Será?

Ninguém sabe onde pára a fotografia de Freitas do Amaral enviada pelo CDS ao PS. Aliás, para ser mais rigoroso e pelo que nos foi dito pela inefável e irritadiça assessora socialista, Maria Rui, parece que na sede socialista têm mais que fazer do que procurar o paradeiro do retrato. Será que no Rato, afinal, não gostam dele? Será que vão fingir que os CTT extraviaram a encomenda? Será que já a deitaram para o lixo? Será que vão reciclar a moldura? Será que vão pendurar Freitas ao lado de um retrato de Mário Soares?
in 24horas, 10 de Março de 2005

Silêncio

Sócrates tem com a imprensa uma relação complicada. Como todos os políticos, precisa um pouco dela. Mas desconfia... Aliás, pelos relatos que tive do que se passou ao longo da campanha eleitoral, fiquei a achar que ele, pura e simplesmente, nos odeia. Se o silêncio for política essencial do futuro Governo, ele vai durar pouco, tal como o Governo anterior, que morreu pela incontinência verbal. O Poder tem de comunicar para ser transparente. Se não for transparente, morre às mãos da desconfiança do povo. Mesmo com maiorias absolutas.
in 24horas, 9 de Março de 2005

O Tom

Eduardo Cintra Torres, cronista do jornal “Público” (que está a competir com o 24horas pelo terceiro lugar em vendas de diários), escreveu ontem que a pressão de Santana Lopes “conseguiu mudar o tom das manchetes” deste nosso jornal. Que quereria ele dizer? Afinal, qual é o “tom” das manchetes do 24horas? Crítico? Dramático? Irónico? Apelativo? Divertido? Emocionante? Eu não sei. Tento é que sejam todas verdadeiras, coisa que não sei se preocupa Cintra Torres, pois ao responder sobre este caso a uma jornalista do 24horas o melhor que conseguiu dizer foi: “Pergunte ao seu director!” e “Isso que está a fazer é eticamente reprovável” (porquê, senhor, porquê!?).


Conclusão: o cronista acusou o 24horas de fazer fretes a Santana Lopes, mas, confrontado com a sua própria afirmação, não foi capaz de dizer que ela era, de facto, verdadeira. Para que não restem dúvidas, publicamos, mais uma vez (já o fizeramos no dia seguinte às legislativas), todas as manchetes do 24horas com Santana Lopes. Convido o leitor a tirar as suas próprias conclusões.
Quanto a Cintra Torres, perdoem-me, mas tenho de endurecer o tom: ou é parvo – o que é pena – ou estuda pouco – o que é grave.
in 24horas, 8 de Março de 2005

Governo

Temos Governo. O essencial soube-se antes de tempo, pela imprensa: Freitas nos Estrangeiros, Vitorino fora do Executivo, António Costa de volta de Bruxelas, Alberto Costa na Justiça, etc. Soa pífio o “habituem-se!” de Vitorino sobre os novos tempos de sigilo para a comunicação social. Quanto aos receios do regresso da “tralha guterrista”, não sei se é tralha, mas metade dos novos ministros trabalhou nos governos desses tempos. Mas, também, alguém esperava mesmo outra coisa?
in 24horas, 5 de Março de 2005

Saúde

O centro de cirurgia cardiotorácica do Hospital da Universidade de Coimbra é do Estado. Não tem lista de espera, tem um elevado sucesso médico, dá lucro e até distribui prémios de produtividade aos funcionários. Aqui há dias soube-se que os resultados dos Hospitais S.A. são, com duas excepções, uma vergonha. Para quem defende uma maior privatização da Saúde isto é uma enorme machadada. Para quem defende que é preciso é ter gente competente, isto é uma vitória. Qual é a dúvida?
in 24horas, 4 de Março de 2005

Impostos


Um descuido, uma dificuldade, qualquer um tem. Mas ouvir um político explicar um atraso nas suas obrigações fiscais por isso acontecer também a muito cidadão honrado é tão insólito quanto se um padre dissesse que não vai à missa tal como muito católico convicto. Aconteceu com Ferreira Leite e agora com Santana Lopes. Ninguém lhes levaria a mal se, simplesmente, pedissem desculpa pelo lapso, dado que entretanto pagaram tudo, antes até de os jornais levantarem a questão. Mas eles preferem, sempre, tentar iludir-nos...
in 24horas, 28 de Janeiro de 2005. Foto de Inácio Rosa/Agência Lusa

Estudos

Há estudos que mais valia não se fazerem. Hoje damos conta de um alerta: atenção a essa coisa de andar descalço na relva ou na terra! Os parasitas podem atacar! Eu, por um lado, aturo parasitas há muitos anos e tenho sobrevivido (sim, é uma graça que nada tem a ver com o caso) e, por outro lado, vejo aos fins-de-semana milhares e milhares de miúdos e graúdos a brincar assim , pelos vistos de forma irresponsável, nos jardins e praias deste País. Acho que o perigo é muito pequeno para tanta felicidade. Deixem-nos sossegados.
in 24horas, 25 de Fevereiro de 2005

Alcunhas

Ao longo da vida tive várias alcunhas. Nenhuma durou muito tempo, talvez por não colarem muito bem à minha figura. Fui “Tadinho” por causa do meu apelido. Fui “Marteleda” já não sei porquê. Fui “O Velho” por andar no liceu de fato e gravata (que parvo!). E fui “Salsicha” por ser magrinho. A alcunha é para muita gente um anátema. Pois eu acho que é uma marca distintiva da nossa personalidade, uma forma de sublinhar a nossa individualidade. Portanto, façam favor, chamem-me nomes.
in 24horas, 24 de Fevereiro de 2005

Ele volta

Santana Lopes anunciou que não se candidata à presidência do PSD. Não é notícia. A notícia seria se ele, depois da tareia enorme que levou no domingo, ainda anunciasse que iria à luta. Era a notícia do suicídio do louco moribundo. Uma espécie de eutanásia sem assistência médica. Depois dos resultados eleitorais, Santana quis permitir-se uma pequena vingança e não se demitiu logo para deixar os seus adversários enervaditos. Agora, vai à inevitável travessia do deserto com, aposto, a certeza que voltará.
in 24horas, 23 de Fevereiro de 2005

Apelo

A história de amor, dedicação e esforço para melhorar a vida do agente Dinis, o homem morto com 24 balas a semana passada na Cova da Moura, é comovedora. Não sei porque sucessivos governos não tratam bem os polícias. Uns diziam que era a esquerda que tinha um complexo antiautoridade. Outros que os governos de direita são autistas às organizações sindicais destas forças. Não sei. Sei que é incrível andarmos todos descansados em relação ao assunto e eles, nas ruas, a morrerem por nós.
in 24horas, 22 de Fevereiro de 2005

Contas

O Presidente da República fez bem em convocar eleições. Santana Lopes teve a maior derrota eleitoral de todos os primeiros-ministros da democracia portuguesa. Foi bebé, foi incubadora, foi tudo. Portas, que achou que fez tudo bem, deve a esta hora maldizer um erro: ter aceite, depois da saída de Durão, fazer um Governo com Santana em vez de ter ido logo a eleições. José Sócrates deu ao PS aquilo que só Cavaco conseguira: uma maioria absoluta. O pânico é pensar que os socialistas a podem usar num forrobodó de mordomias distribuídas pelos camaradas. Mas, para já, ele tem o benefício da dúvida e um definitivo lugar na história, que nenhum líder do PS conseguiu, nem Mário Soares. Jerónimo de Sousa é um vencedor e deixa apardalados a esmagadora maioria dos comentadores que há pelo menos 20 anos anunciam a extinção do PCP. É o prémio da seriedade, das convicções e da escolha dos militantes do PCP. Francisco Louçã tem uma subida extraordinária e o Bloco, nas grandes zonas urbanas, está cada vez mais forte. O partido dos comentadores já é um pouco mais que uma moda elitista. Os 60% de votos à esquerda mostram uma coisa: mais do que os líderes, a economia e a justiça social voltaram a contar para ganhar eleições.
in 24horas, 21 de Fevereiro de 2005