A "notícia" do consultor
"António Cunha Vaz enganou os leitores do Diário Económico.
"Na edição de 29 de Agosto passado do Diário Económico, António Cunha Vaz declarou, numa entrevista intitulada "Há jornalistas dispostos a fazer favores a amigos", o seguinte: "Um tal Pedro Tadeu, que foi diretor do 24horas, já aceitou uma encomenda num processo que eu pus ao Manuel Maria Carrilho. Esse indivíduo foi testemunhar contra mim em tribunal".
"1 - Nunca depus, nunca fui chamado a depor nem, tanto quanto sei, alguma vez constei da lista de qualquer rol de testemunhas relativas a processos que envolvessem António Cunha Vaz e Manuel Maria Carrilho.
Uma ironia do destino...
Agora, após o fecho do jornal, recebi um elogio, totalmente inesperado, de Óscar Mascarenhas, antigo presidente do Conselho Deontológico e o melhor especialista nesta matéria que temos em Portugal.
É uma ironia receber este elogio, de onde não esperava, após tantas omissões pelo silêncio, de onde também não esperava.
Reproduzo o artigo do Óscar, que muito me sensibilizou, publicado no Jornal de Notícias a 5 de Julho passado com o título "O nome do palácio":
"O 'Público' e o 'Diário de Notícias' titularam algo como: «Primeira visita oficial do Presidente Cavaco Silva é ao Hospital da Estefânia.» O '24Horas' fez diferente: «Cavaco visita Hospital da Estefânia para pagar
Direito de Resposta:
Pedro Tadeu responde a Sousa Tavares
1 - A origem desta polémica está numa outra crónica publicada por mim em 2 de Março de 2010, intitulada "A vida privada segundo Francisco Assis" e que pode ser lida no site do DN (LINK). Aos leitores que tiverem paciência para isso, desafio-os a encontrarem nesse texto aquilo de que Sousa Tavares me acusa: que eu gostaria "de confirmar" (sic) salários de outros jornalistas através da divulgação pública das suas declarações de rendimentos. Sousa Tavares manipula e descontextualiza propositadamente essa crónica,
Direito de Resposta:
Sousa Tavares responde a Pedro Tadeu
1 - Pedro Tadeu, na sua injustificável coluna no DN, publicou há tempos um texto defendendo a divulgação pública das declarações fiscais de todos os cidadãos, indiscriminadamente - argumentando, entre outras coisas, que assim poderia confirmar os casos de "directores de jornais com salários de dez ou quinze mil euros e cronistas ou comentadores de TV a receber neste universo de remunerações".
2 - Comentando esta posição, eu escrevi na revista GQ que ele era, obviamente, movido pela mais antiga doença portuguesa, que é a inveja. E, recordando a sua passagem como director pelo jornal 24 Horas, por ele transformado num pasquim especializado na devassa da vida alheia (sufocando qualquer resistência deontológica de alguns bons profissionais que lá trabalham), referi que este era o mesmo Tadeu que fizera
A má consciência de Sousa Tavares
Depois de apontar o dedo - "vede, plebeus, vede que ali vai um invejoso!" -, Sousa Tavares cai em tentação. No Expresso indigna-se com os rendimentos de António Mexia: "Que pateta não conseguiria lucros a gerir uma empresa que funciona em monopólio, vendendo um bem essencial como a electricidade?",
A denúncia de Henrique Granadeiro
no Parlamento
Acho oportuno, dado que o meu nome foi trazido à liça, recordar o que a 11 de Setembro de 2004 escrevi no 24horas, na sequência da demissão do seu administrador máximo: "Granadeiro é um homem da comunicação social. Entende a gestão deste tipo de empresas com base em duas ideias nucleares: liberdade e responsabilidade. Aqui tivemos, no 24horas, toda a liberdade. Aqui se exigiu a máxima responsabilidade. Parece simples mas, posso garantir, não é fácil. Nem muito vulgar. É encontrar alguém com visão de Estado sobre o papel da imprensa em democracia, disposto a pagar todos os preços para garantir a independência dos jornalistas mas sendo igualmente implacável perante obscuros interesses corporativos ou laxismos que, por vezes, minam a profissão. Para conjugar isto, nos dias de hoje, é preciso quase ser-se um herói."
Quero acrescentar, para que não haja qualquer equívoco, que a administração que se seguiu, liderada pelo jornalista Luís Delgado, nomeada pela Portugal Telecom no mesmo contexto político que vitimou Henrique Granadeiro, não só não me demitiu como foi outro caso exemplar: nunca tive da parte de Delgado uma reunião, uma crítica, uma análise, um telefonema, uma conversa de circunstância, uma mera interjeição de reprovação sobre quaisquer notícias publicadas pelos jornalistas do 24horas.
Essas duas administrações exigiram-me a prática do jornalismo e a recusa da traficância informativa. Se com Granadeiro me tinha saído a taluda da liberdade de imprensa, com Delgado dupliquei o prémio.
Para resistir aos ataques do poder político a imprensa precisa de várias coisas, desde estabilidade financeira a verdadeira diversificação de proprietários. Mas concluo também, por experiência própria, vivida, comprovada, que a imprensa necessita de ter à sua frente gente digna, firme e vertical. É preciso "quase ser-se um herói"… O problema é que hoje quase ninguém está para heroísmos.
Pedro Tadeu e o jornalismo geneticamente modificado
(...)
Para o jornalismo, que supostamente terá no ADN um cromossoma de garantia de total independência face aos poderes político, económico, judicial ou outros, esta posição de serventia face a uma das partes de um conflito jurídico é, embora não inédita, no mínimo bizarra e, em princípio, condenável. E não é por, neste caso, uma das partes desse conflito jurídico ser o representante do Estado que o problema da falta de independência jornalística fica sanado, pelo contrário. "
Pedro Tadeu assentou arraiais como comentador no DN. Teria importância nula, caso fosse mais um, mas não é assim. Foi director do famigerado 24Horas, apostando num jornalismo de "famosos, dinheiro e crime" e escreve agora como figura de referência jornalística, com ética de profissão para dar e vender, pelos vistos.
O que escreve na crónica de hoje, sobre o facto de a jornalista Manuela Moura Guedes ter optado por se constituir assistente no processo Face Oculta, destapa a ignorância e enviezamento profissional do antigo director do 24 Horas.
Ao escrever que o MP é um representante do Estado e uma das partes no processo penal, onde segundo o mesmo cronista, há um conflito jurídico, de partes e em que o MP é uma delas, mostra que sabe nada de nada do b+a=ba do assunto.
Ao escrever que "o jornalismo, supostamente terá no ADN um cromossoma de garantia de total independência face aos poderes político, económico, judicial ou outros," só denota que lhe falta esse cromossoma básico e de tal modo que nem o reconhece nos outros.
O que espanta no caso de Pedro Tadeu, é que haja pessoas assim a escrever em jornais. Ou que os dirijam. O que, aliás, pode ser menos grave, como se verifica em alguns casos.
O apóstolo da verdade
A sua crónica sobre os fenómenos ocultos da Face Oculta, suscita leitura em tom de paródia: Pedro Tadeu ainda não explicou os motivos ocultos da sua defesa intransigente dos arguidos da Casa Pia...e que o levou a atacar o antigo PGR Souto Moura com uma raiva incontida de perseguição mediática ignóbil.
Um cheirinho da croniqueta:
"São ocultas as razões que levam os mais distintos magistrados, juristas, juízes e advogados da Nação a envolverem-se numa zaragata pública sempre que um político é investigado.
São ocultas as interpretações jurídicas que motivam um procurador e um juiz a acharem que ouviram um crime onde, garante agora Noronha de Nascimento, não haverá afinal nada que dê "sugestão de algum comportamento com valor para ser ponderado em dimensão de ilícito penal".
O problema do tampo da sanita
Pior. Um dia lá tive de ir a casa da mãe da Catarina para ser apresentado como namorado oficial. Fui simpático, como me competia, não me atrapalhei muito com o previsível inquérito policial a que fui sujeito. Jantei lá e, ao fim da noite, pediram-me para ir à cozinha buscar qualquer coisa. Pouco antes de voltar a entrar na sala ouvi este diálogo: – Então mãe? Que achas dele? – Parece bom rapaz. Mas, de certeza, não fecha a tampa da sanita. Pronto, ficou-me o trauma e de vez em quando, durante anos, dei por mim a pensar: “Mas que obsessão têm as mulheres com esta questão da tampa da sanita? Qual é o drama? Será por razões estéticas? Será uma fobia? Porquê?”
Só ao fim de uns anos é que tive coragem para falar disto à minha mulher e a resposta dela foi exactamente igual à explicação que Sofia Ribeiro dá no caso de Tallon: “É que vocês, homens, esquecem-se que nós podemos precisar de utilizar a sanita a seguir a vocês, pelo que podiam facilitar-nos a vida e deixar o tampo para baixo”.
Conclusão? Como é óbvio, o problema não está no subir ou no baixar do tal tampo, coisa fácil que demora meio segundo. O problema está é que nem na casa-de-banho as mulheres admitem que nós, homens, deixemos de pensar nelas.
Alice Vieira mete-se na minha vida
Uma vez fui à festa do “Avante!” com a minha menina e lá, numa tenda que funcionava como livraria, estava José Saramago a dar autógrafos. A fila de fãs do prémio Nobel era imensa, o ar estava abafado, o calor era insuportável e a Joana, agarrada à minha mão, parecia estar prestes a cair para o lado, de cansaço. Resolvi sair para voltar mais tarde, com mais sossego, ver os escaparates. Mas a Joana, que teria na altura uns 6 ou 7 anos, de repente, começou a dar-me puxões à camisa e a gritar excitada: “Ó pai! Ó pai!, está ali a Alice Vieira!”. A escritora entrava na tenda para, por sua vez, iniciar também uma sessão de autógrafos. E já não consegui sair dali sem gramar com meia hora de fila indiana para recolher um rabisco e uma saudação da, na altura, escritora preferida da minha filha que, de resto, achou o prémio Nobel José Saramago – que prosseguia a sua odisseia de assinaturas ao lado da heroína dos miúdos – um velhote um bocado carrancudo.
Por estas e por outras, sempre que oiço falar em Alice Vieira, instintivamente, como os cães, fico logo de orelha espetada. E, antes de tudo o que tive de fazer para esta revista ir para as bancas, fui ler a entrevista que hoje publicamos. Diverti-me imenso e acho que ela deve ser uma mulher extraordinária. Não sei é se a Joana, se agora a visse, seria capaz de a reconhecer.
Os tempos antes do CD
Entre as 20 ou 30 gravações de discos compactos disponíveis no mercado nada havia, nessa altura, de Xutos & Pontapés, mas tínhamos, de facto, qualquer coisa a soar a “música laser”: Vangelis. Era música terrível, ainda por cima impossível de dançar, mas... era o que havia. Uns 15 anos depois desconfiei que António Guterres passou por esse “evento”, quando o vi na TV a subir a um palanque, aplaudido pela multidão, ao som dessa “música laser”.
Os Xutos & Pontapés nasceram, portanto, antes da época da “música laser”, venceram nela e vencem na época do mp3. O Vangelis, não. Qual é o segredo dos Xutos? Fácil, leiam por exemplo esta letra: “Se isto não te diz nada/Olha para a rapaziada/Vê a vida que o povo tem/Vê a vida que o povo tem/Vê a vida que o povo tem”. Pronto, é só ver a vida que o povo tem e, depois, escrever uma canção.
Como deixei de ser incomodado
Mas foi muito fácil resolver o problema. Não mudei de número nem dei o aparelho à minha secretária para ela passar a atender as chamadas: simplesmente desliguei-o. Ao fim de uns dias desistiram. Agora só o ligo quando preciso de fazer chamadas ou em alturas, raras, onde quem me interessa não me pode contactar de outra maneira.
Devo dizer que sou obrigado a agradecer aos senhores que tanto me insultaram, pois assim proporcionaram-me uma alteração de hábitos que melhorou substancialmente a qualidade da minha vida: todos os que me rodeiam já sabem que, no telemóvel, raramente me apanham e, por isso, a quantidade de vezes que me chateiam por razões tolas é mínima. Foi uma espécie de libertação de um escravo: agora quase só tenho conversas realmente úteis. Adeus stresse de jornalista, adeus boatos e tricas, adeus “não publique essa notícia!”, adeus choque tecnológico. Conclusão? O problema nestas sociedades da comunicação é mesmo o “blá blá” a mais.
Bronca com Jorge Lima Barreto
Quando fui para a redacção escrever só tinha uma preocupação: reproduzir fielmente e com rigor todo o jargão complicado de Lima Barreto, batalha vencida a golpes de dicionários especializados e incursões arrojadas no arquivo do jornal. No fim, para amenizar, lá pus um texto pequeno sobre o novo instrumento do Vítor Rua. No dia seguinte recebi um telefonema. Era Lima Barreto. “Então, gostou da entrevista?”, perguntei. Do lado de lá a voz ironizava: “Estava óptima, estava até muito bem mas, francamente, ter posto o Vítor Rua agarrado ao bife é que não me parece coisa razoável...” Fui ver e... nem queria acreditar. A tal guitarra tinha um nome bastante simples: era um “stick” que em inglês significa também pau, vara, bengala, bastão, etc. Mas o que é que o Tadeu escreveu, pelo menos uma dezena de vezes, no meio da sua baralhação de termos e conceitos complicados? Nada mais, nada menos que Vítor Rua tocava “steak”, ou seja, e realmente, bife... E ainda perorava sobre os extraordinários sons que saíam do tal “bife”. Que vergonha!
O drama da falta de originalidade
Uma manhã tive a sorte de estar no Louvre. Passei duas horas e meia numa fila até conseguir entrar e, claro, quando saí, no fim da tarde, ficou um mundo por ver. Não me modifiquei por causa disso, mantive-me o imbecil do costume e até tive a grandessíssima lata de comentar na roda de amigos ser o Louvre, em muitos aspectos, “uma desilusão” . Ser-se novo e arrogante é mesmo um perigo!
Mas, agora que sou um bocado velho e já não me importo com o que os outros pensam de mim, posso confessar que foi no Louvre que tive uma das maiores emoções estéticas de toda a minha vida. Foi no Louvre que percebi que uma obra-prima da arte visual se reconhece ao primeiro olhar, ao primeiro impacto, sem apelo nem agravo, sem que a procuremos: ela chama-nos, de longe e, simplesmente, não resistimos, embrenhamo-nos e, depois, deixamos cair uma lagrimita.
Mas como poderia eu confessar, palhaço diletante, ter sentido tudo isso no meio de uma overdose da história da pintura ocidental, cheia de frescos geniais, apenas por ter reparado num quadrito tão vulgar, tão trivial, tão pouco original como... a “Gioconda” de Da Vinci. Isto de ser-se humano é uma grande fatalidade!
Branquinho como a cal
Por exemplo, se uma amiga me pergunta a opinião acerca de um novo penteado eu respondo, clara e invariavelmente, mesmo sem pensar nem ver muito bem o aspecto da trunfa: “Está sensacional!”. Eu bem tento dar uma entoação convincente a esta diplomática exclamação aprovadora. Mas, infelizmente, quando reparo a seguir na experiência capilar, nove em cada 10 vezes (até porque detesto mudanças na cara das pessoas) lá me sobe o sangue às faces e a mentira fica denunciada. Um embaraço.
E se um amigo me apresenta uma nova namorada e depois, à socapa, pede a aprovação com um piscar de olho e um cúmplice “Então? Que é que dizes da Sandra?”, eu bem respondo ser a moça uma simpatia, ainda por cima giríssima, mas ele sai dali convencido que anda com um estafermo imbecil ou que está a cometer um dos sete pecados mortais e, por isso, vai ser condenado à eternidade no Inferno.
Por isso é que quando tomei posse como director do 24horas, decretei que nem no dia 1 de Abril este jornal e esta revista publicariam mentiras: é que nem a brincar, nesta matéria, eu tenho hipótese de me sair bem. Não acreditam? Olhem que eu escrevi isto tudo e, vi agora ali no espelho, mantenho-me branquinho como a cal...
Controlinveste cria agência
para fornecer fotos e vídeos
"A nova agência de imagens vai fornecer, numa primeira fase, fotografias e vídeos ao grupo, e depois, também para o mercado externo", explicou Pedro Tadeu, que vai dirigir a nova unidade em conjunto com o fotógrafo Alfredo Cunha.
O objectivo, avançou, é "fazer economias de escala" dentro da Controlinveste e, ao mesmo tempo, "criar um novo negócio" cujas receitas estimadas não foram adiantadas pelo director.
A ideia de criar este novo negócio já cerca de um ano, já que já tinha sido mencionada num comunicado divulgado pelo conselho de redacção de O Jogo, em Janeiro deste ano, em reacção ao despedimento colectivo de 122 colaboradores do grupo, 11 dos quais fotógrafos.
De acordo com Pedro Tadeu, que deixou a direcção do 24 Horas em Junho passado para criar a agência, "todos os fotógrafos das várias redacções do grupo estarão integrados, somando mais de 20".
Fotógrafos serão responsáveis por fornecer grande parte fotografias que os jornais do grupo publicam todos os anos, tendo sido criado "um modelo de funcionamento que visa garantir a qualidade de cada título", adiantou.
Escusando-se a explicar o funcionamento da agência por se tratar "de uma coisa interna", Pedro Tadeu assegurou que o novo método não irá eliminar a exclusividade de imagens de cada jornal da Controlinveste, sendo a gestão de serviços combinada com as direcções das publicações.
O objectivo é também fornecer imagens para outros órgãos de comunicação social, mas isso só começará a acontecer quando "o fluxo interno de trabalho estiver a funcionar bem", referiu o director, apontando esta primeira fase para o primeiro trimestre de 2010.
Dirigido por Joaquim Oliveira, o grupo Controlinveste publica jornais como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, o 24 Horas e O Jogo e revistas como a Volta ao Mundo e Evasões.
PMC.