Rita e Angélico

A relação amorosa entre Rita Pereira e Angélico Vieira deve ser a primeira em Portugal que nasce, vive e morre exclusivamente através do mundo da comunicação social. Os dois, ainda adolescentes, iniciaram carreira na série “Morangos com Açúcar”, de que eram actores principais. Apaixonaram-se, com milhões de telespectadores a ver, numa mistura inédita entre novela e vida real. Os interesses da vida privada com os da vida artística dos dois jovens misturaram- se. Quanto mais tempo passou, mais complicado tudo ficou: pouco tempo depois, estes dois miúdos tiveram de lidar também com os interesses comerciais de produtores, agentes, estações de televisão, imprensa e, até, editoras de música. O namoro deles passou ao estatuto de produto de marketing. Estava, portanto, condenado, pois não há produto de marketing que dure muito. E o amor que tantas vezes viveu nas notícias foi também morto pelas notícias. Agora, Rita tenta preservar, pelo menos, uma amizade com Angélico, com quem viveu cinco anos. Mais uma vez, através da comunicação social... Estes agora adultos, que a TV e os jornais fabricaram, podem ser pessoas sãs?... Tenho medo da resposta.
in 24horas de 24 de Junho de 2009

Caras vistas com outro olho

Tenho cá uma desconfiança de que a morfopsicologia é tão rigorosa do ponto de vista científico quanto a frenologia o foi no século XIX, quando popularizou falsamente uma teoria que reivindicava ser possível determinar o carácter, as características da personalidade e até o grau de probabilidade de uma pessoa cometer um crime pela forma da cabeça, “lendo” as protuberâncias do crânio. Mas como não sou cientista nem percebo nada do assunto, remeto-me à minha ignorância e resolvo ouvir o que tem para dizer um especialista na matéria em relação às personalidades de algumas das pessoas mais conhecidas do País. É certamente mais inofensivo do que certas conclusões horríveis – e falsas – que respeitáveis ciências já nos ofereceram ao longo do tempo, a começar na sagrada medicina. E pelo menos é divertido – aliás, a imprensa dita de referência até publicou trabalhos a explicar os fundamentos teóricos desta especialidade, dando-lhe crédito e estatuto... E não deixa de ser curioso verificar como o senhor Julián Gabarre consegue descrever as seis pessoas que lhe apresentámos de uma forma que parece ser absolutamente coerente com o que sabemos delas.
in 24horas, 23 de Junho de 2009

Tony Carreira

Há duas frases totalmente desconcertantes de uma das personagens principais da peça jornalística que hoje publicamos, a propósito de Tony Carreira. A primeira é esta: “Gosto mais do Tony do que de mim própria”. A segunda é: “Ele é um Deus. Qualquer fã idolatra o Tony. Nós vemo-lo como uma luz”. Ana Vazquez, a senhora de 50 anos, com dois filhos já homens, que faz estas afirmações, atribui ao artista uma percentagem na recuperação de uma doença e no ter conseguido voltar ao trabalho de oficial do Registo Civil. Ana Vazquez representa apenas uma das milhares de fãs que seguem Tony por razões que vão para além da música. Música que, no entanto, é peça essencial do fenómeno. Tony Carreira canta o amor naif, sem más intenções. Ele comunica uma moral onde, por exemplo, uma traição pode ser mais lamentada pelo traidor do que pela pessoa traída. É catártico. Tony consegue combater a solidão e essa estranha força dele mereceria, de facto, mais estudo e análise séria do que aquela que se tem publicado. Hoje, milhares de pessoas num piquenique publicitário colocam-nos outra vez perante esta perplexidade chamada Tony Carreira.
in 24horas, 20 de Junho de 2009

Plásticas e Moniz

Aproveitar as modernas técnicas de cirurgia estética para fazer umas “emendas” no corpo começa a ser algo corrente e banal. Profissionalmente apercebi-me, de há uns quatro anos para cá, no mundo dos artistas, dos jornalistas de TV, dos apresentadores, dos famosos das festas, que devem contar-se pelos dedos de uma mão os que não têm um bocado de silicone enfiado algures, ou pivôs a acertar os dentes, ou uma injecção de botox a eliminar rugas ou qualquer outra trapalhada dessas. O curioso é que, apesar dessa banalidade, há ainda um manto de vergonha que leva essas pessoas a não quererem falar publicamente sobre o assunto, como se a opção que tomaram os diminuísse publicamente. São, por isso, notáveis as declarações que hoje publicamos neste 24horas.


José Eduardo Moniz desistiu da candidatura no Benfica. Falou de ameaças que recebeu. Acredito na existência dessas ameaças, pois são semelhantes às que, com frequência, aqui recebemos sempre que, por alguma razão, publicamos notícias polémicas sobre um qualquer clube de futebol. Uma lamentável miséria mental.
in 24horas, 19 de Junho de 2009

Moniz e o Benfica

A ideia de alguém presidir a um clube de futebol, seja ele qual for, parece-me sempre uma loucura, dada a falta de racionalidade e o excesso de sentimentos apaixonados que imperam neste negócio, que fazem com que o maior dos génios, o mais capaz gestor, o homem mais honesto se sujeite, a qualquer momento, ao insulto, à chacota e até à agressão física, por motivos tão aleatórios quanto uma bola entrar ou não na baliza certa. Pior que isso, só mesmo querer ser árbitro de futebol... Mas, claro, como também ninguém acredita que se vai para árbitro apenas pelo amor ao jogo do pontapé na bola, creio que ninguém acha que se tenta ser presidente de um clube de futebol apenas pelo amor à respectiva camisola. E se esse clube for o Benfica – supostamente com seis milhões de adeptos – certamente haverá seis milhões de razões para se tentar ser líder dessa agremiação. O poder, só por si, seduz. O dinheiro que, certamente, directa ou indirectamente, vem atrás desse poder também deve ajudar. A glória, que é possível de alcançar, também atrai... Portanto, será uma loucura se o já poderoso José Eduardo Moniz se arriscar? Pois, apesar de tudo, se calhar não é...
in 24horas, 18 de Junho de 2009

O Mensalão e Portugal

O mais engraçado, para os portugueses, do escândalo conhecido como Mensalão, que abala a vida política do Brasil desde há três ou quatro anos, é ele dar-nos em ponto grande várias lições para a vida política que nós, em ponto um pouco mais pequeno, já começávamos a aprender com os nossos (em comparação, dada a dimensão das coisas) escandalozinhos de trazer por casa. Uma, a única que este pequeno espaço me permite hoje referir, é que o facto de a Justiça andar a perseguir, por suspeitas de corrupção, os mais altos dirigentes de um partido de poder não querer significar uma erosão da imagem pública do seu líder máximo. Lula da Silva ganhou eleições depois do escândalo estar a ser martelado meses e meses na comunicação social mais afecta à oposição, com uma tentativa de assassinato político evidente, que aproveitava o trabalho da Justiça, para o atingir. Para além disso, internacionalmente, Lula e o próprio Brasil nunca foram tão influentes e prestigiados como agora. Como é que Lula venceu esses ataques? Essa é a parte da lição que certamente alguns dirigentes políticos cá do burgo desejarão aprender mas, se calhar, é demasiado tarde...
in 24horas, 17 de Junho de 2009

Nicolau Breyner



O 24horas publica hoje um trabalho, a propósito do facto de Nicolau Breyner ter contraído cancro na próstata – e depois de o próprio ter feito pormenorizadas declarações sobre o assunto à revista “Lux”– que serve, por um lado, para os leitores terem detalhes e pormenores sobre a forma como o actor enfrenta o problema como, por outro lado, tem uma função muito mais importante: aproveitar o aumento da curiosidade sobre um tema de saúde pública, proporcionado pelo envolvimento de uma celebridade, para esclarecer e informar sobre a forma como prevenir e tratar a doença.
O cancro na próstata atinge por ano três a quatro mil homens em Portugal. É o cancro “masculino” mais mortal no nosso país, depois do cancro do pulmão. Na maior parte das situações a sua detecção precoce permite um combate eficaz à doença e os homens afectados têm várias opções e linhas de tratamento, mais ou menos agressivas, com maior ou menor segurança de êxito, com maiores ou menores efeitos secundários posteriores a nível de incontinência urinária ou da perturbação da função sexual. Tudo isto e muito mais é explicado no artigo que faz manchete do jornal de hoje. Um serviço prestado ao leitor.
in 24horas, 16 de Junho de 2009

De que vivem eles?

O mistério – e a palavra não é excessiva – sobre como vivem economicamente muitos dos famosos ou candidatos a famosos que pululam nas festas e eventos sociais não é assunto de menor importância, como aliás quase tudo o que diz respeito ao chamado mundo cor-de-rosa. Apeça que hoje o 24horas publica sobre o tema revela padrões de comportamento, éticas e visões sobre o papel do indivíduo na sociedade de pessoas que, dada a sua presença constante na comunicação social, terão de ser classificadas como “influentes”. As suas atitudes tendem, por isso, a ser mimetizadas por outros e, até, a padronizarem- se. E se não é discutível a opção de muitos destes “papa-festas”, por ser óbvio terem uma vida organizada e estruturada onde se enquadra coerentemente a ida constante ao chamado “evento social”, outras há onde essa opção surge nitidamente como tentativa de conseguir promoção e estatuto por um caminho que não tem mérito, talento ou qualquer outra qualidade. E isto é perigoso. É perigoso para estes alpinistas sociais, que vivem uma trágico-comédia patética que acabará mal. E é perigoso para a sociedade em geral, que tende a rever-se nesta loucura.
in 24horas, 15 de Junho de 2009

O avesso do avesso

Entre a Manuela Moura Guedes e o Pedro Tadeu, ao menos este é de esquerda...
in O avesso do avesso, 5 de Junho de 2009

O jornal que quer ser uma revista

Mais de dez anos depois do seu nascimento, o 24 Horas operou uma profunda reformulação no seu formato e conteúdos, visível em banca desde o início desta semana.
Hoje o 24 Horas apresenta-se como um jornal mais próximo de uma revista. A começar pelo tamanho 25cmx35cm, quando antes apresentava um tamanho de 29cm x 37cm, mas também pelos conteúdos e a organização da equipa. A mudança, explica Pedro Tadeu, director do título, foi um processo muito “pensado e discutido” que há muito vinha a ser amadurecido no seio do jornal do grupo Controlinveste. A primeira vez que se começou a discutir a possibilidade de transformar o jornal num produto mais próximo de uma revista foi em Setembro de 2007, relembra o responsável.

24 Horas poupa 1 milhão de euros com novo formato

O 24 Horas vai assumir um novo formato “em Abril”, adiantou Pedro Tadeu, director do título, confirmando a notícia avançada no início do mês pelo M&P. O jornal, explica o responsável editorial, vai apresentar de segunda a domingo um formato reduzido “quase de revista”, em papel de jornal, agrafado, totalmente a cores. O jornal em formato e papel de revista ao fim-de-semana desaparece. De segunda a quinta, o diário apresentará uma média de 48 páginas, que aumenta para 64 páginas à sexta-feira e para 96 no fim-de-semana. Durante a semana a revista/suplemento 24 Horas Casa é extinta, mantendo-se o Bits e Bytes à sexta-feira.