Os meus parabéns a Pedro Tadeu, director do 24 Horas...

...Pela contratação de Clara Pinto Correia como colunista do jornal. Reparem na elegância da primeira crónica da senhora nesse diário:


“É característico das publicações rascas, como este mesmo simpático pasquim, termos pouco espaço para escrever. Eles acreditam mesmo que os leitores são burros e não conseguem ler demasiadas frases seguidas, ainda por cima sem fotos incriminatórias. Resultado: precisei de uma semana para explicar por que é que aceitei o desafio do director e alinhei num órgão de comunicação social que, na opinião dos outros, quanto muito serve para limpar o rabo. Volto a insistir: é mais nobre escrever para um verdadeiro tablóide do que para um tablóide ranhoso mascarado de veículo sério(...)”
in pitau raia, 13 de Janeiro de 2006

Envelope 9 - A notícia original

Leia aqui a notícia no 24horas que deu origem ao escândalo Envelope 9 em 13 de Janeiro de 2006


CitActual - Citações de...

Nesta altura do ano (Natal) criámos esta necessidade de darmos palmadinhas nas costas uns dos outros, de nos ofertarmos como se fossemos irmãos, apesar de no resto do ano termos andado mutuamente a planear homicídios de carácter.
in Citador, itando uma frase escrita por Pedro Tadeu no 24horas de dia 24 de Dezembro de 2005

Os mistérios que abalam Portugal

Antes de Carlos Cruz trazer para Portugal “Gabriela, Cravo e Canela”, as novelas que divertiam o País eram duas: a luta política e os mistérios dos jornais. Adorei o caso do “Leão de Rio Maior”.

Se a memória não me atraiçoa – eu nessa altura tinha para aí uns 12 anos – o jornal “A Capital”, creio que através de uma reportagem de José Sarabando, futuro director do jornal, trouxe a notícia em primeira mão: umas capoeiras tinham sido atacadas na zona de Rio Maior e a criação foi selvaticamente comida. Alguém jurava que tinha visto um gato enorme. Estava feito o caso – andava um leão à solta em Rio Maior. Foi a histeria!

Todos os dias, “A Capital” e o “Diário Popular” (os jornais circunspectos acompanhavam a coisa mais à distância) disputavam “cachas” sobre o acontecimento: ou umas pegadas misteriosas, ou mais animais mortos, ou mais um velhote camponês que jurava que o tinha visto. Escreveram-se indignados editoriais ao estilo, “então as autoridades nada fazem!?”(aí, claro, os ditos jornais circunspectos fartaram- -se de brilhar). As populações diziam-se inseguras. Presidentes de câmara, governadores civis, polícias, políticos e governantes pronunciaram-se sobre o assunto ou largavam piadas. E o jornalista Fernando Pessa, da RTP, deslocou-se a Rio Maior para realizar uma reportagem a preto e branco, meio gozona, mas a deitar mais achas para a fogueira.

Ofinal é que não foi digno de novela: se não estou em erro, tudo não passava de uma matilha de cães abandonados que fazia pela vida e caçava o que encontrava.

Agora que somos um país evoluído, com TV a cores, vários canais privados, e com um único leão em Rio Maior (o cartoonista Maia, que faz o desenho desta página), há que dizê-lo: o que é esta história ao pé do mistério que nos próximos meses vai ocupar a cabeça dos portugueses? Quem matou o António? Eu aposto na criada. Mas devo estar errado.
in 24horas, 2 de Julho de 2005

Sim, podem chamar-me gordo

Sim, estou gordíssimo e, por isso, até já pus a hipótese de fazer uma dieta. Nunca, na vida, pensei andar preocupado com esta questão. Mas a verdade é só uma: cada vez compreendo melhor os malucos (e as malucas) das dietas.

Vamos lá ver: durante 41 anos Pedro Tadeu era sinónimo de magrinho, lingrinhas, esterlicadinho, fio de azeite, magricelas, tipo que passa pelos intervalos da chuva. A minha mãezinha tornou-se obcecada em mandar-me comer, pois receava a minha morte próxima, por anemia ou qualquer doença do género “fraqueza”. A louca da minha mulher elogiava a minha ausência de barriga e achava graça ser capaz de rodear o meu corpo apenas com um braço. Enfim, habituei-me a ser um gajo com mau aspecto e fiz disso um estilo, ou melhor, uma personalidade.

Portanto, Pedro Tadeu era um sujeito com 1 metro e 78, levitando em 54 quilos. E era feliz. Até ao momento em que decidi deixar de fumar. Curado o vício, um dia, na casa de banho, passei nu, de fugida, frente ao espelho e, pelo canto do olho, vi qualquer coisa estranha. Recuei, olhei melhor e..., sim, era uma barriguinha! Uma pequena, insignificante e miserável barriguinha! Fui à balança. A primeira vez em 10 ou 15 anos...

Como sempre fui um esfomeado, não consigo parar de comer. A dieta é impossível. Fazer ginástica parece-me incómodo a mais. Tomar pílulas deve ser perigoso. Voltar a fumar é um suicídio. Portanto, ao contrário dos vitoriosos sobre o estômago hoje em foco nesta revista, vou ter de admitir a derrota e habituar-me a um novo Pedro Tadeu, um tipo que continua feioso mas, ainda por cima, um pouco roliço. Talvez arruíne a minha vida e os que me amam passem a detestar-me, pois não sou a mesma pessoa. É que, afinal, 65 quilos é uma enormidade! 
in 24horas, 18 de Junho de 2005

O senhor doutor tem prioridade

É verdade que quase todos os dias encontro muito doutor que é estúpido. E muita gente sem estudos que é inteligente, culta e informada. Mas, nos tempos que correm, é praticamente suicídio profissional não tirar uma licenciatura e os doutores, mesmo estúpidos, estão em larga vantagem.

Vou confessar-vos uma coisa: eu não sou doutor... Mas ando a enganar toda a gente há uma data de tempo. Um dia, aí há uns 10 anos, prosseguia eu uma feliz brilhante carreira de figura apagada do jornalismo (sorte do jornalismo, diga-se), quando, numa recepção de um edifício, um segurança que me ia dar acesso a um entrevistado se virou para mim e exclamou: “Faça então o favor de entrar, senhor doutor!”. Fiquei tão extasiado que nem consegui pronunciar palavra.

Andei com esse peso na consciência durante uns tempos até que, ao telefone, alguém do outro lado voltou a usar a mágica formulação: “Ó sôr doutor, então não vê que...”. Dessa vez informei: “Eu não sou doutor”. Foi a última vez que fiz tal disparate. Senti-me, em segundos, a passar de cavalo para burro e do outro lado veio uma onda de petulância e falta de respeito que nunca mais admiti a alguém.

Ser doutor tem muitas vantagens: a primeira é ter estudado, ter ganho instrumentos para um pensamento estruturado, usar intuitivamente um método de análise, ter maior facilidade em usar a cultura adquirida. Mas ser doutor no nosso país ainda é mais do que isso: é ter estatuto, é pertencer à aristocracia, é ser da elite, é ter prioridade.

Por isso, caro leitor, não siga o meu exemplo nem o das sete pessoas que são objecto do tema de capa desta revista: faça-se doutor e goze muito com isso.
in 24horas, 11 de Junho de 2005

A luta pela sua própria verdade

Qual é a melhor maneira de resolver o impacto de um erro de palmatória? Daqueles que cometemos de forma pateticamente vistosa, provocando comentários por todo o lado? Daqueles que nos enchem de vergonha por, ainda por cima, embaraçarem as nossas mãezinhas? Daqueles que se arriscam a ficar colados à nossa pele, para toda a eternidade, com uma frase do tipo: “Olha o Tadeu, o fulano que fez aquela gaffe genial...”?

Eu só conheço duas maneiras de resolver isto: ou ser o primeiro a confessar tudo ou negar tudo até à exaustão dos outros. Na vida tenho, na maior parte das vezes, optado pela primeira hipótese. Isto resulta do que aprendi nas escola. De vez em quando um colega qualquer experimentava pespegar-me uma alcunha. Por exemplo: “Tu és o Salsicha!”, gargalhava um, a propósito da minha magreza. Eu sorria e dizia: “Pois é, que engraçado, é mesmo tal e qual!”. E seguia em frente, como se nada se passasse. O riso do outro esmorecia, lia-lhe mesmo na cara o pensamento “este tipo não se pica com nada”, e o dia prosseguia com actividades mais interessantes como, por exemplo, ir para umas obras fazer batalhas de lançamento de tijolos partidos.

Mas quando o assunto é mesmo sério há que recorrer à outra técnica, que exige muito maior persistência, não resulta totalmente e deixa marcas profundas, pois obriga a uma luta desgastante. É o caso dos árbitros de futebol que hoje entrevistamos, a propósito de supostos erros de julgamento que influenciaram resultados em jogos decisivos. Todos eles negam ter cometido tais erros e apresentam muitos e bons argumentos para sustentar as suas teses. Eles negam e provavelmente estão cheios de razão. Mas muitos e muitos continuarão a dizer que eles não têm tudo menos essa tal razão. Para estes árbitros, a luta pela sua verdade ainda agora começou.
in 24horas, 4 de Junho de 2005

Ter ou não ter olhos na cara

Não conheço profissão que se vista pior, que se apresente mais desleixada no seu local de trabalho, que cultive até à insanidade uma olímpica indiferença perante a roupa, do que esta profissão de jornalista.

Dos, para aí, 10 mil jornalistas que existem há apenas algumas centenas de excepções à regra dos maltrapilhos do Poder: as do mundo do jornalismo televisivo, entre os tipos dos jornais económicos, de, apesar de tudo, um número significativo de mulheres e, ainda, entre directores de jornais (sem contar comigo, pois, como toda a gente sabe, sou um selvagem sem educação e, por isso, para irritação da minha mãezinha, ando sempre mal-pronto).

E, no entanto, os jornalistas – como nós aqui no 24horas –, esses pretensiosos na garganta e parolos na traparia, têm a grandessíssima lata de analisar e criticar as vestimentas dos profissionais do bom aspecto: modelos, artistas, socialites, costureiros, apresentadores de televisão, políticos, donos de bares, jogadores de futebol, etc., etc. Então sobre mulheres, somos mesmo impiedosos. Que grande lata!

Respeitando essa tradição de despeito no mundo dos jornais, esta semana decidimos eleger aquelas que, na nossa habilitada opinião, são as 10 mulheres mais mal vestidas do País. Foi feita uma eleição na redacção e deu o resultado que, mais à frente, poderão analisar. Uma das “vítimas” desta nossa maldade respondeu-nos, acerca deste assunto: “Acho que as pessoas que votaram em mim não têm olhos na cara.” Em teoria, face ao que atrás foi exposto, ela até é bem capaz ter razão. Mas, caro leitor, temos maneira de resolver esta questão: certamente será pessoa com olhos na cara, por isso, veja as fotos, e ajuíze por si.
in 24horas, 28 de Maio de 2005

Apanhámos um bando de vigaristas

Fomos tentar saber quem são os 10 escritores portugueses vivos que venderam mais livros durante o ano de 2004. Primeiro batemos à porta da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que representa a esmagadora maioria dos patrões dos livros em Portugal. Disseram-nos que não sabiam responder-nos. Depois, apelámos às editoras, uma a uma. Pois, caro leitor, muitas tiveram a lata de nos dizer que não sabiam o que tinham vendido em 2004! Alguém, neste tempo de computadores, contabilistas e gestores de fato cinzento, acredita nesta maravilhosa resposta?


Também houve quem não fosse tão descarado e fugisse com o rabo à seringa, argumentando de outra maneira: “Mas que interesse tem saber quem vende mais ou menos?”, ou ainda “Compilar esses dados é uma trabalheira imensa...”. E houve quem, cinicamente, prometesse responder mais tarde para, a seguir, deixar de atender telefonemas.


Para que conste, aqui informo que as editoras Caminho, Oficina do Livro, Presença, Gradiva e Temas e Debates entregaram-nos esses dados. Todas as outras que contactámos arranjaram maneira de não o fazer. O que nos valeu foi a Fnac, que, em três tempos, nos deu as suas vendas na loja do Colombo – a maior livraria do País – e os próprios autores, que forneceram informações adicionais que a suas editoras recusaram dar.


Bem. Que posso eu pensar sobre isto? Vou fazer uma frase simples: as editoras que não nos responderam são dirigidas por um bando de vigaristas que, em nome da cultura, montou um negócio de fuga aos impostos. Há alguma outra hipótese para explicar este fenómeno?


in 24horas, 21 de Maio de 2005