O processo dos submarinos que atingiu a imagem de Paulo Portas tem algum paralelo com o processo que liquidou a reputação de Sócrates? Sim e não. Sim porque as violações de segredo de justiça provenientes da investigação e as interpretações sobre essas informações feitas por atores do palco mediático envenenaram o julgamento da opinião pública quer sobre Portas quer sobre Sócrates, embora com gradações e intensidades diferentes.
Não, os processos não são paralelos porque Portas nunca foi arguido, sai totalmente ilibado sem contestação relevante enquanto Sócrates, preso preventivo, terá de ser mesmo condenado para salvar a face da Justiça: se, por burrice inultrapassável do Ministério Público, acabar por ser libado, verá metade do país acreditar que os políticos manipularam os tribunais e “cozinharam” uma fraca inocência.