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PSD aumenta o salário mínimo... A sério?!

Uma parte da explicação para a descrença nos partidos do chamado arco do poder - nos quais, recorde-se, apenas 45% dos eleitores inscritos votam em legislativas - foi bem demonstrada no último fim de semana no Congresso do PSD: o que se passou naquele areópago teve pouco que ver com o comum dos mortais.

As mentes naquela sala estiveram ocupadas, no essencial, em saber como se iam distribuir os lugares disponíveis, desde o modesto assento no Conselho Nacional até à recompensadora candidatura ao Parlamento Europeu.

Graças a Marcelo Rebelo de Sousa, até esteve subliminada a discussão sobre quem poderia ali vir a ser, um dia, presidente da República.

O campeonato das esquerdas

Há a esquerda responsável, há a esquerda radical e há a esquerda revolucionária. Em teoria têm tudo para se unir: defendem as três a igualdade; o laicismo; a prevalência dos interesses dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos sobre a velocidade do crescimento económico ou do direito à propriedade; lutam pela preservação do meio ambiente; pela defesa dos direitos das minorias; são antifascistas e recusam uma sociedade que só dá direitos aos mais aptos.

E, no entanto, a esquerda não se une. Porquê? Eu explico: há a esquerda responsável, há a esquerda radical e há a esquerda revolucionária.

Como este Governo ajuda os desvalidos

Pois este prestimoso Governo não se limita a cortar salários na função pública, a diminuir pensões e reformas a velhos e viúvos, a recrear impostos brutais sobre quem trabalha, a transformar o subsídio de férias e de Natal numa inexistência.

Este diligente Governo também quer ser amigo dos desvalidos e, por isso, traduz a raiva popular contra o poder num corte de 15% sobre as subvenções vitalícias de políticos desativados.

A direita discute o quê?

A acusação, agora, é esta: a esquerda é desumana porque critica as ideias das pessoas de direita que morreram. Por outro lado, não está disponível para debater política, pelo que não contribui para o progresso do País.
Houve uma exceção entre os que se dedicaram à questão da suposta honra ofendida de António Borges: Vasco Pulido Valente repetiu pela enésima vez que todos, à esquerda e à direita, são ignorantes. Sendo essa uma constatável verdade, não nos desempata, porém, o antagonismo.
Vamos à primeira questão: querem que cite os textos de pessoas de direita que, reconhecendo as capacidades intelectuais de Álvaro Cunhal, o estraçalharam até ao limite de lhe atribuírem uma objetiva cumplicidade com os crimes hediondos do estalinismo? E isto na semana em que ele morreu?

Porque são os políticos cada vez piores?

António Guterres comparado com Durão Barroso, deixou saudades. Durão comparado com Santana Lopes, deixou saudades. Santana comparado com José Sócrates, deixou saudades (bom, talvez aqui haja uma excepção que confirme a regra...). Sócrates, comparado com Passos Coelho, deixou saudades. Antóno José Seguro, se tomar o poder, vai deixar-nos, quase de certeza, com saudades do Passos Coelho que hoje detestamos.

As teorias sobre as razões da continuada degradação da classe política podem somar-se: o carreirismo partidário clientelar; a fraca aprendizagem académica e profissional fora da vida política; a profissão política mal paga e exposta; um rotativismo partidário circular que, por isso, perde competência, imaginação e criatividade; o sistema eleitoral. Há quem alvitre isso, parte disso ou a soma total disso. Não chega.

A esquizofrenia moral do doutor Paulo Portas

Foi o próprio Paulo Portas que colocou a questão em termos éticos e morais: "Vivo a circunstância política em que tenho de cumprir com o meu dever perante o País e devo também procurar ser quem sou, o que significa estar em paz com a minha consciência."

Imagino que a consciência do cidadão Portas pense que "a liderança é antes de tudo o mais um mistério que nem sempre pode ser explicado pela racionalidade lógica". Talvez por isso o ministro de Estado imponha aos funcionários públicos a chantagem da escolha entre a mobilidade especial - 18 meses com salário reduzido e, depois, desemprego - ou a aceitação de rescisões imediatas.

Imagino que a consciência do líder democrata-cristão se interrogue: "Haverá alguma coisa mais humilhante do que estar condenado a não poder ganhar o seu próprio sustento?" Mas o dever do líder do PP conforma-se em atirar para o desemprego, sem direito a subsídio, mais 30 mil pessoas.

É com o consenso que o País se trama

Foi consensual aderir à Comunidade Económica Europeia. Foi consensual aderir à Zona Euro. Foi consensual vivermos 25 anos a engordar com os investimentos financiados pelos Quadros Comunitários de Apoio.
Foi consensual destruirmos inúmeras produções na indústria, na agricultura e nas pescas. Foi consensual passar a viver de crédito bancário. Foi consensual construir autoestradas, a Expo 98, o Euro 2004. Foi consensual deixar as câmaras municipais licenciarem selvas urbanísticas.
Foi consensual deixar crescer o Estado de uma maneira clientelar, corrompendo o seu papel na sociedade. Foi consensual desvalorizar a profissão de político até a tornar atraente, apenas, a malucos idealistas ou a imbecis carreiristas.

Cavaco une Portugal e dá posse a Jerónimo

Leia esta frase: "O meu país necessita de renegociar as condições do nosso ajustamento. Digo-o e repito-o. Renegociar as condições de ajustamento com metas e prazo reais."

Agora, leia esta: "O que vejo com preocupação é que FMI, a Comissão Europeia e o BCE só reagem, só corrigem o caminho depois de se tornar estupidamente óbvio que é preciso mudar de caminho."

Com paciência leia, também, esta: "O novo rumo e a nova política de que Portugal precisa têm de romper com a crescente submissão e subordinação externas."

E, finalmente, esta: "Portugal é um país democrático, é um Estado de Direito com uma ordem constitucional que tem de ser respeitada. E a exigência por esse respeito dá ao Governo possibilidade de exigir melhores condições no campo internacional."

Estas quatro afirmações, feitas em semana louca, sugerem uma mais do que óbvia linha de pensamento comum: os portugueses têm de impor limites à troika, ou, pelo menos, devem tentá-lo.

Passos Coelho respeita a sua geração rasca

No dia 5 de maio de 1994 uns milhares de estudantes manifestam-se frente à Assembleia da República, em Lisboa, contra a realização de uma prova global no 10.º ano de escolaridade. Saltam insultos contra a ministra da Educação, Manuela Ferreira Leite, e contra o primeiro-ministro Cavaco Silva. Alguns estudantes equilibram-se nos ombros de outros, virados de costas para o Parlamento, apontados para as objetivas dos fotógrafos e para as câmaras das televisões: baixam as calças e mostram o rabo.

No dia seguinte o jornal Público coloca a fotografia do momento na capa e titula: "Geração rasca". Um editorial do diretor acusa os estudantes de transformarem a manifestação "num desfile de palavrões, cartazes e gestos obscenos, piadas de caserna ou trocadilhos no mais decrépito estilo das velhas 'repúblicas' coimbrãs" .

O Diário de Notícias titula na capa "Protesto Global" e guarda a foto de um traseiro ao léu para as páginas interiores. O diretor adjunto defende a atuação da PSP e acusa os estudantes de "se atirarem aos agentes e se ferirem ao 'chocar' com os bastões policiais".

Brinquem com o fogo, brinquem

Todos os dias temos notícias de empresas que procedem a despedimentos colectivos. Os números oficiais, do Eurostat, normalmente mais modestos do que os da vida real, apontam, na União Europeia, no final do ano, para um desemprego de 9,7% e, em Portugal, de 10,8%. Estamos a falar de, por baixo, qualquer coisa como 27 milhões de pessoas sem actividade profissional na Europa e muito mais de meio milhão no nosso país. É um exército gigantesco...
Não, não é um exército, ou seja, é muita gente, é um universo enorme de pessoas mas não estão organizadas, não têm um comandante que as guie, não enfrentam uma batalha colectiva que estejam dispostas a travar, não vislumbram um inimigo a vencer.
Porquê? Porque, apesar da situação grave por onde têm de passar, apesar de na vida pessoal a travessia do

Passos Coelho é um campeão

Pedro Passos Coelho quer facilitar os despedimentos. Para o desenvolvimento económico do País, para a competitividade, para dar maior flexibilidade ao mercado de trabalho. Até quer despedir o termo "justa causa" da Constituição!..
Há ou não há uma crise de desemprego sem precedentes neste país? É ou não é verdade que a OCDE prevê que, no final do ano, estarão sem trabalho 650 mil portugueses? E isto não significa quase 12% de população activa sem produzir? Não teremos famílias e famílias a viver do Estado, dos subsídios de desemprego, e a consumir muito pouco do que o mercado tiver para vender? Isso não é, inevitavelmente, calamitoso?
E as empresas que, nos últimos três anos, puseram na rua 210 mil trabalhadores? Tiveram alguma dificuldade em fazê-lo? Não chegaram a Tribunal de Trabalho com argumentos tão vagos quanto o das "dificuldades conjunturais" ou o da "necessidade de redimensionamento"? Não conseguiram os

Como acabar com este atraso de vida

Parece que se discute agora a obrigatoriedade da disciplina da Educação Sexual nas escolas. É um assunto obviamente delicado mas, convenhamos, também é coisa do século passado. Quando fui aluno do secundário, há mais de 30 anos, projectava-se a existência de uma disciplina desse tipo. Ao fim deste tempo todo estamos exactamente no mesmo sítio, a discutir se sim, se não. Um atraso de vida, constata-se.
A famosa reforma educativa de Maria de Lurdes Rodrigues, espremida, não significava mais do que arranjar maneira de reduzir as despesas do Estado com a educação pública. O resto, imaginativo, erudito e hipócrita, era um exercício de malabarismo para defender, ideológica, legal e pedagogicamente, a odisseia. Quantos

O caixão de Gabriela Canavilhas

O Estado tem de subsidiar alguma actividade artística. Porquê? Para satisfazer os prazeres caros de meia dúzia de elitistas? Não. O motivo é muito mais pragmático e, talvez, igualmente um pouco cínico.
Um país perde competitividade se não tiver actores, músicos, cantores, escritores, encenadores, pintores, escultores, bailarinos e cineastas que trabalhem e produzam regularmente, de forma a que surjam de vez em quando alguns cidadãos que façam parte do topo mundial da criação artística.
Portugal seria materialmente mais pobre, menos interessante, menos apelativo se não tivesse para oferecer ao mundo o prestígio, a referência, os nomes, os trabalhos e as obras de José Saramago, Manoel de

Ricardo Rodrigues, o moralista

O deputado socialista Ricardo Rodrigues acusou ontem o deputado bloquista João Semedo de ter "imaginação fértil" quando acusa o primeiro-ministro, José Sócrates - num relatório de onde sairão as conclusões da Comissão de Inquérito ao negócio PT/TVI -, de ter omitido, errado, faltado à verdade, mentido ou cometido outro pecado equivalente na Assembleia da República ao jurar desconhecer a intenção da Portugal Telecom em comprar a empresa proprietária da estação televisiva.
Nada tem de surpreendente a alegação do deputado socialista como, aliás, nada têm de surpreendentes as conclusões do deputado bloquista: não se esperaria outra coisa de quem está no partido do Governo - apoio incondicional ao primeiro-ministro, mesmo se este não tiver razão - nem de quem está na oposição - prosseguir na estratégia de fragilização do líder do Executivo, mesmo se ele até tiver razão.
O que é surpreendente é ser este deputado socialista, este Ricardo Rodrigues, o homem que está a tentar dar lições de moral aos deputados da oposição. Para quem esteja distraído, recordo que este é o mesmo

Será que vão prender Sócrates?

No metropolitano de Londres é célebre o aviso oral mind the gap para recomendar aos passageiros precaução com a separação que há entre a carruagem e o cais. Uma tradução possível para a frase é "cuidado com fosso". O mais burro dos cidadãos percebe a ideia num segundo.
Aqui há uns dias, na estação do Marquês de Pombal, ouvi pela primeira vez uma réplica portuguesa. Era tão comprida que nem consegui decorar. Pareceu-me isto: "Esteja atento, nas entradas e nas saídas, ao intervalo entre o comboio e o cais..." Bolas! À quarta palavra já me perdi, já não sei o que me querem dizer, já vou, aliás, na escada rolante. Este vício talvez seja indelével ao carácter português. Tem um nome: complicador.
O complicador mais relevante da última semana foi ligado quando José Sócrates utilizou, na Portugal Telecom, a golden share (vejam como esta expressão, simples, teria mesmo de ser inglesa...). O primeiro-

Sócrates, o adorador de Chico Buarque

José Sócrates esteve com Chico Buarque... Ao ser desmentida a notícia, dada por fonte oficial, de que o músico pedira para conhecer o chefe do Governo português, foi a gargalhada. A credibilidade do primeiro-ministro sai outra vez chamuscada, a evidente falta de sentido de Estado da gente que o rodeia - para não dizer do próprio - fica comprovada. Mas não acho que esteja aí o busílis da questão...
Este Chico Buarque é o letrista que em 1975 saudou entusiasmado a nossa Revolução dos Cravos e, depois, lhe fez o funeral ao mudar o texto de "Tanto Mar" para proclamar, triste: "já murcharam tua festa pá" e "ainda guardo renitente um velho cravo para mim".
Este Chico Buarque é o músico que veio tocar a uma Festa do Avante!, do PCP. Este Chico Buarque é o escritor que visita com frequência Fidel Castro em Cuba. Este Chico Buarque é o cantor que, sobre uma "Morena de Angola" a declara "bichinha danada, minha camarada do MPLA". Este Chico Buarque é o

'Afinal' é uma palavra revolucionária?

Quando Portugal entrou para o euro, estava avisado: tinha uns anitos para colocar o défice anual das suas contas públicas abaixo dos três por cento. Se não cumprisse, tal como outros países "menos importantes", era expulso. No ano em que, no entanto, a Alemanha não cumpriu esse objectivo, os donos do euro bateram os recordes de utilização da palavra "afinal". "Afinal" um valor tão baixo para um défice público era um exagero. "Afinal", citando uma célebre frase de outro contexto, "há mais vida para além do défice". "Afinal", era melhor rever esses valores que tanto limitavam o papel dos Estados membros na economia, pois, "afinal", era bom dar-lhes a possibilidade de se endividarem mais... Assim foi.
Veio entretanto a crise. Uma crise provocada por os grandes banqueiros e os seus amigos negociarem dinheiro de poupanças e investimentos como se fossem a versão premium da dona Branca. Financiavam-se uns aos outros e pagavam juros e lucros dessas operações uns aos outros, arrecadando uma riqueza que

E o que faz Durão Barroso?

Um dos mitos que os portugueses gostam de alimentar é o de estarem naturalmente destinados a participar nas grandes decisões do mundo. Já não nos atrevemos a pretender liderar o planeta, como a História contada em versão patriótica garante ter acontecido nos séculos XV e XVI, mas no nosso íntimo permanecemos convictos da suposta influência de Portugal. Até temos Fátima e intervenção divina.
Outro facto da nossa personalidade é a de olharmos para o povo que aqui vive apontando-o, sem injustiça, como uma verdadeira desgraça da espécie humana. Contraditoriamente à nossa ânsia de estar no topo do mundo, autoclassificamo-nos como a fossa da Terra.
Um exemplo prático desta mansa esquizofrenia é a forma como falamos dos políticos. Enquanto andam por cá não passam, na opinião popular, de uns "trafulhas" que "querem é viver sem trabalhar" e "encher-se à conta do povo". E, no entanto, essas mesmas pessoas passam a ser respeitadas e admiradas logo que

A tolerância para Bento XVI

Tenho o azar na vida de ser ateu, de não conseguir encontrar motivo para adorar um qualquer criador do universo. Esta é uma declaração prévia de interesses - que neste tipo de situações me parece ser acto de lealdade imperativa perante o leitor - por ir abordar um assunto inevitável: a chegada a Portugal, hoje, do Papa Bento XVI.
Vejo, perplexo, escrito pelos jornais - incluindo aqui no Diário de Notícias - vários artigos de opinião a criticar as autoridades. A crítica mais recorrente tem a ver com a tolerância de ponto...
A estrada mais próxima da minha casa é caminho de peregrinos a Fátima. É impressionante o desfile de milhares, mesmo muitos milhares de pessoas, a pé, a cumprir o para mim incompreensível sacrifício de não sei que promessa. Serão todas estúpidas? Serão todas ignorantes? Serão gente que o Estado deve desprezar?
No fim-de-semana assisti a um casamento. Provavelmente os noivos e a maioria das 250 pessoas que ali estavam só entram numa igreja em momentos deste tipo. Ir aos domingos à missa não faz parte da vida

Os desempregados que paguem a crise

Pedro Passos Coelho decretou a si próprio a inevitabilidade de vir a ser primeiro-ministro no dia em que foi ter com José Sócrates para tomarem uma posição comum de "salvação do País
José Sócrates, por seu lado, confirmou-se a si próprio como mero poder transitório ao, no final dessa encenação política, anunciar aos portugueses que a resposta que tinha, a resposta do seu Partido Socialista para a "ofensiva" dos mercados financeiros, era um corte nos subsídios sociais. Traduzido por miúdos, foi o mesmo que ouvi-lo dizer, em horário nobre: "Os desempregados que paguem a crise!" Como suicídio político, foi do mais confrangedor que já se viu...
Mas o essencial da questão não é isso. O elemento mais relevante desse momento de suposta união nacional