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A viola do dia

Excepcionalmente hoje apresento uma canção.

Julian Lennon (filho de John Lennon, dos The Beatles) e o seu amigo James Scott Cook promovem uma campanha para uma fundação de combate ao lúpus. Fizeram uma canção para o efeito, chamada Lucy. Julian esteve na origem da criação de um tema famosos dos The Beatles - "Lucy In The Sky With Diamonds" - quando, aos quatro anos, fez um desenho sobre a sua amiga Lucy. Essa amiga de infância de Julian morreu há pouco tempo, aos 46 anos, por causa da doença. Cook teve uma avó, também chamada Lucy, também doente de lúpus, que morreu aos 96 anos. Essa é a história que aqui se conta, seguida da canção.

Os tempos antes do CD

Quando os Xutos & Pontapés já eram gente ainda não havia CD. Numa dada fase da minha vida andei a pôr discos em discotecas e festas. Ainda há bocadinho lembraram-me que numa dessas festas, por acaso um festival organizado na antiga FIL, um amigo meu alugou aos organizadores um leitor de discos compactos, o primeiro modelo comercializado em Portugal, da Philips. O “DJ” da festa era eu. Os promotores do evento (nessa altura não se usava esta expressão, mas agora seria assim que os designariam nos jornais) resolveram, na publicidade, anunciar o facto com relevância: o dito festival ia passar – passo a citar como se destacava no cartaz colocado à entrada – “música laser”!

Entre as 20 ou 30 gravações de discos compactos disponíveis no mercado nada havia, nessa altura, de Xutos & Pontapés, mas tínhamos, de facto, qualquer coisa a soar a “música laser”: Vangelis. Era música terrível, ainda por cima impossível de dançar, mas... era o que havia. Uns 15 anos depois desconfiei que António Guterres passou por esse “evento”, quando o vi na TV a subir a um palanque, aplaudido pela multidão, ao som dessa “música laser”.

Os Xutos & Pontapés nasceram, portanto, antes da época da “música laser”, venceram nela e vencem na época do mp3. O Vangelis, não. Qual é o segredo dos Xutos? Fácil, leiam por exemplo esta letra: “Se isto não te diz nada/Olha para a rapaziada/Vê a vida que o povo tem/Vê a vida que o povo tem/Vê a vida que o povo tem”. Pronto, é só ver a vida que o povo tem e, depois, escrever uma canção.

in 24horas, 27 de Maio de 2006

A viola do dia


Hoje são seis violas. Trata-se do duo Siqueira/Lima (que já mostrei aqui) a acompanhar outros músicos participantes no último Brazilian Music Institute, que anualmente é organizado por Welson Tremura em Gainesville, Florida, nos Estados Unidos da América. Para além de Cecília Siqueira, Fernando Lima e Welson Tremura, tocam ainda Juan Cendan, Sílvio dos Santos e Dan McCoy. Larry Crook bate o pandeiro. A composição é de Dilermando Reis.

Bronca com Jorge Lima Barreto

Não é só nas televisões que acontecem broncas monumentais. Um dia, há uns 20 anos, mandaram-me entrevistar um génio da teoria musical, Jorge Lima Barreto, e um génio da sensibilidade musical, o guitarrista Vítor Rua. Juntos formam um duo que é, “apenas”, uma referência mundial da música de vanguarda: o Telectu. Com Jorge Lima Barreto não se pode ter uma conversa simples e desapaixonada. O fulano é uma inteligência superior e cultiva o estatuto de provocador profissional. Virou-se para o ignorante jornalista e fuzilou-o com uma conversa enciclopédica sobre música minimal repetitiva, música mimética, música concreta, música funcional, música totalmente improvisada, música electro-acústica, nova música, eu sei lá!... Sei que era género musical a mais para a minha pequena camioneta cultural. E ainda tive de levar uma formação acelerada em temas como “performance”, “instalação artística”, “rock de vanguarda”, “tecno-pop”, “concerto multimédia” e não sei já quantas outras expressões da gíria vanguardista dos anos 80... que banho! Às tantas, ao fim de duas horas de aula, aproveitei um momento em que Lima Barreto precisou, finalmente, de respirar, e fugi para conversar uns minutos com Vítor Rua que, acho, estava com pena de mim. Fiz-lhe umas perguntas sobre uma guitarra estranha que ele estava a experimentar, um aparelho electrónico já não me lembro se com 8 ou 10 cordas simples, sem caixa, apenas com braço, como se fosse um longo pau.

Quando fui para a redacção escrever só tinha uma preocupação: reproduzir fielmente e com rigor todo o jargão complicado de Lima Barreto, batalha vencida a golpes de dicionários especializados e incursões arrojadas no arquivo do jornal. No fim, para amenizar, lá pus um texto pequeno sobre o novo instrumento do Vítor Rua. No dia seguinte recebi um telefonema. Era Lima Barreto. “Então, gostou da entrevista?”, perguntei. Do lado de lá a voz ironizava: “Estava óptima, estava até muito bem mas, francamente, ter posto o Vítor Rua agarrado ao bife é que não me parece coisa razoável...” Fui ver e... nem queria acreditar. A tal guitarra tinha um nome bastante simples: era um “stick” que em inglês significa também pau, vara, bengala, bastão, etc. Mas o que é que o Tadeu escreveu, pelo menos uma dezena de vezes, no meio da sua baralhação de termos e conceitos complicados? Nada mais, nada menos que Vítor Rua tocava “steak”, ou seja, e realmente, bife... E ainda perorava sobre os extraordinários sons que saíam do tal “bife”. Que vergonha!

in 24horas, 22 de Abril de 2006

A viola do dia



Aluna do mesmo professor de Lie Jie, mostro hoje aqui Yang Xuefei, que demonstra bem o valor da escola de Chen Zhi, o maior mestre de guitarra clássica da República Popular da China.

A viola do dia



Li Jie é uma guitarrista de música erudita absolutamente excepcional. Aqui toca o "Capricho de Paganini n.º 24". Uma demonstração soberba das capacidades desta chinesa.
AMANHÃ: PEDRO CALDEIRA CABRAL

A viola do dia

Este é Peter Ciluzzi, a tocar “Nocturne”, em outro exemplo de utilização de técnicas pouco habituais. O músico pode ser encontrado aqui

AMANHÃ: LI JIE

A viola do dia



Este vídeo é uma curiosidade histórica: Al di Meola toca num clube argentino de Buenos Aires, o Oliverio Pub, de supresa e sem anuncio público, numa sexta-feira à noite de Setembro de 1995. O motivo foi um espectáculo de Mario Parmisano, habitual teclista de Di Meola, que o convidou. São variações em cima de uma composição de Astor Piazzolla.
AMANHÃ:PETER CILUZZI

A viola do dia


Este é o "Concerto Mediterrânico" que aconteceu em 1989, de John McLaughlin com a Filarmónica de Munique. Só tenho pena que McLaughlin seja mais rápido do que expressivo, mais cérebro que coração.
AMANHÃ: AL DI MEOLA

A viola do dia


Gosto de músicos amadores que, mesmo com limitações técnicas ou com instrumentos fracos, conseguem obter belos sons. É o caso desta canção, Girl, dos The Beatles, tocada numa versão que encontrei no YouTube identificada apenas por ter sido feita em 1996. Eles parecem ser da Europa do Leste, talvez russos e, suponho, não são músicos profissionais. Tudo ali – a melodia, o cenário da casa, o aspecto dos artistas, a forma como abordam o instrumento – respira candura.

A viola do dia


O verdadeiro mestre da guitarra de 10 cordas é Narciso Yepes, que aqui aparece numa excelente gravação, apesar de antiga, a tocar Bach. As quatro cordas adicionais, as mais graves, raramente são dedilhadas mas, por efeito de simpatia, ressoam e dão um timbre especial ao instrumento, que Narciso achava ser mais natural do que o da guitarra de seis cordas.



AMANHÃ: AMADORES TOCAM BEATLES

A viola do dia

Dominique Frasca é um músico experimentalista, de Nova Iorque, que aqui toca, em primeiro lugar, uma viola de 10 cordas (mexendo nela como se fosse um piano, isto é, com as duas mãos “a teclar”) e, em segundo lugar, uma viola de seis cordas, preparada.

AMANHÃ:
NARCISO YEPES

A viola do dia

Este é o vídeo de uma fracção de um espectáculo de Toquinho na Suíça em 1983, ainda ele tinha muito cabelo escuro e bigode. É uma interpretação de um clássico de Ary Barroso:: “Na Baixa do Sapateiro”.
AMANHÃ:
RICARDO ROCHA

A viola do dia


Andrés Segóvia, o homem que impôs a viola na música erudita, toca Bach. A clareza da execução é estarrecedora, e impressiona ainda mais pela idade que, na altura desta gravação, o músico já tinha e que, pelos vistos, em nada o prejudicou.
AMANHÃ: TOQUINHO

A viola do dia

O Cuarteto de Guitarras Aranjuez fez um arranjo com o tema principal da série televisiva “The Simpsons”. Está óptimo, apesar da captação de som não ser famosa.

AMANHÃ: ANDRÉS SEGÓVIA