita da direcção de Tadeu) e Nuno Pinto Martins (n.º 2 da “Notícias TV”).
in 24horas 30 de Junho de 2009
Nuno Azinheira substitui Pedro Tadeu no “24 Horas”
O jornalista Nuno Azinheira vai assumir o cargo de director do diário “24 Horas” a partir do próximo dia 1 de Agosto, anunciou esta segunda-feira o Conselho de Administração da Controlinveste. Nuno Azinheira, de 34 anos, acumulará o cargo de director do “24 Horas2 com as de editor-executivo da revista “Notícias TV”, publicação distribuída às sextas-feiras com o “Jornal de Notícias” e o “Diário de Notícias”.
Pedro Tadeu, director do “24 Horas” desde Fevereiro de 2003, conduzirá o período de transição e assumirá depois outras responsabilidades no grupo, anunciou ainda a administração do grupo.
A equipa directiva de Nuno Azinheira, cujos nomes foram apresentados ao Conselho de Redacção esta segunda-feira, inclui ainda Ricardo Martins Pereira, que transita da direcção de Tadeu, e Nuno Pinto Martins, "número dois" da “Notícias TV”.
Pedro Tadeu, director do “24 Horas” desde Fevereiro de 2003, conduzirá o período de transição e assumirá depois outras responsabilidades no grupo, anunciou ainda a administração do grupo.
A equipa directiva de Nuno Azinheira, cujos nomes foram apresentados ao Conselho de Redacção esta segunda-feira, inclui ainda Ricardo Martins Pereira, que transita da direcção de Tadeu, e Nuno Pinto Martins, "número dois" da “Notícias TV”.
in TSF, 29 de Junho de 2009
Pedro Tadeu deixa direcção do «24horas»
O director do jornal 24horas vai ser substituído pelo editor-executivo da revista «Notícias TV» Nuno Azinheira a partir de 1 de Agosto, confirmou o próprio à agência Lusa.
Pedro Tadeu revelou à Lusa que foi uma «demissão a pedido», depois de seis anos à frente do jornal, e que irá assumir outras funções no grupo que detém o diário, a Controlinveste.
Nuno Azinheira acumula a direcção do «24horas» com a função de de editor-executivo da revista «Notícias TV», publicação distribuída às sextas-feiras com o «Jornal de Notícias» e o «Diário de Notícias».
Pedro Tadeu revelou à Lusa que foi uma «demissão a pedido», depois de seis anos à frente do jornal, e que irá assumir outras funções no grupo que detém o diário, a Controlinveste.
Nuno Azinheira acumula a direcção do «24horas» com a função de de editor-executivo da revista «Notícias TV», publicação distribuída às sextas-feiras com o «Jornal de Notícias» e o «Diário de Notícias».
in IOL Diário, 29 de Junho 2009
Ver também Público, A Encosta dos Curiosos, Indiscutível, Jornal dos Media, Controlinveste, Sidney Blog, Destak, Newstin, Simone Antunes
Ver também Público, A Encosta dos Curiosos, Indiscutível, Jornal dos Media, Controlinveste, Sidney Blog, Destak, Newstin, Simone Antunes
Michael Jackson
Às 22h35 minutos de quinta-feira a informação chegou às redacções: Michael Jackson foi hospitalizado, se calhar já morto. A essa hora um automóvel carregado com os jornais 24horas, que o leitor ontem leu, partiu de Lisboa para o Porto, iniciando o complexo processo de distribuição que leva para todo o País o resultado do nosso trabalho. Já não era possível colocar no jornal a tardia notícia do dia.
E porque é que a morte de um artista de música pop, que já não tinha um êxito digno desse nome há 15 anos, era a notícia do dia? Vou explicar com um exemplo: Em 1983 a letra de “Billie Jean” cantava a história de um rapaz perseguido por uma mulher, que reclamava estar grávida dele. Mais importante do que música e letra foi o respectivo videoclip, que acabou com o mito de que os espectadores brancos não gostavam de vídeos com artistas negros. O seu êxito massivo e planetário pôs fim a uma longa história de racismo e apartheid na indústria da música popular americana, que ganhara nos anos 80 uma “extensão” coma chegada da era MTV. É por causa de coisas tão revolucionárias quanto esta que hoje, em 10 páginas, contamos muito mais sobre Jackson do que a notícia que ontem não pudemos dar.
E porque é que a morte de um artista de música pop, que já não tinha um êxito digno desse nome há 15 anos, era a notícia do dia? Vou explicar com um exemplo: Em 1983 a letra de “Billie Jean” cantava a história de um rapaz perseguido por uma mulher, que reclamava estar grávida dele. Mais importante do que música e letra foi o respectivo videoclip, que acabou com o mito de que os espectadores brancos não gostavam de vídeos com artistas negros. O seu êxito massivo e planetário pôs fim a uma longa história de racismo e apartheid na indústria da música popular americana, que ganhara nos anos 80 uma “extensão” coma chegada da era MTV. É por causa de coisas tão revolucionárias quanto esta que hoje, em 10 páginas, contamos muito mais sobre Jackson do que a notícia que ontem não pudemos dar.
in 24horas, 27 de Junho de 2009
Freixo e Manolo
Manolo Bello, o homem que lidera a produtora Comunicasom que, por sua vez, tem produzido o programa “Fátima” onde actuou durante anos o ventríloquo José Freixo com o seu pato Donaltim, é conhecido no meio televisivo por ter preocupações sociais, por fazer tudo para proteger as pessoas que trabalham com ele. Ao longo dos anos foi também público e notório que procurou recuperar para a televisão pessoas que a própria televisão vitimou. Atrevo-me até a dizer que Manolo deu pão a artistas que, literalmente, passavam fome. Não o conheço pessoalmente. Por motivos profissionais falei com ele uma ou duas vezes ao telefone. Apesar disso, estou mais do que convencido que Manolo é boa pessoa e que tenta ser justo e correcto. A notícia que hoje o 24horas publica relata com detalhe as queixas de José Freixo, que se sente injustiçado por ter sido afastado do programa “Fátima” após seis anos e meio de participação diária sem, afirma, ter recebido uma indemnização correcta. Os tribunais a que Freixo recorreu decidirão se ele tem razão. O que é curioso é que apesar deste conflito grave, Freixo não é capaz de dizer mal de Manolo, conforme o leitor verificará... Notável.
in 24horas, 26 de Junho 2009
A PT que abana Portugal
Sempre que a Portugal Telecom é notícia o país político e empresarial abala um bocadinho. Trata-se de uma das empresas mais poderosas deste país e que lidera o nosso negócio das telecomunicações. Se a Portugal Telecom estiver mal, o país, numa relação que até parece directa, também está a enfrentar uma crise qualquer. É uma verdade quase absoluta. O contrário, curiosamente, não é verdade, pois hoje em dia o país está em crise e a Portugal Telecom, ao que parece, está a sair-se bem.
O actual líder da empresa, Zeinal Bava, volta a colocar em cima da mesa uma questão que levou a uma enorme batalha política e empresarial aqui há quatro ou cinco anos: a PTser proprietária de órgãos de comunicação social – ela chegou a ser dona deste jornal, o 24horas. Na altura, por pressão do momento político, houve uma quase unanimidade neste país em achar que era mau misturar a PT (ainda com TV Cabo) e respectiva golden share do Estado com conteúdos informativos e de entretenimento. Hoje será curioso ver quantas pessoas defenderão a tese contrária e, sobretudo, quem mudou de opinião...
in 24horas, 25 de Junho de 2009
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